música Com seis anos de hiato no lançamento de álbum, o retorno de Marcelo Jeneci

Por: Geovana Melo - Correio Braziliense

Publicado em: 06/08/2019 07:40 Atualizado em:

Reprodução/Facebook
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Um homem sentando na areia em volta de algumas pedras e com uma cumbuca na cabeça foi a imagem escolhida para ilustrar a capa do novo álbum de Marcelo Jeneci, Guaia. A escolha é um forte símbolo das origens do compositor e combina perfeitamente com o tom do novo trabalho, perpassado de lirismo. Com Mana Bernardes assinando a capa do CD, produção por Pedro Bernardes, além de Jeneci e Lux Ferreira como os coprodutores, o disco marca a volta do cantor, após seis anos sem lançar álbuns.

Com De Graça (2013), último lançamento antes de Guaia, o músico foi indicado ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira e emplacou sucessos com os hits Nada a ver, Julieta, O melhor da vida e Um de nós. Agora, com Guaia, ele volta com o assunto do qual fala com mais propriedade: a própria vida. Transmite, pela música, as vivências divididas entre São Paulo e Pernambuco, além da necessidade de prestar atenção ao redor e à Terra. “Trago na alquimia desse álbum a rua onde cresci, o agreste de Pernambuco e a grande metrópole, que se fundiram em mim”, conta Marcelo Jeneci.

Em Guaia, o artista segue explorando a multiplicidade de instrumentos e reverbera o lado músico do cantor e compositor. Em meio ao piano, à sanfona, e ao violão, ele explora os instrumentos para enfatizar as emoções do outro lado da linha, o ouvinte. “Eu sinto que a busca pela canção que, para muitos, se resume a melodia e letra, para mim, ela vai tridimensionalmente para todos os elementos que compõem o fonograma. Essa multiplicidade sonora é bem escolhida para ampliar alguns elementos que a letra já traz”, pontua o cantor e compositor.

Experiência

As participações ficaram restritas a uma única voz, a de Maya. Com apenas 19 anos, a cantora é dona de uma voz doce e extremamente bonita. Marcelo e Maia dividem a faixa Vem vem, que nada mais é, segundo Jeneci, que a sedução tropical com consciência do território do outro. Sobre a experiência, o cantor conta: “Conheci Maya no estúdio, ela estava lançando uma música, eu adorei. Achei-a de uma potência, ela é incrível canta de um jeito muito gigante e especial. É uma voz do Brasil”.

No atual momento político e social, o compositor reforça a importância das comunidades indígenas para a preservação ambiental e territorial na faixa inicial do álbum, intitulada Emergencial. Embalada pelo canto de uma integrante da tribo Iauanauá, logo após é enfatizada a questão com o trecho: “É emergencial a gente se conectar com a terra”, a frase é frequentemente falada por Mana Bernardes, par do cantor. “A questão indígena é uma questão do planeta, planetária, os índios são os guardiões do mundo e a gente precisa falar disso”, afirma Jeneci.

O Nordeste também é temática, aliás foi em Pernambuco que Marcelo Jeneci passou boa parte da vida. “São fragmentos e arquétipos que compõem a pessoa que eu sou. Eu sou um tanto do agreste de Pernambuco, porque eu fui criado lá”, conta. Estas partículas são evidências em Oxente, música composta com Chico César, que envolta pela sanfona, passeia pelo baião.

Para a produção do disco, Marcelo Jeneci ficou cerca de um ano trabalhando no disco. Sempre junto dos parceiros Pedro Bernardes e Lux Ferreira, com quem o cantor pretende trabalhar mais algumas vezes. “Eu entrei no território de entrega máxima e isso passou a me dominar, não tinha espaço para distração. A inspiração é todo o momento presente, é dos encontros, das relações com as pessoas que trabalharam no disco, na alquimia das relações e dos sons”, relembra Jeneci.


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