Teatro Coletivo de peça cancelada na Caixa solicita explicações jurídicas

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 09/09/2019 19:25 Atualizado em: 09/09/2019 19:26

Foto: Rafael Telles/Divulgação
Foto: Rafael Telles/Divulgação

O grupo teatral Clowns de Shakespeare, de Natal (RN), solicitou à Caixa Econômica Federal um parecer jurídico que explique a decisão relâmpago de cancelar a temporada do espetáculo Abrazo na Caixa Cultural Recife. Em nota divulgada nesta segunda-feira (9), o coletivo pede mais "detalhamento" para que possa analisar e posicionar apropriadamente sobre o episódio.

O equipamento cultural, controlado pelo banco federal, havia divulgado uma temporada com oito apresentações de Abrazo. Na programação, a noite de estreia no último sábado (7) contaria com duas apresentações. Logo após a primeira sessão, no entanto, o grupo foi informado que as demais apresentações haviam sido canceladas.
A Caixa Cultural Recife resumiu o episódio em nota, reafirmando a questão do descumprimento contratual: "O contrato com o Clowns de Shakespeare foi rescindido, conforme comunicado ao Grupo nesta data. Os valores estão sendo restituídos diretamente na bilheteria, desde sábado (7), mediante apresentação do ingresso". No Instagram da instituição, usuários ainda questionam o motivo do cancelamento.

"Nesta segunda-feira (8) recebemos um comunicado oficial da Caixa Econômica Federal informando a recisão do contrato relativo ao restante desta temporada, que se estenderia até o próximo domingo, 15 de setembro, sob a genérica alegação de descumprimento contratual. Nenhum esclarecimento adicional nos foi dado, o que nos moveu a solicitar da Caixa o parecer jurídico e a decisão administrativa relativos a essa rescisão, com detalhamento para que possamos analisar e nos posicionar apropriadamente sobre o caso", diz a nota.

"Até o momento estamos perplexos diante dessa atitude, uma vez que não reconhecemos qualquer indício de infração que pudesse ter sido eventualmente cometida, pois cumprimos com tudo que estava contratualmente previsto", continua o texto.  O contrato de patrocínio para a temporada de Abrazo foi oficializado através do edital Programa de Ocupação dos espaços de CAIXA Cultural, publicado pela instituição em julho deste ano, dentro das normas legais de seleção de projetos. Na lista de projetos selecionados, Abrazo aparece captando o valor de R$ 110 mil.

"Esperamos que essa justificativa, genérica e lacônica, seja esclarecida pela Caixa, de forma a possibilitar ao grupo defender-se de tal alegação. Agradecemos o apoio maciço que estamos recebendo de diversos setores da sociedade, e voltaremos a nos pronunciar tão logo a nossa solicitação de esclarecimentos seja atendida pela Caixa", finaliza a nota.

SOBRE A PEÇA
Livremente inspirado em O Livro dos Abraços, do uruguaio Eduardo Galeano, com roteiro dramatúrgico de César Ferrario e direção de Marco França, a obra convida os espectadores à jornada de um menino que vive em um país onde não é permitido que as pessoas se abraçarem ou demonstrarem qualquer afeto uns com os outros. 

Abrazo faz parte da Trilogia Latino Americana dos Clowns, que conta ainda com os espetáculos Nuestra Senhora de las Nuvens Dois Amores y um Bicho. A produção é a única na trilogia destinada ao público infantil e foi a segunda a ser criada. No espetáculo, o diretor Marco França montou a narrativa sem fala escrita e que traz para o universo da criança temas como guerras e proibições.

Na peça, o protagonista vive em um estado em que um General determina que "não pode atender o celular, não pode ingerir bebidas e alimentos, não pode levantar...". A lista de exceções se estende até os dois itens finais e mais importantes: "Não pode falar! Não pode abraçar!".


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