
Entre as áreas de saúde e exatas
Concentração e muita paciência são os requisitos essenciais para quem está interessado em cursar engenharia biomédica. A graduação é uma nova especialidade dentro das engenharias, que surgiu para atender as necessidades industriais e serviços do ramo da saúde, que utilizam cada vez mais a tecnologia. Embora, o aluno que optar pelo curso precise dedicar-se bastante às disciplinas das áreas de exatas e saúde, no último vestibular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a concorrência não foi considerada uma das mais altas. A disputa teve 3,9 feras por vaga. Ou seja, entre as engenharias, ficou com o índice mais baixo.
A aluna do 1º período Carolina Aguiar, 18 anos, afirma que não teve muita dificuldade para conseguir uma colocação. "Estudei bastante as disciplinas específicas como matemática, física e química, mas hoje, aconselho a quem estiver estudando para o próximo vestibular a se dedicar a todas as disciplinas e fazer um esforço maior para conseguir uma boa nota já na primeira fase das provas. Dessaforma, o candidato vai para a segunda etapa mais tranqüilo", acredita.
Carolina, que concluiu o 2º grau no Colégio GGE, conta que chegou a fazer vestibular para medicina por experiência quando cursava o 2º ano, mas desistiu do curso no final do ano passado. "Queria me dedicar a uma profissão que unisse a área de saúde com a de exatas. Depois de pesquisar, descobri o curso da UFPE", informa.
Carolina diz que a graduação tem superado suas expectativas. "As disciplinas são dinâmicas. É preciso estudar bastante, mas estou adorando o curso", declara.
O curso de engenharia biomédica surgiu no Brasil por meio de pós-graduação e mestrado no Instituto Alberto Luis Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Outros programas apareceram na Universidade de São Paulo - São Carlos, na Universidade Mogi das Cruzes, na Universidade Federal da Paraíba (apenas mestrado), na Universidade do Vale do Paraíba, (UNIVAP), em São Paulo, esta a única atualmente aoferecer formação completa (graduação, mestrado, mestrado profissional e doutorado) e como áreas de concentração na Universidade de Campinas e na Univesidade Federal de Santa Catarina.
Ofertas - Nos Estados Unidos e no Canadá, a oferta de cursos de engenharia biomédica começou nos anos 60, mas acentuou-se nos últimos cinco anos. Os primeiros cursos apareceram na pós-graduação (mestrado e logo depois doutorado). Mas, a partir dos anos 80, o maior crescimento passou a se dar na graduação. Na Europa, as atividades tiveram início mais ou menos ao mesmo tempo, no entanto, a criação formal de programas de pós-graduação e cursos de graduação demorou um pouco mais a ocorrer.
Na França, por exemplo, diversas universidades oferecem a formação em engenharia biomédica e a necessidade dessa formação já é bem reconhecida. Praticamente todos os hospitais contam com um profissional e tem na direção um engenheiro biomédico. A Universidade de Tecnologia da cidade de Compiégne (UTC), parceira pela cooperação internacional com a UFPE, oferece essa formação há mais de trinta anos, na graduação e na pós-graduação.