
Mestres em substâncias
Gostar das ciências exatas e ser observador são pré-requisitos para os futuros químicos. Afinal, terão que aprender as propriedades de inúmeras substâncias. E a dureza já começa no vestibular. Embora a concorrência fique na média de 3,9 vagas/fera, o exame na UFPE é realizado em três etapas. As duas primeiras são as convencionais. Já na terceira etapa, os alunos selecionados terão que cursar duas disciplinas de 90 horas no primeiro semestre. Os que tiverem melhor resultado são aprovados.
Se você gosta das ciências exatas, é observador e tem disposição para estar sempre se atualizando, você tem o perfil ideal dos químicos. Estudar as propriedades e as possibilidades de inúmeras substâncias é o principal papel desse profissional, cuja curiosidade científica remonta muitas vezes à Idade Média, quando os alquimistas faziam experiências para transformar metal em ouro. Mas a profissão se evoluiu com a tecnologia e graças a ela, hoje podemos tomar água em copos descartáveis e dispor da pílula anticoncepcional, por exemplo.
Mas para seguir a carreira, é preciso estudar bastante. Ainda no segundo grau, quando se decide fazer vestibular para química, é necessário se dedicar mais as matérias de química, física e matemática. Este ano, a concorrência foi de 3,9 feras por vaga. Diferentemente dos outros concursos, os candidatos ao curso de bacharelado em química têm que submeter a três vestibulares. As duas primeiras etapas são convencionais, como acontece nas outras graduações. Na terceira, os alunos selecionados cursam duas disciplinas de 90 horas no primeiro semestre. Os que se saem melhor são aprovados, ao mesmo tempo as disciplinas são aproveitadas no seu histórico escolar universitário.
Desde 2005, o sistema funciona dessa forma. A medida foi tomada para evitar a evasão de alunos e retenção (repetição das cadeiras). "Dessa forma conseguimos selecionar candidatos com alta probabilidade de se formarem, o que é muito mais complexo do que meramente selecionar pessoas que acompanhem apenas o ciclo básico e depois abandonem o curso", enfatiza o professor Alfredo Mayall Simas, responsável por ministrar a disciplina da terceira etapa do vestibular.
Mas o vestibular em três etapas acaba sendo mesmo mais um desafio para os estudantes. Aluna do Colégio Equipe, Lívia Rodrigues e Brito, 18 anos, obteve a maior nota para o curso de bacharelado em química, 8,8. Mesmo assim, ela confessa estar apreensiva quanto a avaliação da terceira etapa do vestibular. "Sei que estou preparada,mas só o fato da gente passar por mais um teste deixa todo mundo muito assustado", admite. Lívia diz que sempre teve muito afinidade com as matérias ligadas à área de exatas. Escolheu o curso de química exatamente por isso. A estudante também vê na profissão muitas oportunidades, principalmente com a instalação de novas indústrias no estado.