São João Ansiedade marca reta final do Concurso de Quadrilhas Juninas do Sítio Trindade

Por: Samuel Calado - Redes Sociais e Site

Publicado em: 29/06/2019 18:10 Atualizado em: 30/06/2019 12:55

Doze grupos disputam o pódio na grande final. Foto: Samuel Calado/DP
Doze grupos disputam o pódio na grande final. Foto: Samuel Calado/DP

Emoção e ansiedade tomaram conta da primeira noite da final do 35º Concurso de Quadrilhas Juninas Adultas do Recife, realizado no Sítio Trindade, na Zona Norte. Seis quadrilhas se apresentaram na noite da sexta-feira (28) e mais seis se apresentam neste sábado (29), a partir das 20h. O público fiel chegou cedo para prestigiar os grupos. O estudante Lucas Marinho foi um dos primeiros a chegar na fila, por volta das 16 horas. “Se nas eliminatórias a arquibancada já fica lotada, imagine na final. Cheguei cedo garantir o meu lugar!”. A orientação é que as pessoas devem chegar com antecedência. Podem preferir assistir também no telão montado na parte externa do palhoção das quadrilhas.  

A Raio de Sol trouxe o espetáculo 'Fábrica de Xilo'. Foto: Samuel Calado/DP
A Raio de Sol trouxe o espetáculo 'Fábrica de Xilo'. Foto: Samuel Calado/DP

A primeira junina a se apresentar na noite de ontem (28), foi a Raio de Sol, do bairro de Águas Compridas, em Olinda. Eles reapresentaram no arraial o espetáculo “Fábrica de Xilo”, que enaltece a arte e os artistas da xilogravura, em especial J. Borges, grande precursor do segmento na cultura popular nordestina. O marcador Rúlio Vangellis, disse que representar a Raio é representar o artístico e o belo. “Eu me sinto extremamente emocionado quando apresento e represento essa junina. O casamento com a Raio de Sol veio em 2015, quando fui convidado a fazer uma passagem. Este já é o meu quinto espetáculo. Quanto a responsabilidade, ela é imensa. É um trabalho que você come, vive e respira cultura. A responsabilidade de fazer todos entenderem a cultura é enorme. O marcador que se preza como uma quadrilha como ela, não pode errar nunca”. 

A Junina Traque é do bairro de Santo Amaro, no Recife. Foto: Samuel Calado/DP
A Junina Traque é do bairro de Santo Amaro, no Recife. Foto: Samuel Calado/DP

A segunda da noite foi a Junina Traque, do bairro de Santo Amaro, que apresentou novamente o tema bem humorado “Perdidos no SPA”. A história protagonizou a personagem de uma ambulante, vendedora de canjica e abordou a preconceito contra as pessoas que estão acima do peso. O quadrilheiro Júnior Costa disse que já está na junina há três anos. “A traque é a minha segunda família. A parte que eu mais me divirto é a do casamento com as várias reviravoltas da história. Estar na final é muito emocionante para a gente. Infelizmente, não conseguimos nos classificar no ano passado, então, chegamos ao arraial com toda a garra. Graças a Deus todos os componentes estavam aqui e deu tudo certo”.

Junina Origem Nordestina, do Morro da Conceição. Foto: Samuel Calado/DP
Junina Origem Nordestina, do Morro da Conceição. Foto: Samuel Calado/DP

A terceira a entrar em cena foi a Quadrilha Origem Nordestina, da comunidade do Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife. Eles mostraram novamente o espetáculo “Para todo fim… um recomeço”, que provocou a reflexão sobre sobre interesses pessoais versus coletividade. A fundadora Suelany Moreira, disse que a junina surgiu há 25 anos através de uma promessa feita à Nossa Senhora da Conceição. “Eu ainda era garotinho, hoje eu sou uma garotona. De lá para cá já ganhamos diversos títulos, mas independente de concurso a gente faz o ciclo junino para se divertir. Eu me sinto muito honrada e elogiada com o carinho do São João. Eu estou com 54 anos dançando quadrilha. A origem trouxe um tema que fala das coisas que não voltam mais”. Q quadrilheira disse que todos fala que vai parar de dançar, mas a emoção é tanta que sempre volta aos arraiais. “Já fiz até promessa, mas é uma emoção tão grande que eu volto. Ano que vem, espero participar do casamento”. 


Dona Matuta, do bairro de San Martin, na Zona Oeste do Recife. Foto: Samuel Calado/DP
Dona Matuta, do bairro de San Martin, na Zona Oeste do Recife. Foto: Samuel Calado/DP

A Dona Matuta, do bairro do bairro de San Martin, na Zona Oeste do Recife, foi o quarto grupo a se apresentar na noite da sexta. Com o tema “Dona Matuta - De fato e de direito”,  a junina reapresentou no arraial o espetáculo que enaltece a história e a identidade guerreira do povo nordestino. O marcador Sérgio Trindade, um dos fundadores da quadrilha, falou sobre o sentimento fraterno que é bastante forte dentro do grupo. “Tem uma frase que eu sempre falo: quadrilhas são as outras, a gente é Dona Matuta. Há pouco tempo perdemos dois componentes nosso. Teve uma componente que foi enterrar o filho, e logo após seguiu para o arraial para representar a junina. Isso é o sentimento de família que existe no nosso grupo. O nosso São João vai até o dia 13. 

Junina Evolução, de Santo Amaro. Foto: Samuel Calado/DP
Junina Evolução, de Santo Amaro. Foto: Samuel Calado/DP

O penúltimo grupo a entrar no arraial foi a Junina Evolução, do bairro de Santo Amaro, na Região Central do Recife. Com o espetáculo “SER TÃO”, os quadrilheiros trouxeram a força e a representatividade da “Missa do Vaqueiro” para o povo sertanejo nordestino. A apresentação contou com diversos elementos cênicos e efeitos especiais, além da movimentação e dramaticidade dos brincantes. O quadrilheiro Henrique Fortunato, um dos destaques da junina, disse que ser Evolução é um mar de verdade. “No arraial a gente se doa bastante e busca transmitir o máximo de emoção no nosso trabalho. Somos viscerais”.

Junina Lumiar, do bairro do Pina. Foto: Samuel Calado/DP
Junina Lumiar, do bairro do Pina. Foto: Samuel Calado/DP

Quem encerrou a noite de apresentações foi a Junina Lumiar, do bairro do Pina, na Zona Sul do Recife. Eles apresentaram o espetáculo “Compadrio - São João Dormiu, São Pedro Acordou”, que enaltece a tradição das festividades juninas. A quadrilheira Vanessa Ribeiro falou que ser Lumiar é colocar um sorriso estampado no rosto e viver o São João, independente de título. “Eu sou quadrilheira há 21 anos. Só na Lumiar são 14 anos. Depois que a gente entra na Lumiar, a gente entende o verdadeiro sentimento de ser quadrilheiro que é amar e ter a certeza de um São João contagiante”.

Neste sábado (29), se apresentam mais seis grupos e o resultado da disputa será divulgado logo após a apresentação da última quadrilha. As cinco vencedoras serão premiadas com R$ 13 mil; R$ 9 mil; R$ 7 mil; R$ 6 mil; e R$ 5 mil, respectivamente. Confira a programação: 

Sábado (29)
20h - Traquejo
20h45 - Traque de Massa
21h30 - Renascer
22h15 - Tradição
23h - Zabumba
23h - Zé Matuto
 
 
Assista as apresentações do sábado: 
 
 
JUNINA RAIO DE SOL 
 
 
JUNINA TRAQUE 
 
 
ORIGEM NORDESTINA 
 
 
DONA MATUTA 
 
 
EVOLUÇÃO 
 
 
LUMIAR 
 
 
 



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