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'A vida é um conto de terror', diz Mariana Enriquez em mesa sobre gênero fantástico

Por: FolhaPress

Publicado em: 14/07/2019 14:14 | Atualizado em: 14/07/2019 14:17


Do que você tem medo? Foi esta a última pergunta feita pela mediadora Rita Mattar ao paraibano Bráulio Tavares e à argentina Mariana Enriquez. "Não tenho medo de nada sobrenatural. Quero, aliás, experimentar o sobrenatural o mais rápido possível", disse Enriquez. 

O que lhe dá medo é a doença e o sofrimento. "Achei que fosse ser jovem para sempre, me dei conta de que não", disse ao expressar o temor do envelhecimento e de "perder a cabeça". "A vida é um conto de terror. Com isso terminamos. Com essa alegria", brincou ela, aplaudida pela plateia que acompanhava a penúltima mesa da Flip na manhã deste domingo (14).

A finitude também é o que amedronta Tavares. "Não tenho medo de nada, só que não dê tempo de fazer tudo o que quero fazer. E não vai dar", disse. Os autores, que podem ser descritos como escritores de fantasia ou de ficção científica a depender do recorte de sua obra, conversaram com Mattar, editora da Três Estrelas, selo editorial do Grupo Folha, sobre como é escrever dentro de um gênero e os limites do realismo.

"O fantástico inclui toda a realidade e a expande. Não é outro mundo, é este e mais um pouco", disse Tavares sobre o tipo de literatura que, ele prefere, poderia se chamar insólita e não fantástica. Ele explica a diferença dizendo que, em Franz Kafka, fantástico é "A Metamorfose", em que acontece algo impossível, um homem é transformado é barata. Já insólito seria "O Processo", no qual um homem é preso e não só não sabe o porquê, como ninguém sabe o motivo, o que é possível que aconteça em nosso mundo, embora improvável.

Tavares, também cordelista e compositor que colabora como músicos como Lenine, é autor de, entre outros, "O Flautista Misterioso e os Ratos de Hamelin" (ed. 34) e do novo "Fanfic" (Patuá). "Ampliar a realidade ajuda a pensá-la de outros pontos de vista", disse Enriquez, autora de "As Coisas que Perdemos no Fogo" e "Este É o Mar" (Intrínseca).

Embora a fantasia e a ficção científica sejam, segundo Tavares, "mal vistas pelos críticos e ignoradas pelos livreiros", Enriquez disse que sempre quis escrever gênero. "Eu não tenho vergonha de ser chamada de Princesa do Terror. Bom, agora Rainha, porque estou velha", disse, mais uma vez arrancando risadas e a simpatia do público.
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