MULHERES COM H
   

"SDS terá campanha", garante Lins
Foto: Gil Vicente/DP
  Denúncias não
chegam à polícia

Os apuros que as travestis vivem fora do Brasil são de conhecimento da polícia. Tanto a Polícia Federal (PF) em Pernambuco quanto a Secretaria Estadual de Defesa Social (SDS) afirmam que histórias como a de Lucrécia são conhecidas há tempo. Mas as denúncias não chegam. “A gente sabe que elas são enganadas, exploradas. Mas, da mesma forma que as garotas de programa, elas têm que denunciar as agenciadoras para que nós possamos fazer alguma coisa”, orienta o assessor da PF Giovani Santoro.

O coordenador do Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Seres Humanos da SDS, Ricardo Lins, acredita que as travestis são ainda mais vulneráveis do que as prostitutas. “Não há ajuda direta do consulado ou da embaixada e a discriminação é maior. Elas ficam à mercê das cafetinas”. Lins acrescenta que o programa, criado em 2003, recebeu até agora apenas cinco denúncias de vítimas travestis (contra 64 de mulheres traficadas) e que o público deverá ser contemplado nas ações deste ano. Uma das idéias é orientar sobre os riscos de sair do país. “Sabemos que não podemos impedir a saída, mas pelo menos podemos indicar quem elas devem procurar numa situação de risco”, conclui.

Um exemplo de que denúncias podem surtir efeitos concretos aconteceu lá mesmo na Itália. Em abril deste ano, dois brasileiros e dois italianos foram presos, pela Polícia de Roma, acusados de comandar uma rede que explorava travestis brasileiras. A denúncia, feita há mais de um ano, partiu de uma das vinte travestis levadas pela rede para a Itália. Cansada de ser explorada, ela procurou ajuda. De acordo com a polícia local, as brasileiras tinham que pagar cerca de 15 mil euros ao grupo (R$ 40 mil) pela entrada ilegal no país, mais o aluguel mensal de um quarto, por 1,5 mil euros (R$ 4 mil).


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