MULHERES COM H
   

Taty capricha na produção
Foto: Edvaldo Rodrigues/DP
  Sonhos de Cinderela

“Quero alguém para passar o Natal deste ano e os outros também”

Casamento, filhos, reconhecimento profissional. Queiram os preconceituosos ou não, as travestis têm, sim, não só direitos, mas sonhos que passam longe da realidade da prostituição, da humilhação e da violência a que são expostas diariamente. Para o psicólogo pernambucano Hermes Azevedo, que estudou o transexualismo em sua tese de mestrado em Psicologia Social e da Personalidade pela PUC do Rio Grande do Sul e Fafire, esses sonhos são comuns ao ser humano, mas com as travestis o desejo é associado a outras questões, como a dificuldade de se estabelecer e a falta de espaço para se fixarem na sociedade como pessoas.

Dona de um desejo ainda maior que os seus quase 1,80m de altura, a delicada Taty, de 22 anos, não tem planos muito diferentes dos de grande parte das mulheres. “Quero encontrar alguém que me ame, me respeite. Alguém que eu saiba que vai passar o Natal comigo. Esse e os dos próximos anos também”. O homem idealizado também tem perfil desejado: “Deve ter mais de 40 anos, ser solteiro. Pode ser divorciado. Pode ter filhos. Não precisa ser de fora. Pode ser daqui mesmo”.

Para Taty, o “sonho de Cinderela” também permeia o universo das travestis que, como ela, se prostituem e que fantasiam se apaixonar por um cliente e ter um sentimento recíproco. “Claro! Todo mundo tem essa ilusão. Quando a pessoa é carinhosa, eu gosto. Quem não gosta de um carinho? Até cachorro balança o rabinho não é? (risos)”. Ela revela ainda que, nas relações profissionais, algumas vezes consegue chegar ao orgasmo durante relações ativa e passiva.

Os sonhos que habitam esse universo tão feminino não param por aí. “O desejo da gente é ser mulher, mas a gente nunca vai ser porque nunca vai poder gerar um filho. Mas eu tenho vontade sim, de adotar uma criança. Tenho vontade de mostrar à sociedade que posso educar um ser humano da melhor maneira possível”.


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