MULHERES COM H
   

Profissão: guerreira

Dentistas, professoras, prefeitas. Capazes de dar a volta por cima no preconceito e levantar a poeira em cima das convenções, elas conquistam o mercado de trabalho que, por direito, deveria ser aberto a quem tem vocação e não ser relacionado com a opção sexual de ninguém.

Mas essa vitória ainda é comemorada por uma minoria. Em linhas gerais, as oportunidades acabam restritas aos setores de ligados a prendas domésticas, ao ramo da beleza ou da prostituição. “Elas refletem que só têm espaço na prostituição, só cabem no carnaval para se fantasiar, fazer animação em festa e não têm espaço, por exemplo, para ser psicóloga. O espaço que a sociedade dá pra elas é a exclusão”, aponta Hermes.

“As pessoas acham que a gente só pode ser cozinheiro, cabeleireiro. No final a gente não pode passar de piniqueiro”, revolta-se Taty, que deixou o sonho de ser engenheira química para fugir das chacotas na universidade e hoje faz programas.


Aos 35 anos e com até o primeiro ano do ensino médio, Natasha acha que é possível se manter fora da prostituição. “Nunca fiz programa. Comecei a trabalhar aos 18 anos como auxiliar de padeiro e confeiteiro. Na época ainda não era travesti. Era uma ‘bicha machuda’. Tinha bigode e tudo. Fui fazer um curso em Belo Horizonte. Depois, já quando me assumi, fui trabalhar em um restaurante no centro do Recife e depois fiz um curso de decoração e fui chamado para trabalhar em uma loja que faz arranjos artificiais na Imbiribeira. Hoje trabalho por conta própria”.

Natasha, que já fez curso marketing, datilografia e computação, se diz realizada no campo profissional e mostra porque: ”Meu desejo profissional eu conquistei. Não tenho preconceito comigo nem com os outros. Por isso não sofro discriminação. Se olhar atravessado pra mim, eu não ligo. Sou o que sou e o resto que se exploda. Sou objetiva e sincera. Quem estiver achando ruim, que saia”.


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