Música Baile do Dennis no Recife mostrou como o 'passinho' vem quebrando barreiras

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 27/10/2019 15:02 Atualizado em:

Foto: José Britto (acima) e Pedro Pereira (abaixo).
Foto: José Britto (acima) e Pedro Pereira (abaixo).
Com uma pirotecnia megalomaníaca, a nova edição do Baile do Dennis foi realizada no Recife neste sábado (26), das 23h até o amanhecer. O projeto do produtor musical e DJ de funk carioca apostou em músicas autorais, remixes e trechos de sucessos de vários artistas do gênero, sempre com muitos efeitos visuais, fogos e até lança chamas. De acordo com organizadores da Agência Carvalheira, mais de 4 mil pessoas compareceram à Fábrica Memories, na Zona Oeste, para assistir o espetáculo, que também contou com participação do paulistano MC Kekel e a dupla pernambucana Shevchenko e Elloco, grandes percursores do passinho dos malokas.
 
O evento, aliás, serviu para mostrar como o passinho, movimento cultural e artístico que nasceu na periferia da capital pernambucana, vem ganhando grandes proporções. Foi a primeira vez que Shevchenko e Elloco se apresentaram em um evento com produção da Carvalheira, selo tradicionalmente ligado à classe média. Além disso, o próprio Dennis tocou vários brega-funks influenciados pelo passinho, como Surtada, de Dadá Boladão (a música mais ouvida do Brasil no Spotify atualmente), Botadão, do MC Abalo, e Hit Contagiante, de Felipe Original em parceria com Kevin O Chris.

Baile é marcado pela pirotécnica. Foto: Gabriel Siqueira/Divulgação
Baile é marcado pela pirotécnica. Foto: Gabriel Siqueira/Divulgação
O anfitrião apresentou chegou a apresentar o seu próprio brega-funk: Passinho do Rá, em parceria com o grupo carioca Tchakabum, surpreendendo quem não conhecia a faixa. Também convidou várias pessoas do público para dançar no palco - a melhor dançarina ganhou um par de ingressos para o show do artista no Carvalheira na Ladeira, realizado em Olinda durante o carnaval.

MC Kekel, por sua vez, fez a apresentação mais morna da noite. O paulistano da KondZilla Records cantou vários sucessos de sua carreira, como Amor de verdade (que tem surpreendentes 600 milhões de visualizações), Solteiro até morrer, Partiu e Namorar pra quê?, mas sua performance não animou tanto o público. Além dos efeitos especiais, algo interessante no formato do evento é que quando um artista sobe no palco, não significa que a hora de Dennis acabou. Depois de Kekel, o produtor voltou para preparar a multidão para a atração mais conhecida pelos recifenses: Shevchenko e Elloco.

Dennis DJ filmando show de Shevchenko e Elloco. Foto: Pedro Pereira
Dennis DJ filmando show de Shevchenko e Elloco. Foto: Pedro Pereira
A dupla natural do Arruda, periferia da Zona Norte do Recife, fez uma ótima apresentação - apesar do tempo mais curto do que o usual. Cantaram sucessos como Ninguém fica parado, Dally, Toma na pepeka e Gera bactérica. "Muito obrigado pela oportunidade de tocar nesse evento", disse Elloco. Dennis ficou em cima do palco durante a apresentação, gravando vários vídeos com o celular. No final, ressaltou a importância de incluir nomes locais na line up do Baile.

Como de costume, a dupla estava acompanhada por quatro dançarinos do coletivo A Tropa. Os "malokas" vestiam regatas que simulavam fardas do Governo do Estado, com a frase "Passinho Não É Crime". A iniciativa foi uma resposta ao Projeto de Lei da deputada Clarissa Tércio (PSC), da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), que busca proibir o passinho nas escolas públicas pernambucanas.

Além do serviço de open bar, o local contou com praça de alimentação. Também foram arrecadadas doações para a ONG Salve Maracaipe, que serão destinadas a limpeza do óleo em praias do litoral pernambucano. A ação foi promovida pela Chivas, que prometeu dobrar cada valor arrecadado.


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