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Artistas pernambucanos celebram o afeto e a influência das cidades-irmãs em suas produções

Publicado em: 12/03/2020 14:50

 (Fotos: Bernardo Dantas/Arquivo DP, Divulgação, Divulgação)
Fotos: Bernardo Dantas/Arquivo DP, Divulgação, Divulgação
Aproveitando o cair do sol no Sítio Histórico de Olinda, muitos artistas plásticos abrem suas janelas e experimentam cores e riscos nas salas de suas casas, repletas de quadros e telas ainda não finalizadas. Há um movimento interessante de artistas que fixaram residência há pelo menos 40 anos na Cidade Alta, aproveitando os espaços físicos para montar ateliês. Inspirações semelhantes acontecem no Recife, dos rios, pontes e rotina acelerada. Em homenagem aos 483 anos da capital e 485 da cidade-irmã, o Viver conversou com algumas personalidades que construíram carreiras e mantém relação íntima com as cidades.

Há 45 anos, o pintor Roberto Lúcio decidiu transformar o ateliê em Olinda também em residência. “Não poderia ter um espaço melhor de trabalho. É um isolamento natural de quem trabalha com arte e pode ter também a oportunidade de conviver com outras pessoas. Tem tudo o que eu quero, tudo o que me dá prazer. Tem a música que eu quero, tem uma paisagem maravilhosa...”, conta, lembrando dos vizinhos, a artista Guita Charifker e o colecionador de arte italiano Giuseppe Baccaro, que também construíram carreiras na cidade.

A estética olindense também está presente na construção musical da Banda Eddie, liderada por Fábio Trummer. Por viverem juntos em diferentes espaços da cidade, a relação com o local transformou Olinda em uma importante parcela da obra musical. “A gente se apropriou verdadeiramente do espaço e, quando viu, já era tão grande que virou uma referência estética mesmo”, pontua. Morador do Bairro Novo, o músico diz que a primeira vez que andou pelo Sítio Histórico, aos 7 anos, foi escondido dos pais. “Eu senti a força das cores e das ladeiras. Era uma rota proibida, eu não era autorizado a andar longe de casa. Lembro que não entendi muito bem, mas quis morar ali, era uma atmosfera que me fez muito bem.”

A linha de ônibus Bultrins, que segue de Olinda ao Centro do Recife, ficou na memória afetiva do cantor China, que fazia a rota todos os dias, deixando a casa em Olinda, onde morou até a juventude, para estudar na capital. “Apesar de sempre estar cheio, eu agora penso que adorava o caminho do ônibus, revelando as pontes e, pouco a pouco, mostrando o Recife e deixando Olinda”, lembra o artista, que atualmente mora em São Paulo. “Recife e Olinda são quase uma só cidade para mim. As duas se completam. E a relação entre as cidades inspira as minhas canções.”

As paisagens da capital fidelizaram, ainda na juventude, o olhar do fotógrafo Fred Jordão. “Para mim, a relação com o Recife foi de muita descoberta. Morar na cidade é, talvez, a maior decisão da minha fase madura. Em um momento que a maioria dos artistas escolhia ir para Rio, São Paulo e Brasília, eu escolhi ficar. Então, Recife acabou ficando impregnado no meu trabalho”, destaca. Em 2019, Fred lançou o livro Recife: Fotografias, que permeia 30 anos de olhar à cidade.

Para se dedicar aos estudos, o cantor Josildo Sá, natural de Floresta, no Agreste pernambucano, mudou-se para a capital aos 16 anos. “Recife me acolheu muito bem na juventude, me sinto em casa. A relação com o dia a dia da cidade, os mercados populares, a Praia de Boa Viagem, os centros históricos e a geografia dos rios são as grandes inspirações das minhas composições”, conta o artista, que se divide entre Recife e Tacaratu, onde descansa do ritmo agitado da metrópole e transforma as influências em canções que passeiam entre o xote, samba de latada, forró, coco, toada, arrasta-pé e frevo.

O produtor cultural Roger de Renor circula pelos eventos da capital com a famosa Rural, um equipamento de intervenção cultural de rua. “Eu não saberia fazer isso em outro lugar, acho que não teria gosto”, destaca. “Eu faço meu trabalho destinado para o Recife. A matéria-prima que o Recife dá é única para tudo que faço. O movimento, o cheiro, os sons... Ao mesmo tempo, é uma sensação de trabalhar em casa, misturando o tempo inteiro trabalho, família e diversão.”
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