literatura Livro infantil 'Severina' explora cores do sertão e literatura de cordel

Por: Juliana Aguiar - Diario de Pernambuco

Publicado em: 16/09/2019 19:07 Atualizado em:

Arte: Silvino/Divulgação
Arte: Silvino/Divulgação
Com vestido azul, chapéu de cangaceiro cor--de-rosa e uma muda de planta nas mãos, Severina atravessa a aridez do Sertão sozinha, depois de se perder dos pais que estão fugindo da seca. No caminho, a menina se enriquece de virtudes, como esperança, coragem, paciência, perseverança e fé. A história infantil intitulada Severina, a menina rica do Sertão, foi idealizada pelo ilustrador, escritor e quadrinista Laerte Silvino, que integra a equipe de Arte do Diario de Pernambuco, e editada pela Edebê.

A publicação foi lançada no dia 30 de agosto na Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro. Em Pernambuco, o lançamento será no dia 9 de outubro, dentro da programação da bienal no Centro de Convenções, em Olinda.Diferente das produções anteriores de Silvino, a história de Severina surgiu a partir do desenho que ilustra a capa do livro. “Geralmente meus livros nascem com o texto antes de partir para as ilustrações, mas com Severina foi diferente, tudo aconteceu através do desenho”, conta o autor e ilustrador da obra.

Arte: Silvino/Divulgação
Arte: Silvino/Divulgação
Para ele, ilustrar os versos foi a parte mais fácil, porque já tinha todo o projeto gráfico na cabeça. “Queria explorar a mistura de pintura, colagem e xilogravura que eu sonhava para as páginas. Queria muita cor, pois o Sertão que conheci é, sim, colorido. Apesar de seco, árido e sem chuvas, tem um povo colorido e alegre”, explica.

Estreante na literatura de cordel, Silvino conta que passou dias pensando nos versos, intercalando entre atividades do dia a dia, até surgir as rimas que precisava. “Passei um ano escrevendo e reescrevendo os versos do cordel, escolhendo cada rima. E foi muito divertido criar o cordel em sextilhas heptassílabas (seis versos em cada estrofe com sete sílabas cada linha), que é a métrica mais comum na literatura de cordel”, diz.

O livro nasceu em meio a um processo de identidade artística que o autor estava passando. “Foi a partir do livro que aceitei a ideia de que o que eu faço é realmente arte. Antes eu me via como alguém que apenas produzia imagens, não me considerava um artista. É um produto que tem uma cara 100% minha e das minhas inf luências tanto quanto leitor, quanto ilustrador”, pontua Silvino, que carrega uma experiência de quadrinhos, adaptações de clássicos, poesia e livros-imagens.

Foto: Leandro de Santana/Divulgação
Foto: Leandro de Santana/Divulgação

“O livro foi um divisor de águas no meu trabalho e do meu modo de produzir”, reflete. Para o artista, o trabalho autoral busca inspirar as crianças a partir de suas relações e sentimentos. “Meus livros surgem da necessidade de contar histórias que guardo comigo, das minhas lembranças e experiências pessoais. Espero que Severina inspire crianças, em especial, as que vivem no Sertão”. A obra é dedicado aos seus dois filhos, Luiza, 9 anos e Vicente, 4.  

No fim do livro, há uma explicação para as crianças sobre literatura de cordel, além de um glossário com o significado de algumas palavras do vocabulário sertanejo, como assum preto, quartinha, tapera, umbuzeiro e pau de arara.“Tenho muito prazer ilustrando para jornais, revistas e outras mídias, mas a literatura infantil é algo especial. O retorno que recebo das crianças e dos professores que utilizam o livro em sala de aula me emociona de uma forma inexplicável”, diz Silvino, que trabalha com literatura há mais de dez anos e já ilustrou mais de 30 livros.

De acordo com o autor, a recepção do livro tem ultrapassado a barreira do infantil. “Alguns adultos que o leram se sentiram muito emocionados e disseram que também aprenderam muito com a história da menina. Fico feliz”, revela.


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