ancine 'Não tem filme com a Bruna Surfistinha nem com Jair Bolsonaro', diz presidente

Por: Bettina Novaes Ferraz

Publicado em: 25/07/2019 22:04 Atualizado em: 25/07/2019 22:39

Na semana passada, presidente declarou: "não poderia admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha" - Foto: Divulgação e Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na semana passada, presidente declarou: "não poderia admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha" - Foto: Divulgação e Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Jair Bolsonaro se manifestou contra a decisão da Ancine (Agência Nacional do Cinema) em autorizar o cineasta Josias Teófilo a captar R$ 530 mil em recursos para a realização do seu novo filme, Nem tudo se desfaz: como 20 centavos iniciaram uma revolução conservadora. 

Documentário narra como a eleição de Bolsonaro para a presidência do Brasil, em 2018, está diretamente relacionada ao movimento popular de 2013, conhecido como Jornadas de Junho.

Bolsonaro se manifestou sobre o assunto através de transmissão ao vivo em sua página no Facebook. Ele afirmou que irá "buscar a extinção" da Ancine, depois de saber da decisão agência em liberar a captação de recursos para o cineasta Josias Teófilo. 

"Depois deste anúncio de fazer filme com dinheiro público sobre a minha pessoa, a Ancine ganhou mais um FO+, né? O Fato Observado Positivo: vamos buscar a extinção da Ancine. Não tem nada que o poder público tenha que se meter em fazer filme. Que tenha uma empresa de fazer filme privada sem problema nenhum, mas o Estado vai deixar de financiar isso aí", disse o presidente. 

Bolsonaro vem articulando publicamente, desde a quarta-feira (17), a retirada da gestão de mecanismo de fomento direto da agência para levá-la à Secretaria Especial da Cultura, subordinada ao Ministério da Cidadania. 

Ainda na semana passada, em meio aos embates com a Ancine, presidente declarou: "não poderia admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha", em referência ao longa protagonizado por Deborah Secco em 2011. Produção é baseada no livro O doce veneno do escorpião: o diario de uma garota de programa, escrito pela ex-prostituta Raquel Pacheco. 

"Talvez uma pessoa até bem intencionada queira fazê-lo com dinheiro público. Mas isso é inconcebível, não podemos concordar. Não tem filme com a Bruna Surfistinha nem com Jair Bolsonaro. O dinheiro público não é pra isso, não", completou o presidente durante a transmissão no Facebook. 

Em sua conta oficial no Twitter, Bolsonaro também afirmou que pediu à agência que anulasse a decisão, alegando que não concorda com o uso de dinheiro público para "estes fins".

"Recentemente tomei conhecimento sobre a liberação para captação de R$ 530 mil via Ancine para produção de um filme sobre minha campanha nas eleições. Por coerência sugeri que voltassem atrás nessa questão. Não concordamos com o uso de dinheiro público também para estes fins", escreveu o presidente. 

O que diz a lei
A Lei do Audiovisual, mecanismo utilizado por Josias Teófilo, permite a captação de recursos através da iniciativa privada, além de incentivos e isenções fiscais, para produções cinematográficas.

Na última terça-feira (23), em entrevista ao Diario de Pernambuco, o cineasta confirmou a decisão da Ancine: "Fui autorizado a captar, mas não captei ainda e nem sei se conseguirei captar", afirmou. 



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