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TRAJETÓRIA

Banda Eva celebra 40 anos de carnaval com novo DVD

Publicado em: 03/11/2019 16:44 | Atualizado em: 03/11/2019 16:55

 (Felipe Pezzoni. Foto: @bsfotofrafia/Divulgação)
Felipe Pezzoni. Foto: @bsfotofrafia/Divulgação
Era 1980 e os amigos do grêmio estudantil do Colégio Marista, de Salvador, não queriam perder o contato após a formatura. Decidiram, então, transformar aquela reunião no sítio localizado próximo à Estrada Velha do Aeroporto em bloco carnavalesco. Era o início de uma história que completa, no carnaval de 2020, 40 anos de folia.

Nesse período, o que começou como um encontro de amigos, se concretizou em banda; criou símbolos do carnaval, como o abadá e o carro de apoio, e, principalmente, fez parte da trajetória artística de artistas importantes como Ivete Sangalo, Saulo Fernandes, Durval Lelys, Emanuelle Araújo e Daniela Mercury. Para comemorar e marcar os 40 anos de carreira, a Banda Eva lança o DVD Eva 4.0.

Sob o comando de Felipe Pezzoni, a atual formação gravou em Belo Horizonte, em maio, uma superprodução que teve a primeira parte disponibilizada nas plataformas digitais. Ao todo, são 23 músicas ao vivo, além da canção inédita Bem-vindo, amor, gravada em estúdio com a participação de Ivete Sangalo. O trabalho se divide entre clássicos e canções inéditas, como 40° de Amor, em parceria com Wesley Safadão; Brinquedo Favorito, com Léo Santana; Stand-up (No Seu Portão), com Mumuzinho; Fica de Boa, com Durval Lelys; e Maior que a Terra com Tomate.

“Compilar 40 anos em pouco mais de uma hora de show foi a parte mais difícil. Colocamos os clássicos, o que as pessoas mais pedem, as músicas que marcaram época. E os convidados, a gente queria trazer um novo olhar, mostrar que todo mundo sabe cantar uma música da Eva. Além de contar aquela mesma história de uma forma diferente. Cada convidado cantou um clássico e uma música inédita, trazendo esse novo olhar para uma música conhecida, mas criando essa fusão, essa conexão de um artista de um outro seguimento, de uma outra tribo”, explica Pezzoni.

Irreverente, brincalhão e com um visual moderno, Pezzoni assumiu o vocal do Eva em 2013, ao lado de músicos novos — os que compunham a banda seguiram com Saulo. Para o vocalista, é uma honra sem tamanho participar deste momento histórico. “Tem 40 anos que a Eva impacta de forma positiva na vida das pessoas. Poder dar continuidade a isso e poder escrever esse capítulo é mágico”, afirma. 

A gravação do DVD integra a lista de lembranças inesquecíveis do baiano, a realização de sonhos, que tem ainda o primeiro carnaval de Salvador comandando o trio da Eva e a gravação com “Veveta” (Ivete Sangalo). “Mesmo não tendo tanto tempo para produzir, ocorreu tudo de uma maneira muito fluida e natural. As participações, as músicas que surgiram, os arranjos. Foi tudo muito leve. Todo mundo que estava ali queria participar. Até a chuva parou no momento que subimos no palco e só voltou depois de seis horas de show. Um dia perfeito, que não mudaria nada”, descreve Pezzoni. 

Além do DVD e dos clipes no YouTube, a data será celebrada com várias ações. Haverá um lançamento em São Paulo e outro em Salvador ainda este ano e uma grande festa com toda a energia e a alegria da Eva durante os dias de carnaval em 2020. “Queremos tornar a experiência de quem for vivenciar os 40 anos da Eva inesquecível. O bloco será empacotado com essa temática”, adianta o músico. A segunda parte da Eva 4.0 chega às plataformas digitais em dezembro. Entre tantas composições, escolher uma favorita é difícil. “Sou suspeito. É como perguntar para um pai qual filho gosta mais. Depende muito do meu humor, do que eu quero fazer na hora. Para um vinho, a que gravamos com Ivete. Já para uma festa, a com Safadão, a com Léo Santana e a com Tomate”, sugere Pezzoni. 

Trajetória
No decorrer dessas quatro décadas de axé, folia e Carnaval, o Eva teve diversas formações e fez parte da trajetória musical de vários nomes da música brasileira. Logo no início da banda, Luiz Caldas, Durval Lelys e Ricardo Chaves puxaram o trio em Salvador. Durante anos, Daniela Mercury se apresentou como backing vocal do conjunto. Em 1993, Ivete Sangalo foi convidada para ser vocalista do bloco carnavalesco que virava, oficialmente, uma banda. 

No comando da Eva, a cantora baiana ganhou destaque e repercussão nacional, além de ter emplacado músicas de sucesso, como Me abraça, Arerê, Beleza rara e Levada louca. Foram seis anos e seis discos lançados. “A banda Eva tem uma importância máxima para mim. Foi com ela que conheci meus primeiros fãs, que aprendi que esse amor voltaria em forma de música, de comportamento. Um aprendizado maravilhoso. Aprendi a ser uma profissional da música na banda Eva. As gravações, conheci compositores, comecei a compor, conheci o Brasil inteiro, viajei o mundo. Coisas que eu não tinha feito e por meio da Eva conquistei. Sou muito grata ao tempo que estive lá”, conta Ivete. A celebração da baiana é dupla: além de celebrar os 40 anos de carnaval da banda, “Veveta” comemora 26 anos de carreira.

Ao sair, Ivete passou o vocal da Eva para Emanuelle Araújo, que ficou no comando de 1999 a 2002. “Ali, ganhei projeção nacional e tive uma experiência como cantora de trio. Foi um trabalho muito especial na minha carreira. Acho que compreendi o que desejava profissionalmente. Foi um período enriquecedor de autoconhecimento”, relembra Emanuelle. Com a Eva, a artista conta que desenvolveu a liderança, as habilidades como comunicadora, de dança e de canto da música popular. “Desenvolvi todas essas áreas que fazem parte da minha vida até hoje”, acrescenta. Para Emanuelle, é a paixão que move o grupo por todos esses anos. 

“A Eva sempre foi algo cíclico. Cada cantor pode trazer um pouco da sua verdade das suas influências. Acredito que não dá pra fazer o que a Ivete fazia nos anos 1990. Tem que atualizar, porque vivemos um outro momento. Entendemos que tem que existir uma ressignificação”, afirma Pezzoni. Ao assumir como vocalista da banda, ele trouxe sons do pop e do eletrônico para as composições e também para os shows. “Existe essa fusão, mas o axé sempre foi um ritmo de fusão rítmica. A Timbalada é diferente do Eva que é diferente do Araketu que é diferente do Durval. Cada um faz a sua mistura de acordo com as suas preferências musicais, sem esquecer de onde viemos. A percussão está ali presente, a pulsação está ali, a dança”, finaliza.
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