Música Boogarins adentra novos sons e apresenta disco inédito no Recife. Confira a entrevista

Por: André Santa Rosa - Diario de Pernambuco

Publicado em: 04/10/2019 09:46 Atualizado em: 04/10/2019 12:10

Pedro Margherito/Divulgação
Pedro Margherito/Divulgação

Em 2013, os dois amigos de infância Benke Ferraz e Dinho Almeida decidem lançar o primeiro disco de sua banda, gravado de forma lo-fi em casa, na cidade de Goiânia (GO). Seis anos depois de muito trabalho e estrada, com diversos shows internacionais e quatro discos na bagagem, o Boogarins se estabelecia como uma das bandas de maior projeção da cena independente nacional. Em 2019, o grupo lançou seu quarto disco, Sombrou Dúvida, que será apresentado neste sábado (5), pela primeira vez, no Recife. O show será realizado às 21h no Bailito, R. Carlos Gomes, 390. O evento conta também com as apresentações de Aventura (PE) e Luísa e os Alquimistas (RN).

Em entrevista ao Viver, o guitarrista Benke conta que disco foi criado em um contexto de turnê pela estrada e, na intenção de chegar até novos sons, sempre pautados na sonoridade experimental, centrada nas guitarras e synths. “Em um momento paramos em uma casa/estúdio em Austin, no Texas (EUA). Ele já vem no processo da gente querendo encontrar sons maiores. Nesse caso, a gente brinca com essa questão do Sombrou Dúvida, que fala um pouco da coisa da sombra como zona de conforto e a dúvida como desconforto, que te faz buscar o novo”, conta.
 
O show do disco é inédito no Nordeste e promete mesclar as novas músicas com outras conhecidas pelo público. Mesmo dominando o palco em seus shows, o que mostra certa maturidade da banda, o músico ressalta que não seguem fórmulas para construir as turnês. O processo de criação passa por se apresentar muito e gradualmente as faixas do disco vão ganhando força e intensidade ao serem executadas ao vivo. Certamente a experiência com apresentações no exterior é um dos fatores diferenciais para a banda, que ficou muito conhecida por conseguir um bom público e presença nos Estados Unidos e Europa, em festivais como Coachella e Primavera Sounds.“De certa maneira, a relação da banda com a ‘gringa’ surgiu antes de qualquer coisa no Brasil. Antes de lançar o primeiro disco, mandamos muita coisa para selos independentes e lojas no exterior. Fizemos uma turnê internacional muito antes de ir para varias capitais no Brasil. Recife, São Paulo e Goiás foram umas das poucas que fomos antes de ir para fora. Foram coisas não muito pensadas, despretensiosas, mas que acabaram somando”, explica o músico, sempre deixando claro uma certa organicidade no processo de criação e nos caminhos que a banda segue.

Desde que surgiram no cenário nacional, a sonoridade do grupo sempre foi muito comparada à psicodelia dos anos 1960 e 1970, mas também a bandas contemporâneas como Temples e Tame Impala. Apesar de algumas semelhanças compartilhadas, a banda não se identifica com a caixinha da neo psicodelia, deixando de lado as comparações. “Eu acho que toda essa galera está querendo fazer algo que soe diferente, apesar de ser canção e pop. Querendo fazer um som que te distingue. Claro que o Tame Impala quando apareceu impressionou muito, principalmente, por conta do tipo de gravação e produção. Na faixa Erre, lá no nosso primeiro disco, essa influência aparece bastante. Mas os caminhos não são os mesmos. A gente busca ser experimental, em estruturas e arranjos não limitados”, explica.

A partir do penúltimo álbum, Lá vem a morte (2017), a banda também ganhou maior notoriedade por procurar dialogar mais com noções das artes visuais e cinema. “Isso é uma coisa que demorou pra gente. Os nossos primeiros videoclipes são muitos simples, só a banda tocando ou algo assim. Dinho começou a cuidar bem da parte gráfica das capas, junto com a Beatriz Perini. Criamos um linguagem visual que é muito a cara da banda, junto com a proposta de diálogo com o artista visual Gabriel Rolim”. A parceria já rendeu mais de três videoclipes, todos pautados em uma consonância entre as texturas e o glitchy do som, expandindo a estética da banda para um repertório visual, que também está presente nas projeções dos show. 

Já pensando nas letras introspectivas, Benke conta que a banda canaliza seu potencial político em uma espécie de autocrítica. “É mais sobre uma autocrítica do que engajar as pessoas envolta de uma reação. Muitas músicas são muitos abstratas e pessoais, muitos desabafos. Todas elas falam um pouco sobre se importar com o que é importante, crescimento próprio e ter um momento seu. Boogarins sempre foi sobre entrar dentro de si. Claro que faz parte de um momento que inclui a política do Brasil, mas a gente não quer dar esse valor todo pra uma política pobre. A gente prefere fazer algo de valor e bonito para cada pessoa, ter um momento de introspecção, pessoal.”

SERVIÇO
Boogarins (GO), Luísa e os alquimistas (RN) e Aventura (PE)
Quando: Sábado (5), às 21h
Onde: Bailito, bairro do Prado, Recife - PE, 50720-110
Quanto: R$ 35 Meia / R$ 40 Social / R$ 70 Inteira


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