Artes plásticas Exposição no Recife comemora os 120 anos de Murillo La Greca

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 31/07/2019 16:01 Atualizado em:

Fotos: Acervo Museu Murillo La Greca/Divulgação
Fotos: Acervo Museu Murillo La Greca/Divulgação
Para comemorar os 120 anos do artista pernambucano Murillo La Greca, o museu que leva o nome dele, localizado na Zona Norte do Recife, inaugura uma exposição temática nesta quinta-feira (1º), às 18h30. O que não é desenho? reúne 50 peças pertencentes ao acervo geral do pintor, formado por 1400 desenhos. Mapotecas com as obras vão ocupar salas, com cartilhas irão propor que "se pense desenhando". Os artistas Daniel Santiago e Bruna Rafaella Ferrer realizam performance na estreia.

A mostra é baseada em obras majoritariamente de anatomia, e visa se debruçar sobre a ideia de produto final - já que Murillo via os desenhos como meros esboços - assim como as possibilidades que cabem dentro da palavra "desenho". 

HISTÓRICO
Filho de um casal de imigrantes italianos, o pintor Murillo La Greca nasceu no dia 3 de agosto de 1899, na cidade de Palmares, região da Mata Sul de Pernambuco. Ele foi responsável por produzir obras importantes - a exemplo dos belos afrescos que ilustram a Basílica da Penha, no bairro de São José, no Recife -, ele também foi professor e um dos fundadores da Escola de Belas Artes de Pernambuco, que deu origem ao atual Centro de Artes e Comunicação (CAC) da UFPE.

La Greca ainda foi o primeiro no Nordeste a incorporar e ministrar a disciplina Desenho de Modelo Vivo, ainda na década de 1930. No Rio de Janeiro, conheceu e tornou-se amigo do pintor Cândido Portinari. Quando professor da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, conheceu e se apaixonou pela aluna Sílvia Decusati, também de origem italiana. Em 1936, casaram-se e se mudaram para Roma, Itália, onde ele se aprofundou no estudo dos afrescos - obra pictórica feita sobre uma parede ou teto, com base de gesso ou argamassa, normalmente assumindo a forma de mural.

De volta ao Brasil, um mês antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, recebeu convite para pintar os afrescos da Basílica da Penha, no bairro de São José, no Recife. Pintou Os Quatro Evangelistas nos pendentes da cúpula do altar-mor (1939/1940). Cada afresco traz a imagem de um evangelista (Marcos, Mateus, Lucas e João) e medem cerca de três metros de altura, enquanto cada painel tem vinte metros de área pintada. Também registrou em tela temas históricos como o fuzilamento de Frei Caneca e a primeira aula de medicina.

O MUSEU
Foto: PCR/Divulgação
Foto: PCR/Divulgação
O Museu Murillo La Greca foi inaugurado no dia 12 de dezembro de 1985. O artista não viveu tempo suficiente para testemunhar a abertura, pois morreu cinco meses antes. La Greca só chegou a visitar a casa e participou dos acertos finais relacionados ao levantamento e ordenação das peças doadas por ele à Prefeitura do Recife.

Além do acervo de 1400 desenhos, com técnicas de fusain, crayon, pastel e sanguínea, o museu ainda possui discos, livros, mobiliários e cartas trocadas com Portinari e Alberto Giacometti, artista plástico suíço. Há também 160 pinturas, entre paisagens, cenas históricas e retratos. O espaço possui ainda uma Sala Multiuso, que leva o nome de Silvia Decussati, esposa de Murillo, onde acontecem, além de exposições e mostra de vídeos, palestras, lançamentos de livros e outras atividades culturais.

SERVIÇO
Abertura da exposição O que não é desenho?
Onde: Museu Murillo La Greca, Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti, 366, Parnamirim
Quando: 1 de agosto (quinta-feira), a partir das 18h30
Horário de visitação: Terça a sexta-feira, das 09 às 12h e das 14 às 17h, sábados das 15h às 18h


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