música Retorno do trompetista Chet Baker aos ensaios é lembrado em peça no Recife

Por: Juliana Aguiar - Diario de Pernambuco

Publicado em: 30/08/2019 17:24 Atualizado em:

Foto: Victor Iemini/Divulgação
Foto: Victor Iemini/Divulgação
Dentro de um estúdio musical, o lendário trompetista norte-americano 
Chet Baker se move devagar, deixando transparecer insegurança e distanciamento em sua primeira gravação após ter sido violentamente espancado, no fim da década de 1960, em São Francisco, Califórnia. O cenário conflitante e solitário vivido ao retornar aos ensaios conduz a narrativa do espetáculo Chet Baker, apenas um sopro, protagonizado pelo músico e ator Paulo Miklos. A apresentação acontece neste domingo, no Teatro Luís Mendonça (Parque Dona Lindu, na Avenida Boa Viagem), em duas sessões - às 18h e às 20h.

Com lábios rachados, alguns dentes superiores perdidos e emocionalmente abalado, Baker se isola para se recuperar da agressão que sofreu em retaliação a débitos contraídos com traficantes. Quase dois anos afastado da carreira, o astro volta a se reunir com os quatro companheiros de estúdio ainda descrentes da capacidade dele de superar a situação. Um contrabaixista, um baterista, um pianista e uma cantora, interpretados na peça por Jonathas Joba, Piero Damiani, Ladislau Kardos e Anna Toledo. Com muita música e drama, o espetáculo tem direção de José Roberto Jardim e dramaturgia de Sérgio Roveri.

O cenário é assinado pelo Grupo Academia de Palhaços, os figurinos são do estilista João Pimenta, a iluminação é de Aline Santini e a direção musical é de Piero Damiani. A carreira de Baker foi construída em ritmo acelerado. Aos 13 anos, ganhou um trompete de seu pai, e oito anos depois foi convidado para tocar com o mestre Charlie Parker. No ano seguinte, tornou-se o melhor trompetista de jazz em atividade, realizando parcerias com Stan Getz e Gerry Mulligan.

O artista foi responsável por mais de 150 discos e foi eternizado com a música My funny valentine. Por mais de 30 anos, o vício deixou Baker preso às drogas. Morreu aos 58 anos, ao cair do segundo andar de um hotel em Amsterdã. Até hoje, há controvérsias sobre as circunstâncias de sua morte: acidente ou suicídio? 

"Baker tem um impacto muito grande sobre a bossa nova no Brasil. Ele influenciou o mundo todo de uma maneira muito própria, e foi responsável pela formação de muita gente. Pra mim, é muito importante discutir a música na figura de um artista com o qual me identifico muito. É, sem dúvidas, um grande presente que eu recebi", conta Paulo Miklos, que estreou a peça em 2016, em uma temporada no Sudeste do país. 

"Depois do convite, me aprofundei nos estudos. O documentário Let’s get lost, que mostra o Baker na intimidade, foi de grande valia", completa, em entrevista ao Viver. Para buscar uma similaridade com o personagem, Miklos usa gel no cabelo e deixa a barba por fazer. As músicas são reproduzidas ao vivo, mantendo os arranjos originais. 

"O estúdio de música funciona de forma real, com seus instrumentos e aparelhos sendo usados e acionados pelos próprios atores, sem a utilização de trilha gravada. Tudo é ao vivo. Para isso, precisei trazer em cena apenas atores que tivessem ligação direta com o universo da música”, explica o diretor José Roberto Jardim. A peça não é construída no formato de musical, mas sim como um drama. 

"Estou buscando mais do que um espetáculo, uma experimentação músico- narrativa. E por isso a relação com os músicos me chama a atenção. Conheço bem essa situação de trabalhar em equipe, o coleguismo, a parceria, a cobrança e a disputa, esse misto de emoções está todo presente em cena", reflete Miklos que deixou a banda Titãs em 2016, após 34 anos dedicados ao grupo. "Titãs foi a minha grande escola, mas agora eu sigo a minha vida, e ele a deles."

CARREIRA
Atualmente, Paulo Miklos se divide entre a música, o cinema, o teatro e novelas. No ar com O sétimo guardião (TV Globo) até maio, o artista colhe os frutos de sua atuação no longa O homem cordial, com o qual conquistou o prêmio de Melhor Ator no 47º Festival de Cinema de Gramado na última semana. "O prêmio vem coroar um ciclo de 20 anos atuando. E agora eu sigo assim, do jeito movimentado que eu gosto."


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