Pernambuco.com
Pernambuco.com
Notícia de Divirta-se

MÚSICA

Duo britânico de música experimental faz oficina e apresentação em Pernambuco

Publicado em: 23/10/2019 08:32 | Atualizado em: 23/10/2019 09:10

A italiana Valentina Magaletti e o britânico Tom Rellen destacam que o Brasil %u201Ctem música em todo lugar%u201D. Foto: Benke Ferraz/Divulgação
Como parte da programação produzida pelo Festival No Ar Coquetel Molotov, a mostra Play The Movie chega ao Recife com três cine-concertos: um com as bandas pernambucanas Guma e Buffalo Lecter e outro com o duo Tomaga. Depois de uma residência artística de uma semana em Belo Jardim, o projeto experimental formado pela italiana Valentina Magaletti na percussão e o britânico Tom Relleen no baixo/synths, vem ao Recife para workshops realizados de terça-feira (22) até quinta-feira (24), das 14h às 18h. A dupla encerra suas atividades no Brasil com um show na sexta-feira (25) às 21h, no Teatro Fernando Santa Cruz, no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda.
 
Com uma abordagem não convencional dos instrumentos, a dupla utiliza nove microfones de contato (um tipo de estetoscópio) e sintetizadores diversos, captando e criando sons com texturas experimentais. Em entrevista ao Viver, os músicos contam que o projeto surgiu da vontade de quebrar barreiras em relação ao que estavam fazendo antes. “O grupo surgiu em 2014 e nós nos conhecíamos anteriormente, em outros projetos em Londres. O duo surgiu quando a gente ficou meio entediado em tocar com nossas respectivas bandas e decidimos montar um projeto muito experimental e em aberto”, conta Tom. Uma das primeiras mudanças em relação aos projetos anteriores foi a ausência da guitarra, já que o instrumento ocupava muito “espaço sônico” na criação. A partir disso, a experimentação sem a guitarra foi central para que outras coisas ficassem evidentes.
 
Ambos começaram a carreira como músicos muito cedo, Valentina uma banda de indie pop e Tom como DJ. Hoje, os músicos pautam o som na inventividade, pensando em criações a partir de objetos que muitas vezes não projetam sons acusticamente, como cadeiras, lixeiras e superfícies metálicas. Além de um certo minimalismo primal na composição, inspirado na geração alemã de Krautrock, o duo tem como ponto nevrálgico da produção a afinidade com o ruído, que evoca uma violência visceral. “Uma das inspirações é o Faust, por criar um som que é montado como se fosse uma colagem. Outra seria o Can, por uma forma de tocar quase que ‘jazzística’”, explica o músico britânico. Essas duas inspirações ditam fortemente a sonoridade e o processo criativo da banda. Primeiramente, são montados os sons, muitas vezes distorcidos e ruidosos, tornando os instrumentos indistinguíveis, para em seguida a percussão ser edificada no improviso, tanto ao vivo quanto no estúdio. “É como cozinhar”, brinca o britânico. “O som pode ser muito ambiente, pode ser polirrítmico, muito ocupado ou abstrato, tudo depende do que o som nos diz, de qual seria a melhor forma de passar ele”, ela completa.
 
A atividade que está sendo desenvolvida para os inscritos até a quinta-feira consiste numa vivência com interessados em música, dança e audiovisual. Serão exploradas as performances realizadas pelo grupo em um espetáculo multimídia, onde o público local, que não precisa necessariamente ser de profissionais da música, poderá participar de uma imersão em novas sonoridades e formas de produzir junto, com a colaboração de Benke Ferraz, da banda Boogarins. O show na sexta-feira misturará elementos estéticos visuais com projeções e sonoridades obtidas por meio dos microfones de contato utilizados pelo grupo.
 
Pensando nas sonoridades pernambucanas, os músicos contam que a residência foi uma fonte de inspiração, não necessariamente por um contato direto com um artista específico, mas devido a um espectro musical amplo e cultural do brasileiro nas ruas, através dos sons dos carros e de uma musicalidade típica do dia a dia brasileiro. “Aqui você tem música em basicamente todo lugar. Isso é muito ‘empoderante’, porque você não precisa nem buscar. Nós gostaríamos muito de incorporar isso. Poderíamos gravar alguma coisa inspirada no Brasil e, sei lá, chamar de batucada industrial”, brinca Valentina.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Primeira Pessoa com Sam Nóbrega
O esforço de Guilherme e a rede de solidariedade que surgiu
Sobre Vidas: Natanael Ramos e Gil Sormany
Salão de Tóquio: Mitsubishi 2020
Grupo Diario de Pernambuco