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Na balança do Meio Ambiente, o alumínio pesa menos

Analisando os fatos superficialmente, é possível acreditar que o aço é menos prejudicial para a natureza do que o alumínio. Descartada no meio ambiente, sem qualquer tipo de tratamento ou coleta, uma lata de alumínio demora mais de mil anos para se decompor. Já a latinha feita de aço, nas mesmas condições, se decompõe totalmente em um décimo deste tempo. Isso por conta da oxidação do aço, que acelera o processo de decomposição. Este raciocínio, porém, não leva em consideração uma indústria que cresce a cada ano, gerando benefícios para a natureza e para a sociedade: a reciclagem. E é justamente aí que está o ponto forte do alumínio.


Marcos Melo, técnico da Emlurb, explica como funcionam os núcleos de coleta seletiva do Recife
Imagens: Maria Carolina Santos

Para a engenheira Renata Valt, que fez uma dissertação de mestrado sobre a análise do ciclo de vida de embalagens, a reciclagem do alumínio é a que mais economiza os meios naturais, comparando com produtos como as garrafas Pet e de vidro. “O trabalho levou em conta a soma de todas as categorias de impacto ambiental e também as taxas atuais de reciclagem. Na conclusão do estudo, que segue o indicador Eco 95, a garrafa PET atingiu 0,2547, a garrafa de vidro, 0,0945 e a lata de alumínio 0,0108. Quanto mais alto o valor do Eco Indicador, mais negativo é o efeito do material sobre o meio-ambiente”, explica.

Na comparação com o aço, o alumínio ganha porque pode ser reciclado indefinidamente. O aço, após algumas reciclagens, não pode mais ser aproveitado. Por conta do trabalho dos catadores, o processo de reciclagem do alumínio também é mais rápido: em média, o processo todo – da compra do consumidor no supermercado passando pelos catadores, intermediários, fábrica de reciclagem, de latas e envasamento até a volta às prateleiras – leva trinta dias. Já o aço, pelo pouco valor agregado, leva no mínimo três meses para completar este mesmo processo.

Confira a comparação dos aspectos ambientais das lastas de alumínio e garrafas de vidro e PET. Clique aqui

A reciclagem do alumínio permite ainda grande economia de matéria-prima e de energia elétrica. Segundo um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cada quilo de alumínio reciclado representa uma economia de cinco quilos de bauxita (minério de alumínio) e um gasto de apenas 5% da energia elétrica necessária para a produção do alumínio primário. Já o aço tem um reaproveitamento, na reciclagem, não superior aos 33%.Para se ter uma noção do que esta economia representa, a reciclagem de uma única latinha de alumínio economiza energia suficiente para manter um aparelho de TV ligado por quase três horas.

No Recife, o Coordenador do movimento Recapibaribe, André Luiz Cantanhede, tem ainda outros motivos para apostar na troca do aço pelo alumínio. “O aço enferruja com muita facilidade – o que, já de cara, é um perigo. No meio ambiente, principalmente nos rios, se uma lata de aço entrar em contato com a mão de um pescador ou de uma catadora de marisco pode trazer infecção grave”, diz.

 
Latas de aço, que não são recolhidas pelos catadores, se acumulam no lixos das cidades
Foto: Maria Carolina Santos/DP/D.A Press

Outra questão levantada por Cantanhede é em relação à saúde das pessoas que consomem bebidas em latas de alumínio e aço. O alumínio não é processado pelo corpo humano e se acumula ao longo dos anos. Em quantidades elevadas, pode causar doenças graves. “Por isso, nas latas de alumínio é usado um verniz para que o líquido não tenha contato direto com o metal”, explica Renault de Castro, da Abralatas. Nas latas de aço, é usado o mesmo verniz. “Porém, com o tempo, esse verniz se desgasta e a latinha acaba enferrujando parcialmente contaminando o liquido. Isso não ocorre com o alumínio já que ele não oxida”, alerta Cantanhede. Esta oxidação só é prejudicial, contudo, com latas de aço velhas.

CURIOSIDADES

- O Brasil consolidou a liderança mundial em reciclagem de latas de alumínio ao atingir, em 2006, o índice de 94,4% (correspondente a cerca de 7,3 bilhões de latas/ano recicladas no mercado).

- O alumínio é o terceiro elemento mais encontrado na crosta terrestre. Em 1963, a proporção do metal em relação à superfície da Terra era de 81,3 gramas por tonelada.



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