MULHERES COM H
   

Luiz Mott divulga dados estaduais
Foto: Agência Brasil/Divulgação
  Pernambuco lidera violência contra homossexuais

O professor Luiz Mott é taxativo em relação a Pernambuco: “é o pior estado do Brasil para ser travesti”. A afirmação se sustenta por duas explicações. Aqui estão os piores índices de crimes contra homossexuais e o preconceito ainda é muito forte. De acordo com informações do Grupo Gay da Bahia (GGB), liderado por Mott, de 1980 a 2006, 2.680 homossexuais foram assassinados no Brasil. “A partir de 2000, São Paulo é o estado que registra o maior número de assassinatos (21). Porém o mais preocupante é em relação a Pernambuco, um estado que tem população cinco vezes menor e que registra 16 crimes homofóbicos anuais”, avalia o professor.

Das 2.680 pessoas mortas, 25% eram travestis. “Para uma população estimada em 20 mil indivíduos, as transgêneros (travestis e transexuais) são proporcionalmente mais agredidas que as lésbicas e gays, que somam mais de 18 milhões de brasileiros”, completa.

Para Luiz Mott, na luta pela sobrevivência, as travestis pernambucanas se deparam, além da violência, com algo que não se converte em estatísticas: o preconceito exagerado. “Elas não podem andar nas ruas de dia, porque viram motivo de piada”, explica. O professor estima que existam, no máximo, mil travestis em Pernambuco. “Salvador tem 300. Por isso acredito que, só na capital Recife, sejam entre 300 e 500”.

Números – A pesquisa do Grupo Gay da Bahia é feita anualmente, com base no clipping de matérias publicadas na imprensa em todo o país. Iniciativa semelhante está sendo feita aqui no Recife, há dois meses, pela organização não-governamental Leões do Norte. “Ainda estamos na fase de catalogação dos crimes contra homossexuais e a previsão é que o trabalho seja concluído em um mês”, adianta a advogada Márcia Mattos.

Vale lembrar que os números oficiais da violência não apontam os homossexuais. Simplesmente porque, no registro civil, Valeska é Roberto, Melissa é Edmilson e Rogéria é Frederico. Assim, entre apelidos e nomes verdadeiros, a violência contra os homossexuais é varrida para debaixo do tapete.


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