A magia da poesia e do cordel no Sertão do Pajeú

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 09/07/2019 14:44 Atualizado em: 09/07/2019 16:17

Dedé Monteiro, "o papa da poesia popular" e um dos homenageados da feira. Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE
Dedé Monteiro, "o papa da poesia popular" e um dos homenageados da feira. Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE
 
Às margens do Rio Pajeú, com suas águas em um eterno ir e vir, reza-se uma lenda: basta beber sua água para automaticamente o sujeito se tornar poeta. Segundo a lenda, há séculos uma viola do período da colonização portuguesa foi enterrada dentro do rio. O Pajeú é composto por 17 cidades do Sertão pernambucano, lugar árido, duro, mas que banhado por um rio sua terra dá frutos, muitos deles nas artes. No Pajeú nasceram poetas como Lourival Batista Patriota (1915-1992) e Manoel Filó (1959-2015), ambos em São José do Egito, além de Dedé Monteiro, poeta de Tabira que desde 2016 é considerado Patrimônio Vivo de Pernambuco. 
 
No intuito de celebrar, movimentar e viver a magia da arte do Pajeú, a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) em parceria com a prefeitura de São José e demais municípios da região, realizarão a 1º Feira da Poesia Popular do Pajeú. O evento será realizado nos dias 18 a 20 de julho, na Rua João Pessoa, centro da cidade de São José do Egito e terá como homenageados dessa primeira edição Manoel Filó e o "papa da poesia", Dedé Monteiro. A feira contará com oficinas de xilogravura e estêncil, mesas de glosa, contação de histórias, atrações musicais, mesas de bate-papo, atrações musicais e lançamento de livro.  
 
Segundo Ricardo Leitão, presidente da Cepe, a ideia da feira é não se encerrar em si, mas também fomentar as publicações na região e outras feiras segmentadas. "A feira representa a continuidade de uma série de eventos segmentados que a Cepe está fazendo, como foi o caso da Feira de Literatura Infantil (Flitin)", ele explica. Na feira literária do Pajeú, a Cepe fará uma roda de diálogo entre o conselho editorial e os artistas locais, com o intuito de facilitar a relação dos artistas sertanejos com o mercado editorial. Ainda segundo Ricardo, a ideia é que todo ano sejam selecionados e publicados três livros de artistas da região logo pelo início do ano, em janeiro. Além disso, o conteúdo da roda de glosa (poesias construídas no improviso a partir de um tema lançado) será transcrita, editada e publicada pela editora. 
 
A presença feminina também marcará o evento. Junto à mesa da revista Continente, algumas poetisas do Pajeú, como Isabelly Moreira (São José do Egito), Mariane Alves e Jéssica Caetano (Triunfo), Sara Cristóvão (Tabira), abrem espaço para discutir sua arte e as questões que marcam ser mulher, sertaneja e escritora. Outro destaque do evento é o workshop de xilogravura. Por questões financeiras, se tornou cada vez mais difícil para os escritores e escritoras contratarem um xilogravurista para ilustrar suas poesias de cordel. Em São José do Egito, por exemplo, só há um xilogravurista. A ideia do workshop é a formação de novos desenhistas para que aumente a disponibilidade do estilo. 


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