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'É preciso enfrentar esse clima tóxico', diz Kleber Mendonça na abertura do Janela

Publicado em: 07/11/2019 12:03 | Atualizado em: 07/11/2019 14:10

 (A abertura do festival foi com sessão lotada no Cinema São Luiz. Foto: Victor Jucá/Divulgação.)
A abertura do festival foi com sessão lotada no Cinema São Luiz. Foto: Victor Jucá/Divulgação.

Logo em seu pôster, o Janela Internacional traz um posicionamento e, ao mesmo tempo, um lembrete através de um papel levado por vagalumes que diz: “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”. O tom de preocupação com o futuro das políticas públicas de incentivo a cultura é um fantasma constante para o público e realizadores, sendo o mote para o discurso de abertura do festival ontem no Cinema São Luiz, feito pelo diretor Kleber Mendonça Filho antes da sessão do longa O Farol

“Depois de doze anos de trabalho, fazendo o Janela, nós achamos que não íamos realizar a edição deste ano. Os cortes realizados por esse novo governo, para atacar e desprestigiar a cultura do nosso país, tiraram o apoio essencial da Petrobras e esses cortes de fato atingiram filmes, festival, espetáculos, projetos de preservação e memória de todo país”, denuncia o realizador. Não por acaso esse ano foi, justamente, o ano em que o festival reuniu esforços para fazer uma arrecadação coletiva, que viabilizou o evento. “É muito importante que exista uma união nossa, de toda classe artística e dos trabalhadores do audiovisual, porque é preciso enfrentar esse clima tóxico e não deixar ele envenenar a gente”, completou. 
Exibição do filme O Farol.  (Foto: Victor Jucá/Divulgação)
Exibição do filme O Farol. (Foto: Victor Jucá/Divulgação)

Logo depois foi exibido O Farol, novo filme de Robert Eggers, diretor de A Bruxa (2019). Com o São Luiz lotado e todos os ingressos vendidos, o longa trouxe toda a atmosfera densa e misteriosa, com atuações assombrosas de Robert Pattinson e Willem Dafoe. Contando a história de dois faroleiras isolados da civilização, O Farol lança olhar sobre violência e desejo. O filme apresenta tons literários em seu texto, acenos à H.P. Lovecraft e, também, a mitos gregos com o de Prometheus, estando esse tom articulado a uma poética do terror. O longa tem data de estreia prevista para 2 de janeiro no Brasil.

Outros destaques do dia foi o documentário Noite Passada Te Vi Sorrindo, de Kavich Neang, que aborda a demolição do Prédio Branco, em Phnom Penh, capital do Camboja. Focando nas relações humanas com aquele edifício, ao mesmo tempo que o filme se desenrola em um contexto específico, tem a capacidade de dialogar com  questões relativas à moradia sentidas em centros urbanos periféricos de todo mundo, a exemplo do Edf. Holiday, na Zona Sul do Recife. Na sessão especial de curtas “Farol Aceso”, destaques para o relato pessoal em Cinema Contemporâneo, de Felipe André Silva, e o olhar para a diversidade de corpos e manifestações da cultura periférica com Swinguerra, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca. Também foi destaque o longa Jogos Dirigidos de Jonathas de Andrade, que aborda as nuances da comunicação e da linguagem.
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