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Cinema

Setor audiovisual cobra Governo de Pernambuco por atraso de recursos

Publicado em: 31/10/2019 20:04

Foto: Victor Jucá/Divulgação
Mesmo que o cinema pernambucano esteja atravessando uma ótima fase, com filmes ganhando projeção nacional e internacional, realizadores denunciam problemas com o financiamento das produções locais. Depois de diversos adiamentos da publicação do Edital Audiovisual, entidades representantes do setor (Abd-Apeci, Fepec, Stic, Mape) cobram uma postura do governador Paulo Câmara diante da situação. O atraso começou por conta de atritos nas negociações do governo do Estado com a Agência Nacional de Cinema (Ancine). Na quarta-feira passada (30), grupos do setor publicaram uma carta aberta exigindo para o governador Paulo Câmara promulgar um decreto para viabilizar a integralização do desembolso dos recursos da Fundarpe no Edital do Audiovisual. A preocupação é referente a um repasse de cerca de R$ 15 milhões que o órgão federal tem destinado para Pernambuco.

O atraso na publicação do edital vem desde dezembro de 2018. Para Marco Bonachela, produtor da Associação Brasileira de Documentaristas de Pernambuco/Associação Pernambucana de Cineastas (ABD-Apeci), o Governo do Estado não têm se posicionado a favor da produção pernambucana, apesar dos atritos com a Fundarpe serem uma grande questão. "Os problemas entre Ancine e Fundarpe estão dadas desde dezembro do ano passado. Dentro do fundo setorial tem uma linha de financiamento voltada a municípios e estados, que vem do executivo.

Desde de dezembro, a Ancine pede o aporte de uma das partes, que é como se Pernambuco entrasse com um real e a Ancine complementasse com 5”, explica. O realizador defende que a classe pede apenas um processo de mudanças nos desembolsos, que pode ser executado a partir de um decreto do governador do Estado, Paulo Câmara. O decreto poderia integralizar o desembolso dos R$ 9,28 milhões programados para o Funcultura Audiovisual, atendendo à norma da Agência Nacional de Cinema (Ancine). “A gente tá exigindo que a Fundarpe desista de negociar. Que mude a lógica de desembolso. Ao invés de parcelar em 4 anos, libere em um única parcela, mudando a lógica administrativa”, finaliza.

A dificuldade na publicação no edital compromete a produção local, que tem se destacado e conseguido resultados expressivos em nível nacional e internacional. Na carta publicada, os profissionais do audiovisual cobram do governador Paulo Câmara que ele assegure o Edital do Audiovisual. O documento reúne dados para embasar o pedido, confrontando as condições orçamentárias de integralizar o repasse dos recursos do Funcultura.

Gabriel Mascaro, realizador de filmes como Boi Neon (2015) e Divino Amor (2019) critica a falta de mobilização do Governo do Estado. "O curioso é que o PSB, partido do governador, criou uma frente parlamentar em defesa do audiovisual, o que é muito legal pra criar uma luta contra hegemonia. Mas a nível estadual há uma contradição, porque não estão se esforçando para melhorar as políticas públicas de financiamento. Acho que o Estado de Pernambuco tem agora um momento único para criar uma força de combate, ao desmonte visto em um nível nacional."

Segundo os profissionais do audiovisual, os recursos de 15 milhões representa 62% dos recursos totais do Edital do Audiovisual. Com esse valor é estimamos que cerca de 11 longas-metragens, 10 produtos para televisão e 8 curtas-metragens deixariam de receber fomento, prejudicando centenas de profissionais, espectadores, economia e cultura do Estado. Até o momento da publicação, não obtivemos resposta da Fundarpe a respeito de possíveis mudanças na lógica de desembolso.
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