Artes plásticas Fotógrafos exploram perspectivas da negritude em exposição no Recife

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 25/10/2019 20:13 Atualizado em: 25/10/2019 20:17

Festa de Yemanjá (Foto: Jadson Dantas/Divulgação)
Festa de Yemanjá

A exposição fotográfica Afrografia nasce da vontade de mostrar diferentes perspectivas de uma renovação histórica visual do povo negro, com narração de diversas gerações de artistas negros. A mostra coletiva traz trabalhos de onze fotógrafos e fotógrafas, que contribuem com a construção de uma narrativa emancipatória, carregada de diversos brinquedos populares e religiosidades de matrizes africanas em diáspora pelo estado. A exposição tem abertura neste sábado (26), às 16h, no Museu da Abolição, bairro da Madalena, com entrada gratuita.

Entre os artistas estão: Rennan Peixe, Murilo Dayo, Kayo Ferreira, Karla Fagundes, Priscilla Melo, Jadson Dantas, Jan Ribeiro, Rodrigo Ramos, Renata Mesquita, Marlon Diego, Rodrigo Ramos e Laila Swahili.

Sem Título (Foto: Kayo Ferreira/Divulgação)
Sem Título
"O pontapé inicial partiu do questionamento desses fotógrafos e fotógrafas em relação ao universo artístico das galerias e museus, que não valoriza os negros como artistas, mas sim como os retratados", conta Rennan Peixe, professor de artes e artista visual. "Então tudo parte de pensar na ocupação de espaço, no estar ali mas, também o não querer estar. Porque já é determinado que a gente esteja ali, mas sem lugar de fala. A partir da união desses fotógrafos com estéticas diferentes, montamos um trabalho que aborda temas como cultura popular e religiões afro".

Sem Sítulo. (Foto: Priscilla Melo/Divulgação)
Sem Sítulo.
Para a fotógrafa Karla Fagundes, apesar da exposição ter um tema comum, cada artista apresentará seu olhar próprio. "Cada artista possui uma vivência e experiência única. Estas características são espelhadas nos olhares de cada fotógrafo e isto faz deste encontro rico de perspectivas e sentidos. Cada um preserva as memórias ancestrais dimensionadas em seus relatos imagéticos. Este coletivo também demonstra a importância do local de fala, em contraposição a tantos outros olhares produzidos por não pertencentes que forma descuidado multiplicaram estereótipos sobre os corpos e fazeres negros”, conta.

Dessa forma, a ideia da exposição é a criação de uma iconografia na qual realizadores negros estão contando suas próprias narrativas, mas ao mesmo tempo, ocupando espaços de legitimação artísticas elitizados como os museus.

Durante a abertura neste sábado, serão realizadas atividades diversas como apresentações culturais, rodas de diálogo, debates e toda uma programação que visa discutir questões como lugar de fala, no movimento de manter viva as tradições afrodescendentes e criar um repertório de memórias afirmativas que valorizem a  identidade negra. A exposição terá duração de um mês no Museu da Abolição.

SERVIÇO
Exposição fotográfica Afrografia
Quando: neste sábado (26), às 16h
Onde: Museu da Abolição (Rua Benfica, 1150, Madalena)
Quanto: Gratuito


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