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CINEMA

Completando 35 anos, Studio Ghibli leva seu universo singular à Netflix

Publicado em: 23/03/2020 10:21

Um total de 21 filmes do celebrado estúdio integram a programação da Netflix. (Foto: Divulgação)
Um total de 21 filmes do celebrado estúdio integram a programação da Netflix. (Foto: Divulgação)
 
Por conta da epidemia do novo coronavírus e o consequente fechamento de equipamentos culturais, como os cinemas, os streamings se tornam uma das principais opções de entretenimento. Uma das pérolas presentes no catálogo da Netflix, o maior serviço do setor, são os filmes do japonês Studio Ghibli, que desde fevereiro tem integrado aos poucos o cardápio da plataforma - será um total de 21 filmes até 1º de abril. O estúdio, que completará 35 anos em junho, tem revolucionado criativamente o panorama da animação, ditado tendências e contado histórias únicas.

A história do estúdio começa antes de 1985, quando os animadores Hayao Miyazaki e Isao Takahata se conheceram na produção do anime Heidi. Do processo de produção bem-sucedida do anime, veio uma relação duradoura, que contou com integração de Toshio Suzuki na equipe. Foi no lançamento do filme Laputa: O castelo no céu, longa ambientado em um futuro pós-apocalíptico, que a colaboração, já como estúdio, conquistou um público de 775 mil expectadores, além do sucesso de bilheteria e crítica.

A partir daí, surge uma casa criativa que em seu nome já trazia novos ares: Ghibli significa um forte sopro de vento quente que atravessa o deserto do Saara, uma referência aos aviões italianos que faziam o reconhecimento do Saara na Segunda Guerra. E de fato a referência tem respaldo no fascínio de Miyazaki por aviação, sempre presente nas animações, além do estúdio ter cumprido sua promessa de renovar a animação mundial com história singulares.
 
Totoro acabou se tornando o mascote dos estúdios. (Foto: Divulgação)
Totoro acabou se tornando o mascote dos estúdios. (Foto: Divulgação)
 
Já em 1988, o estúdio lançou duas animações importantíssimas para sua história: Túmulo dos vagalumes e Meu amigo Totoro. O primeiro trazendo os horrores da Segunda Guerra, um tema recorrente na cinematografia japonesa e do estúdio, mas com toda sensibilidade e fantasia possível das animações. O segundo se tornou um dos mais famosos produtos culturais asiáticos no ocidente, ao contar a história de duas jovens (Satsuki e Mei) que se aventuram com espíritos da floresta num cenário rural do Japão pós-guerra. Inclusive, o sucesso de Meu amigo Totoro foi tanto que o personagem com nome no título do filme virou mascote do estúdio.

Os dois trabalhos delimitam experiências, são lúdicos, imaginativos e extremamente críticos à guerra, em um tom que se firma em toda produção do Studio Ghibli e torna essas as obras instigantes independente de faixa etária. Além de, é claro, transpor para o universo das animações, narrativas extremamente humanas e pessoal, de um país que foi massacrado pela guerra e representado pelo ocidente, através da alteridade, de forma muito fria e distante.

Ainda assim, com as dificuldades que existiam em um produto asiático adentrar o ocidente, o auge do reconhecimento do trabalho do estúdio só viria em 2001, com o longa A viagem de Chihiro. O lançamento rendeu grandes conquistas, sendo a produção cinematográfica japonesa que mais arrecadou mundialmente (347 milhões de dólares), além de desbancar Titanic (1997), sendo a maior bilheteria interna do país (cerca de 30,8 bilhões de ienes). A espirituosa história de Chihiro rendeu também um Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2002 e o Oscar de Melhor Animação em 2003, consagrando-se como o primeiro e único filme desenhado a mão e de língua não inglesa a conquistar essa estatueta.
 
A viagem de Chihiro consagrou o Studio Ghbili com um Oscar de Melhor animação.  (Foto: Divulgação)
A viagem de Chihiro consagrou o Studio Ghbili com um Oscar de Melhor animação. (Foto: Divulgação)
 

A história acompanha a garotinha Chihiro, que está triste após a mudança para outra cidade. De forma inesperada, a menina adentra uma jornada em um universo desconhecido, marcadamente espiritual, entre o se reconectar com si e o se tornar uma nova pessoa. Essa dualidade entre passado e renovação diz muito também sobre o próprio processo do Japão pós-guerra, tema também presente nos próprios visuais e simbologias do filme. Aliás, um visual potente, extremamente onírico e exuberante, que está sempre dialogando de forma excepcional com a jornada e estado mental da protagonista.

PROTAGONISMO FEMININO
Quem cresceu no ocidente provavelmente tem como principal referência de representação feminina as princesas da Disney - e mesmo que não seja eu quem decida, posso garantir que não há mal nisso. Contudo, a forte presença do protagonismo do feminino nos estúdios Ghibli abarca outros tipos de representações, que só apareceram nas produções Disney a partir de trabalhos como Mulan (1998), Frozen (2013) e Moana (2016). Em 1984, a protagonista da primeira animação do Ghibli foi a princesa Nausicaä, que já aparecia como uma heroína extremamente humana, forte, inteligente, sempre acreditando em seus sonhos e seu coração.
 
San é um dos exemplos da diversidade de protagonistas femininas do estúdio japonês.  (Foto: Divulgação)
San é um dos exemplos da diversidade de protagonistas femininas do estúdio japonês. (Foto: Divulgação)
 
 
Já em A Princesa Mononoke (1997), somos apresentados a San, uma guerreira feroz, que ainda assim apresenta a complexidade de não ser autossuficiente e que é descrita nas palavras do cineasta Hayao Miyazaki como alguém que “precisa de um amigo ou um apoiador, mas nunca de um salvador”. Outra representação diversa e instigante é Chihiro. A garotinha tem um desenvolvimento e aprofundamento feito de forma muito sofisticada, ao mesmo tempo que sutil, com uma personagem errática, que por vezes é forte, noutros momentos é frágil, tensionando qualquer visão preestabelecida do que é amadurecer.

MIYAZAKI
Um dos nomes principais da casa criativa Studio Ghibli é justamente Hayao Miyazaki. Um dos membros fundadores do estúdio, ele ajudou a “dar a cara” das animações, escrevendo e dirigindo filmes pautados no pacifismo e tensionando os universos da natureza (tradição) e tecnologia (modernidade). Miyazaki também costuma trabalhar com muitas personagens femininas, que surpreendem por sua diversidade de personalidade. Na sua filmografia estão clássicos como O castelo no céu (1986), Meu vizinho Totoro ou Meu amigo Totoro (1988), A viagem de Chihiro (2001) e Vidas ao vento (2013).

Calendário do Studio Ghibli na Netflix:
Disponíveis desde 1º de fevereiro
  • O castelo no céu
  • Meu amigo Totoro
  • O serviço de entregas da Kiki
  • Memórias de ontem
  • Porco Rosso: O último herói romântico
  • Eu posso ouvir o oceano
  • Contos de Terramar
Disponíveis desde 1º de março
  • Nausicaä do Vale do Vento
  • Princesa Mononoke
  • Meus vizinhos, os Yamadas
  • A viagem de Chihiro
  • O reino dos gatos
  • O mundo dos pequeninos
  • O conto da Princesa Kaguya
Estreias em 1º de abril
  • Pom Poko: A grande batalha dos guaxinins
  • Sussurros do Coração
  • O castelo animado
  • Ponyo - Uma amizade que veio do mar
  • Da colina Kokuriko
  • Vidas ao vento
  • As memórias de Marnie 
Sugestão - Cinco essenciais para começar
  • A viagem de Chihiro
  • O castelo animado
  • Meu amigo Totoro
  • Princesa Mononoke
  • Vidas ao vento
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