música Após hiato de seis anos, Boca Livre retorna aos palcos com shows no Recife

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 19/09/2019 17:11 Atualizado em:

Foto: Leo Aversa/Divulgação
Foto: Leo Aversa/Divulgação

Boca Livre. A expressão falada ao acaso pelo vocalista e baixista Maurício Maestro, durante os primeiros exercícios de improvisação de voz, intitulou a banda formada em 1978, marcada após surgir na cena da MPB com um LP independente. Ao lado de Maurício, o grupo formado por Zé Renato (violão e voz), David Tygel (viola de 10 cordas e voz) e Lourenço Baeta (violão, flauta e voz) aposta em arranjos instrumentais e vocais que fogem da métrica convencional, com acordes dissonantes e revezamentos nos solos.

Depois de seis anos sem novas produções, o grupo retorna ao Recife para apresentar o novo disco, Viola de bem querer, com shows nesta quinta e sexta, às 21h, no Teatro de Santa Isabel, no Centro do Recife. Os ingressos custam R$ 100 e R$ 50 (meia). 


"A comemoração dos 40 anos do Boca Livre, celebrados no ano passado, nos motivaram a voltar a produzir um disco. Na verdade, nunca paramos, porque nunca tivemos a obrigação de produzir novos trabalhos. A gente grava quando sente necessidade, quando tem um significado”, conta Zé Renato, em entrevista ao Viver. Para ele, conhecer a canção que intitula o disco, composta por Breno Ruiz e Paulo César Pinheiro, foi o que o grupo precisava para dar o pontapé.

"A música tem muito a ver com a gente, representa a sonoridade do grupo. Foi a partir dela que construímos o conceito do álbum”, explica. O Viola de bem querer, lançado em maio, é o 13º disco do grupo e traz um repertório de nove canções, sendo quatro de projetos individuais de cada integrante, como Noite, de Zé Renato e Joyce; O paciente, composta por David Tygel para a trilha do filme homônimo, dirigido por Sérgio Rezende; Santa Marina, do repertório solo de Lourenço Baeta; e Eternidade, de um trabalho de Maurício Maestro com Naná Vasconcellos.

"As escolhas das músicas foram feitas em grupo ao longo desses seis anos. Aos poucos, fomos incluindo em shows, testando no público e formando o repertório. O prazer de cantar juntos é o que nos move", conta. O disco também reúne releituras de Amor de índio, de Beto Guedes, e Um paraíso sem lugar, de Geraldo Azevedo, além dos sucessos Um violeiro toca, de Almir Sater, e Vida da minha vida, de Moacyr Luz.

No palco, serão apresentadas ainda as músicas já conhecidas pelo público do Boca Livre, como Toada, Quem tem a viola e Ponteio. A última, de autoria de Edu Lobo e José Carlos Capinan, foi a escolhida para abrir o show.

"Edu foi muito importante para a nossa trajetória, porque a canção foi apresentada em 1967 por ele, Marília Medalha e o grupo Momentoquatro, que contava com Maurício e David na formação. A canção acabou saindo vencedora do 3º Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, e ganhou muito destaque", conta.

Sem atrair as grandes gravadoras no início da carreira, o grupo estreou nos palcos no fim da década de 1970, com o disco Boca Livre, que ultrapassou a vendagem de cem mil cópias, um marco inédito na música independente da época. Com influências da bossa nova e música f lamenca, chegou a ser comparado à banda francesa Gipsy Kings. Ao longo da carreira, o Boca foi vencedor do Prêmio Tim de Música, Prêmio da Música Brasileira e o Prêmio Sharp por duas vezes.  



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