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Livro resgata história do Clube das Pás, a agremiação carnavalesca mais antiga do Brasil

Publicado em: 01/08/2019 10:30 | Atualizado em: 01/08/2019 10:36

Capa do livro. Foto: Divulgação
O Clube das Pás, agremiação carnavalesca mais antiga do Brasil, ainda é foco de movimentação e boêmia na Zona Norte do Recife, mais especificamente no número 263 da Rua Odorico Mendes, bairro de Campo Grande. Todas as semanas a sede recebe eventos, sobretudo de brega e frevo. Em 2016, o ambiente apareceu em festivais de cinema internacionais com as cenas do longa -metragem Aquarius, de Kleber Mendonça Filho. Embora atualizado, funcionando dentro dos moldes de algumas casas noturnas da capital, a instituição carrega uma história longa e desconhecida por muitos, relacionada à abolição da escravatura e que integra a tradição secular do carnaval pernambucano. 

Clube Misto Carnavalesco Pás Douradas 1888 - 2018 (183 páginas), livro do pernambucano Álvaro Maciel, faz um registro da trajetória da instituição, que completou 131 anos em março de 2019. O lançamento oficial será nesta quinta-feira (1º), a partir das 18h, com sessão de autógrafos. Os convidados que prestigiarem o evento serão recepcionados com a Escolinha de Frevo do clube e a tradicional Orquestra das Pás. A obra é fruto de pesquisas do professor de história com especialização em Patrimônio Material e Imaterial, realizadas durante sua graduação e pós-graduação sobre censura nas festas públicas. Além de estudioso, ele é frequentador e membro benemérito do Clube das Pás, associado há 20 anos.

“Juntei minha experiência de pesquisa com a vivência pessoal. Iniciei o livro em 2018, em comemoração aos 130 anos do clube”, explica, em entrevista ao Viver. A publicação é da editora pernambucana Bagaço. A pesquisa foi realizada no Arquivo P úblico João Emereciano e no próprio Clube das Pás, reu n i ndo jornais, documentos, petições e alvarás, além de entrevistas orais. Em 1975, a enchente que acometeu o Recife destruiu boa parte da documentação do acervo do Clube, dificultando o trabalho.

HISTÓRICO
Foto: Ricardo Fernandes/Divulgação

Para entender o surgimento da agremiação, é necessário voltar ao ano de 1888, no primeiro dia do carnaval. Uma embarcação inglesa chegou ao Porto do Recife necessitando de abastecimento de carvão. Com muito esforço, tripula ntes conseguiram reunir um grupo de car voeiros, trabalhadores livres e da base da pirâmide social pernambucana, que realizaram o trabalho com êxito. Animados com o clima de folia e salário recebido, fundaram o Clube das Pás do Carvão, que mais tarde se chamaria Clube Misto Carnavalesco Pás Douradas. É dessa origem que vem o uso da palavra “pás” - muitas vezes confundido com “paz” - e o símbolo do estandarte, composto por duas pás sobrepostas.

Além de mostrar como ocorreu a criação, Álvaro descreve períodos históricos em que a instituição atravessou, sempre fazendo paralelo com o contexto político e social - desde a abolição da escravatura, passando pela primeira república e até a ditadura militar, quando o clube viveu seu apogeu, tendo sido campeão do carnaval pernambucano 11 vezes, entre 1960 a 1973. Também faz um breve balanço da atualidade, com mudanças significativas pela gestão do atual diretor-presidente da instituição, Rinaldo Alves Lima.

Também traz um calendário oficial de festas do clube e descreve sua estrutura física. Atualmente, a instituição também conta com um Clube de Campo na Avenida Costa Azul, em Pau Amarelo. Durante a década de 2000, após o falecimento do presidente Josabat Emiliano Silva, que ocupou o cargo por 44 anos, o clube passou por uma fase de declínio. A partir de 2015, começou a ter uma renovação estrutural e na estratégia da programação.

"Hoje, o Clube das Pás é muito direcionado a ajudar as comunidades do Campo Grande a adjacências. Várias associações solicitam bailes beneficentes, como o Hospital do Câncer, Clube da Melhor Idade, além de ligações com a Prefeitura do Recife e o Governo do Estado", comenta o autor.
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