show Banda que tocava com Belchior apresenta tributo no Recife

Por: Juliana Aguiar - Diario de Pernambuco

Publicado em: 02/08/2019 13:00 Atualizado em:

Foto: Ana Luisa Mattos/Divulgação
Foto: Ana Luisa Mattos/Divulgação
Mergulhar na obra de Belchior e não só encenar. Esse é o grande desafio para o ator, bailarino e cantor Jarbas Homem de Mello, que assume o posto de vocalista no espetáculo Alucinação - Um concerto bárbaro, um show em homenagem ao cantor e compositor Antônio Carlos Belchior, o gênio da MPB falecido em 30 de abril de 2017.

Unindo poesia, música, lembranças e histórias, o artista sobe ao palco junto com a banda Radar, formada por João Mourão (baixo), Sérgio Zurawski (guitarra), Jaderson Cardoso (bateria) e Leandro Neri (teclados), que gravou discos com o cearense por mais de uma década. A performance dirigida por Eduardo Holmes será amanhã, às 21h, no Teatro RioMar, no Pina. Os ingressos custam entre R$ 75 e R$ 220.

"Belchior era um menestrel, ele contava histórias enquanto cantava. Na verdade, ele quase falava as músicas, de uma forma única, e eu estou tentando me aproximar disso. Não quero só cantar, mas contar e entender cada palavra que ele quer dizer", explica Jarbas, que produziu turnês nacionais do cantor cearense em 1992 e 1993.

"Ele era muito doce, muito engraçado, um piadista. Durante as turnês, passávamos madrugadas conversando sobre tudo, tomando bom vinho, e ele sempre fumando um charuto. Como eu era responsável pelo carro da produção, brincava dizendo ser o motorista de Belchior. Sou muito feliz de ter tido a oportunidade de conhecer o homem por trás do artista".

No palco, Jarbas não aparece de bigode ou roupas folgadas, como Belchior. Também não aposta na recriação de performances e reproduções vocais. Segundo ele, o espetáculo, idealizado em formato de show de banda, não tem o objetivo de trazer um personagem para simbolizar o artista, mas sim relembrar a sua trajetória.

Foto: Divulgação
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Homem de Mello se veste com roupas próprias, entoa as canções em seu próprio ritmo e conta algumas histórias vividas pelo cearense em terceira pessoa, narrando, por exemplo, o dia em que o homenageado conheceu Elis Regina e cantou com ela.

"É algo novo pra mim. Tive banda nos anos 1990, mas nunca mais apareci em um palco somente como cantor. Na verdade, é uma das primeiras vezes que me apresento como eu mesmo, sem escudos, sem personas. Nos ensaios e apresentações anteriores eu me redescobri. Já pensou, depois de 50 anos, me ver como intérprete? Estou realizado", revela.

Jarbas foi atrás de histórias vividas e escritas por Belchior. Ao revisitar canções, percebeu como as músicas escritas décadas atrás ainda se fazem atuais. "Belchior tem um público muito fiel que continua, cada vez mais, redescobrindo o poder e a grandeza da obra dele". A motivação para a construção do roteiro surgiu neste ano, em abril, mês do aniversário de morte de Belchior.

O diretor gaúcho Eduardo Holmes entrou em contato com Jarbas e, juntos, procuraram a banda Radar e começaram a rabiscar os primeiros traços do projeto. “Foi tudo muito rápido, em uma semana já estávamos ensaiando, e em julho deste ano estreamos com apresentação em Porto Alegre.

Idealizamos um show de muito amor e carinho por Belchior, como antigos amigos que se reencontram para celebrar uma história”, conta Jarbas. Durante 90 minutos, será apresentado um repertório de 20 grandes clássicos, entre eles Paralelas, Alucinação, A palo seco, Como nossos pais e Medo de avião.

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