![]() No mundo todo, mais de 21 bilhões de latas de alumínio são cosumidas a cada ano. Foto: Jaqueline Maia/DP/D.A Press |
De acordo com um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), o mercado mundial de bebidas consome 218 bilhões de latas por ano, sendo que 170 bilhões são de alumínio e 48 bilhões, de aço. No Brasil, 100% das latinhas consumidas no Sul e no Sudeste são de alumínio.
Por razões comerciais, o Nordeste caminha na contramão mundial, ainda utilizando amplamente o aço. “A presença do aço é forte no Nordeste por conta da fábrica Metalic, da Companhia Siderúrgica Nacional, a única que faz latas de aço no Brasil. Como financeiramente não compensa transportar latas por grandes distâncias, a empresa atinge os principais mercados do Nordeste mas não consegue chegar às outras regiões”, explica o presidente da Associação Brasileira de Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), Renault Castro.
Em comparação às latas de aço, as embalagens de alumínio são mais leves e têm maior velocidade de refrigeração do conteúdo, o que é fundamental na economia de energia elétrica. Além disso, as vantagens na escolha pelo aço são também ambientais. O alumínio pode ser reciclado infinitamente e o tempo que leva para uma latinha velha voltar para a cadeia produtiva é de, no máximo, 40 dias. Para as latas feitas de aço, o tempo é de três meses e o reaproveitamento do material é finito.
A demora para voltar às prateleiras dos supermercados é decorrente também do preço do aço no mercado da reciclagem. Para os catadores, não é vantagem apanhar as latinhas de aço, já que o preço é muito menor do que o cobrando pelo alumínio, o metal de maior valor no mercado da reciclagem.
Mundo - Os Estados Unidos e o Canadá são os maiores produtores mundiais de alumínio, mas nenhum dos dois países possui jazidas de bauxita em seus territórios, ao contrário das terras canarinhas. Mesmo assim, de acordo com dados de um estudo realizado em 2001, a produção mundial de alumínio no ano anterior foi de 23,9 toneladas, mas apenas 3,45% deste total correspondiam à produção brasileira. O mesmo estudo verificou que 20% da produção nacional eram destinadas ao setor de embalagens.
![]() Para Renault Castro, da Abralatas, opção por aço no Nordeste é somente econômica. Foto: Divulgação |
O Brasil, que recicla cerca de 95% das latinas de alumínio, tem potencial para ser um dos maiores produtores de alumínio primário do mundo. O país é o detentor da terceira maior reserva de bauxita (perdendo apenas para Austrália e Guiné), minério de maior importância na produção do alumínio. De 35% a 55% da composição da bauxita é óxido de alumínio. 90% das 3,52 bilhões de toneladas do minério estão localizadas no estado do Pará; Minas Gerais tem 7,5% da reserva; e São Paulo e Maranhão, possuem cada um 0,7% do minério do país.
No mercado da América Latina, o Brasil é responsável por 11 das quase 15 bilhões de latas de alumínio consumidas. No mundo, esse número atinge 210 bilhões de unidades por ano, sendo que, somente os Estados Unidos consomem 110 bilhões delas. Para atender a toda essa demanda, em vez de um mercado amplo, a indústria de latas para bebidas é concentrada em grandes empresas.
Há dez anos, apenas cinco fabricantes de latas de alumínio produziam mais de 60% do total das latas consumidas no mundo e o mesmo índice era adquirido pelos dois maiores produtores de refrigerantes e pelas três principais cervejarias dos Estados Unidos. Em Pernambuco, apenas uma empresa produz latas de alumínio. A Rexam, multinacional presente em mais de 20 países, produz no Recife atualmente cerca de um bilhão de latas e quatro bilhões de tampas por ano nas duas fábricas que tem no estado.