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  Caro leitor, é com imenso prazer que inauguro esse espaço de conexão com você. Espero que possamos ter excelentes trocas.
  O Leitor do Futuro

O que estamos aprendendo?

Para Jacques Delors, "face aos múltiplos desafios do futuro, a educação surge como um trunfo indispensável à humanidade na construção dos ideais da paz, da liberdade e da justiça social. Para ele, só a educação conduzirá "a um desenvolvimento humano mais harmonioso, mais autêntico, de modo a fazer recuar a pobreza, a exclusão social, as incompreensões, as opressões, as guerras..." Baseada nesta visão, a Unesco estabelece os quatro pilares de um novo tipo de educação. São eles: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver junto e a prender a ser. Queremos destacar os dois últimos: aprender a conviver e aprender a ser. Todos os dias somos informados sobre casos de violência - inclusive nas escolas -, onde agressões ocorrem, e como justificativas temos as mais diversas. Desde o incômodo causado por um cantarolar do Hino do Sport até uma simples brincadeira com a namorada. Ao mesmo tempo, observamos que a solução encontrada por parte de algumas escolas é banir o aluno agressor da instituição e transferi-lo para outra. Será mesmo esta a melhor solução? E a escola que será orientada a recebê-lo fará diferente? É preciso urgentemente que se questione soluções como estas, como forma de se buscar uma reformulação nos modos de pensar e fazer educação. Aprender a viver juntos passa essencialmente pela questão dos valores que estão sendo aprendidos e vivenciados entre e com as nossas crianças e jovens. Será que o nosso modelo de sucesso ensina a compartilhar, socializar e humanizar nossas ações para alcançarmos não apenas o nosso bem-estar, mas o de todas as partes? Será que estamos ensinando as nossas crianças e jovens a resolverem seus conflitos de forma pacífica e justa? Como estamos praticando a Cultura de Paz que tanto nos fala o Lama Padma Santem? Como ele mesmo diz: em qual escola se aplica e se ensina a ser feliz? Nesta coluna, hoje, deixamos você com essas perguntas. Na próxima, daremos continuidade a esses dois pilares: aprender a viver juntos e aprender a ser. Querendo comentar ou acrescentar novas perguntas, nos escreva. Será um prazer saber sua opinião.

Conceição Cavalcanti – Coordenadora do Leitor do Futuro
leitordofuturo@dpnet.com.br




Espaço Ciência

Um lugar para conhecer e aprender

A relação do homem com a natureza desde seu início foi uma relação de contemplação, indagação e mistério. Entender os fenômenos da natureza , aprender a se relacionar com o ambiente que nos cerca, compreender a relação de causa e efeito, na qual todos nós estamos inseridos, é fundamental para a manutenção do equilíbrio entre o homem e o meio ambiente. Visitar o Espaço Ciência, no Complexo de Salgadinho, em Olinda, é uma oportunidade ímpar para fazermos uma verdadeira viagem no tempo. Desde a vida na Pré-história até às mais modernas tecnologias. Á medida que vamos caminhando, vamos nos encantando. Está ali a nossa história, a nossa evolução, a nossa natureza. Conhecer os diversos espaços torna-se fascinante. Os monitores prontos para informar, orientar e mostrar na prática os efeitos da matemática, da física, da biologia. Os mistérios da astronomia, os encantos do maguezal. Caminhando um pouco mais vamos encontrar uma parte da vida de Chico Science, sua história, seus carros favoritos. Estar neste espaço científico e, ao mesmo tempo humanizador, é ter a oportunidade de perceber o quanto estamos cercados de possibilidades e criação. Durante esta fantástica viagem, podemos encontrar alunos de diversas idades e professores ávidos por proporcionarem conhecimento e prazer aos seus discípulos. O Espaço Ciência precisa estar inserido no nosso contexto de cultura e lazer. Assim como a leitura, o universo das ciências exatas precisa fazer parte da nossa vida diária, do nosso café da manhã, da nossa brincadeira e do nosso modo de viver. O Espaço Ciência fica aberto de terça a domingo. Para saber mais basta telefonar para 31835528 ou através do e-mail francis@espacociencia.pe.gov.br .

Conceição Cavalcanti – Coordenadora do Leitor do Futuro
leitordofuturo@dpnet.com.br





Ganhar elogios por um trabalho é sempre bom. Para qualquer profissional, seja ou não jornalista. Receber um prêmio por uma reportagem de sua autoria que teve uma importante função social é ainda melhor. Por isso, foi tão gratificante ver o caderno especial "O Brasil que mais vai sofrer com o aquecimento", publicado em 19 de agosto de 2007, vencer o Prêmio Reportagem Social Latino Americana de Jornais e Revistas, agora em março. Com enfoque na face humana do aquecimento, ele concorreu com 81 reportagens de todo o país e ficou à frente de reportagens do jornal O Povo e das revistas Veja e Época. A conquista endossa uma opinião do leitor - cidadão comum que não julga a técnica de redação da notícia, mas tem a capacidade de dizer o que apreendeu dela ou o que aprendeu com ela. Diferentemente de outros quatro concursos conquistados por mim, neste, fui inscrita por uma leitora do jornal: a designer Simone Duarte Freire, também premiada pela Associação Latino Americana de Jornais e Revistas.
 
O caderno e a participação do Diario de Pernambuco em prêmios jornalísticos nacionais - como o Esso, o Embratel e o que acabamos de ganhar - expressa uma política que tem difundido a qualidade da nossa equipe Brasil afora. Desde 2004, a diretora de redação Vera Ogando vem investindo sistematicamente em grandes reportagens. O ponto de virada para os novos tempos foi o premiadíssimo caderno "Franscisco Julião, as Ligas e o Golpe Militar", do repórter especial Vandeck Santiago, lançado em março daquele ano. Desde então, o Diario tem publicado dezenas de grandes reportagens, em todas as áreas.
 
Matérias de fôlego, como dizemos no jargão jornalístico, desafiam os repórteres. Exigem excelência nos detalhes. Na apuração, quando buscamos transcender os limites geográficos e regionais e buscamos fontes não só de Pernambuco, como da região, do Brasil e até de outros países. Foi assim com este caderno, para o qual rodamos 7 mil quilômetros e ouvimos dois ministros e os cinco maiores especialistas do Brasil sobre mudanças climáticas. Um deles, o cientista José Marengo, de São Paulo, chegou a fazer um mapa exclusivo para a nossa reportagem, mostrando a área do semi-árido a ser mais atingida pelo aquecimento.
 
A excelência buscada no caderno "O Brasil que mais vai sofrer com o aquecimento" está no conjunto do nosso trabalho. Na escolha dos personagens e na apresentação deles. Na qualidade das sensíveis fotos da fotógrafa Teresa Maia, minha companheira de estrada. No projeto gráfico assinado por Osmário Marques. Na edição feita por Vandeck. O conjunto fez com que os leitores e jurados lembrassem da menina Maria dos Humildes ou de Carine, que tinha como "Cardápio do Dia: café com farinha’.

Silvia Bessa é repórter especial do Diario  de Pernambuco, onde trabalha há 12 anos. Começou na empresa como estagiária da editoria de Política.



Fazemos caridade? Para Quê?

“ Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que brigo para que a justiça social se implante antes da caridade”. Paulo Freire.

É com este enunciado que gostaria de convidar você a caminhar junto comigo nestas linhas. Quinta-feira véspera de um feriado. Praça de Casa Forte reduto de moradores ilustres e pessoas economicamente “saudáveis”. Praticamente ao lado da casa paroquial .Em frente à igreja, local de orações, onde chegam carros de luxo, pessoas a pé, casais às vésperas do casamento ou simplesmente pessoas que buscam na fé forças para suas angústias. Ao parar o carro em frente ao sinal, vejo uma família completa ao relento e entregue à caridade e boa vontade daqueles que fazem sua ginástica, caminham numa conversa animada ou namoram embalados pela magia da paixão.

A cena me comove. Uma mãe com olhos fixos no chão, mãos tateando sob um pequeno farrapo de cobertor na tentativa de colocar seu pequeno Alex de um ano e oito meses bem acomodado e protegido do frio. Me parece que histórias como estas se acumulam e se perdem em todas as partes do nosso planeta. Vivemos desgraças globais que se misturam com misérias locais. Recentemente conhecemos histórias de um universo não tão distante de nós, logo ali, na nossa zona rural. Histórias como a de Carine e Maria dos Humildes que o DIARIO DE PERNAMBUCO contou em seu caderno especial sobre aquecimento global. Parabéns para Silvia Bessa e Teresa Maia. Saiba mais sobre as histórias clicando aqui.

O que será que está acontecendo a nós como humanidade ? Será que desde sempre nossa humanidade esteve entre o selvagem e o sublime? Será que esta amorosidade da qual fala Paulo Freire pertence a poucos? Quero crer que não, segundo um dos grandes pensadores do séc.XX Pe. Pierre Teilhard de Chardin, o universo tem em seu estofo a energia do amor ou como o mesmo chamava o Amor-Energia.

Por isso, apesar de todas as misérias criadas e marcadas pelo homem, como guerras, fome, abandono e violência, Chardin acreditava na capacidade humana de se voltar para o bem e para a construção, como uma flecha em direção à evolução. É firmando o pensamento e o coração nas ações de homens como Freire e Chardin , que podemos desafogar as dores e buscar soluções. Soluções para problemas que hoje afligem e comprometem nossa sobrevivência e nossa convivência.

Como seres éticos, justos e que se constituem sempre a partir da relação com o outro é preciso que evoquemos o sentimento do Amor. Um sentimento fincado na ação e na reflexão. Amor que seja capaz de nos tirar das cavernas para exercermos plenamente nossa dimensão humana. Amor para educar e formar sujeitos plenos e felizes. Amor para se fazer surgir no combate à desigualdades, a tão sonhada e desejada justiça social.


Conceição Cavalcanti
Coordenadora Programa Leitor do Futuro
e-mail: leitordofuturo@dpnet.com.br
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