preservação Patrimônios Vivos de Pernambuco podem ganhar galeria virtual

Por: Juliana Aguiar - Diario de Pernambuco

Publicado em: 01/10/2019 10:12 Atualizado em:

Para se tornar real, o projeto de salvaguarda e digitalização de obras e histórias de Patrimônios Vivos de Pernambuco precisa da colaboração de todos. Na foto, o cantor Claudionor Germano e o xilogravurista J.Borges. Fotos: Teresa Maia/Divulgação
Para se tornar real, o projeto de salvaguarda e digitalização de obras e histórias de Patrimônios Vivos de Pernambuco precisa da colaboração de todos. Na foto, o cantor Claudionor Germano e o xilogravurista J.Borges. Fotos: Teresa Maia/Divulgação

De mãos em mãos e no boca a boca, a arte popular atravessa gerações, sem escritos ou registros pré-definidos. O modus operandi da cultura nasce dos ensinamentos de pais e avós para os filhos e netos, é consumido em conjunto pela sociedade livremente, em ritmos imprevisíveis e se firma como saberes populares. Para sistematizá-los em arquivos físicos, a jornalista e pesquisadora Lydia Barros idealizou o projeto Memória de Pernambuco - Patrimônios Vivos, uma plataforma em formato de galeria virtual.

A execução será da Associação de Realizadores de Teatro de Pernambuco (A rtepe), Fervo Projetos Culturais, do cinegrafista Rodrigo Barros e da fotógrafa Teresa Maia. A iniciativa de salvaguarda audiovisual da memória do estado foi contemplada no edital público de Matchfunding, que une financiamento coletivo e investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para ser consolidado, o projeto precisa da contribuição de pessoas físicas através de uma campanha virtual disponível a partir de hoje do link

A idealizadora do projeto, Lydia Costa. Foto: Teresa Maia/Divulgação
A idealizadora do projeto, Lydia Costa. Foto: Teresa Maia/Divulgação

“É uma iniciativa pioneira. Eu comecei a pensar que a cultura que a gente conhece hoje, a ciranda, o frevo, o coco de roda, as xilogravuras, podem desaparecer. Mexe com as nossas referências, é uma questão identitária. As pessoas podem lembrar, saber que existiram algum dia, mas eu temo a desvalorização com o ritmo muito veloz que a internet deu à vida”, pontua a pesquisadora e ex-editora do Diario, Lydia Barros, que acredita no projeto como importante vetor de preservação da herança cultural, ao construir um espaço físico ou plataforma de visitação que reúne as criações e saberes dos mestres e mestras de cultura do estado.

A primeira fase do projeto vai contemplar cinco patrimônios vivos: os xilogravuristas J. Borges e Mestre Dila, o coreógrafo André Madureira (fundador do Balé Popular), o cantor Claudionor Germano, e a cirandeira Maria Cristina Andrade. “É um projeto ambicioso. O audiovisual é caro, ousado. E eu entendo apenas como a largada de um projeto longo. A Lei dos Patrimônios Vivos entrou em vigor em 2005. Desse tempo até hoje, dos 63 patrimônios, 12 já se foram sem deixar registros, entre eles José Pimentel, Ana das Carrancas e Selma do Coco”, lamenta.

Mestre Dila. Foto: Teresa Maia/Divulgação
Mestre Dila. Foto: Teresa Maia/Divulgação

Na galeria virtual, os mestres da cultura de Pernambuco poderão compartilhar suas trajetórias e obras. Os depoimentos de cada artista serão registrados em documentários de 15 minutos, apresentando vida, obra e rotina no ateliê de cada um. Os cinco nomes e as linguagens que representam foram escolhidos explorando a relação com os patrimônios imateriais do estado. O conteúdo será disponibilizado gratuitamente na internet.

Para o investimento do BNDES ser consolidado, é preciso comprovar o interesse público, no caso do Memórias de Pernambuco, isso só é possível se o financiamento coletivo arrecadar um terço do valor total de R$ 161 mil, um pouco mais de R$ 50 mil. A cada R$ 1 arrecadado, o banco dá, em retorno, R$ 2. A previsão é que a Benfeitoria se encerre em seis semanas. De acordo com a pesquisadora, a iniciativa prevê uma contrapartida social.

A mestra cirandeira Maria Cristina Andrade. Foto: Teresa Maia/Divulgação
A mestra cirandeira Maria Cristina Andrade. Foto: Teresa Maia/Divulgação

O fundador do Balé Popular do Recife, Antônio Madureira. Foto: Teresa Maia/Divulgação
O fundador do Balé Popular do Recife, Antônio Madureira. Foto: Teresa Maia/Divulgação

“Quando a gente compartilha esse financiamento com a sociedade, todo mundo assume um pouco e se torna responsável por preservar a memória do estado”, afirma. A partir de R$ 20, os contribuidores poderão receber recompensas, como bottons, copos, camisetas, sombrinhas de frevo, lambe-lambe, passeio de catamarã, participação em roda de ciranda e oficina de artes plásticas. Quem doar R$ 2 mil, ganha um convite para duas pessoas em um jantar com a presença dos artistas, além de uma xilogravura exclusiva do projeto assinada por J. Borges.

O artista e cordelista J. Borges está otimista com a iniciativa. “Acho que vai ser bom para o público mais jovem conhecer o meu trabalho, porque ele guarda uma variação muito grande do Nordeste”, ressalta. O músico Claudionor Germano destaca a relevância para as gerações futuras. “As novas gerações vão tomar conhecimento do que aconteceu antes deles, entender de que forma seus antecedentes, seus pais, trabalharam em função da preservação da nossa cultura”, afirma. “A cultura popular é o nosso bem maior e é bom ver que está sendo cuidada. Nós, os trabalhadores das letras, canções, artes plásticas e todos que tiveram a oportunidade de apresentar seus trabalhos ao grande público, nos sentimos honrados”, pontua.



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