Tesouro
líquido
Por Thatiana Pimentel
Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
Óleo de cozinha é usado para desenvolvimento de biodiesel

Você sabia que o óleo que sobra na sua cozinha, aquele de soja, girassol ou canola, pode ser transformado em biodiesel e utilizado como combustível? É o que está sendo feito pelo professor José Geraldo Pacheco Filho, do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
A pesquisa liderada pelo professor pretende, além de inaugurar um novo filão de geração de renda no estado, tornar a reciclagem do óleo mais uma aliada na luta pela preservação do meio ambiente, uma vez que todo o produto usado nas frituras domésticas acaba sendo jogado no esgoto onde provoca o entupimento das tubulações e aumenta em até 45% os custos de tratamento. “Um litro de óleo de fritura consegue poluir um milhão de litros de água e é isto que queremos evitar. O óleo precisa do oxigênio da água para se degradar, e quando acaba o oxigênio de um rio, a vida acaba também”, explicou Geraldo.
Segundo ele, o processo de transformação do óleo de cozinha em biodiesel compreende várias etapas químicas. Primeiro filtra-se o óleo de fritura, para remover materiais sólidos. Depois, o óleo é secado para que seja removida a água nele contida. Então é procedida uma reação com etanol seco, utilizando hidróxido de sódio ou potássio como catalisador.
Em seguida, esse biodiesel tem que ser separado das glicerinas que se formam. Antes que esteja pronto para uso, o biodiesel é purificado e secado, posteriormente. Cada litro de óleo de fritura produz, aproximadamente, um litro de biodiesel.
“O ideal é que cada cidade tenha pequenas plantas pilotos que possam aproveitar os óleos residuais locais para fazer o biodiesel sem gastar muito com transporte”, afirmou professor. A unidade piloto do Recife deve ser finalizada até o final do mês. “É muito importante que as pessoas armazenem todo resíduo oleoso em garrafas pet. E então se pode doar na Celpe, no Bompreço ou para catadores. O ideal seria que as pessoas fizessem sua ação fundamental para não causar impacto ambiental”, argumenta José Geraldo Pacheco.
Foto: Thatiana Pimentel/DP/D. A Press
Outra vantegem que o professor elenca para justificar a reciclagem do óleo de cozinha e sua transformação em biodiesel é que, isto irá proporcionar um aumento da fabricação do produto no Brasil e, por conseqüência, o país deixará de importar o biodiesel. “Uma grande economia para os cofres públicos”, completou. A pesquisa, que deverá ser finalizada em dois anos, conta com a parceria do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) e com o Instituto de Pesquisas Agronômicas (IPA).