Música Cine PE 2019: Momentos nostálgicos e temas sensíveis marcam terceira noite

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 01/08/2019 11:22 Atualizado em:

Foto: Felipe Souto Maior/Divulgação
Foto: Felipe Souto Maior/Divulgação
Uma das coisas fantásticas do gênero documentário é seu poder de congelar memórias. Para quem conhece a premiada imagem dos meninos albinos do fotojornalista Alexandre Severo - morto no mesmo acidente aéreo que levou precocemente o ex-candidato à Presidência da República e ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos -, ver o menino Kauan na tela do Cinema São Luiz, no Recife, na noite da última quarta-feira (31) foi rememorar uma história que Severo contou com os olhos.

Também foi emblemático foi comparar o jovem de 16 anos que subiu ao palco do Cine PE com o menino de 11 que estrelou o curta Cor de Pele, de Lívia Perini. Desenvolto nas imagens gravadas em 2014, Kauan mostrou-se tímido diante da plateia.

Cor de Pele, que concorre na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Nacionais, acompanha um menino albino, nascido de pais negros, que descreve de forma espontânea a rotina de sua atípica família, formada por três irmãos albinos e três negros. No telão, uma criança que questiona o preconceito e a tecnologia, e arranca do público uma salva de palmas e assobios. 

No palco, um retratado que cresceu, formou seu caráter, mas que poderá – como ele mesmo diz na película – revisitar um mesmo momento pelo resto da vida, graças à produção audiovisual. Foi essa constatação que proporcionou um clima nostálgico, mas também muito contemporâneo, à terceira noite de exibições do 23º Cine PE. O filme dividiu a programação com outros seis curtas.

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Foto: Felipe Souto Maior/Divulgação
Foto: Felipe Souto Maior/Divulgação
Abrindo a noite, foi exibida a animação pernambucana Quando a Chuva Vem?, de Jefferson Batista, um stop-motion que remonta a seca que assolou o Nordeste brasileiro entre os anos de 1979 e 1985. Depois o festival exibiu Sobre Viver, documentário gravado em Caruaru que fala sobre prostituição. Obeso Mórbido, de Diego Bauer e Ricardo Manjaro, trouxe para o evento uma discussão sobre obesidade e a ditadura do emagrecimento. 

Contado em forma de poesia, É Difícil te Encontrar, de Sabrina Menedotti, também integrou a programação. Além deles, foram exibidos A Pedra, que acompanha uma família em um passeio frustrado de rafting, e a animação Apneia, que aborda, de forma poética e delicada, temas difíceis como maternidade e abuso sexual. Por fim, o público do Cine PE assistiu ao documentário em longa-metragem Vidas Descartáveis, que aborda a temática do trabalho escravo moderno no Brasil, último país a abolir oficialmente a escravidão.

Nesta quinta-feira (1º), a partir das 19h30, o Cine PE exibe os curtas Coleção, Guará, Casa Cheia, Vinnilis Frutiferis, Só sei que foi Assim e o longa-metragem Um e Oitenta e Seis Avos. As entradas são gratuitas.


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