Pesquisador pernambucano busca parceiros para fabricar um novo marcapasso desenvolvido por pesquisadora da Nasa e baseado nos princípios da física quântica. Dispositivo utiliza campos magnéticos para regular ritmo cardíaco
Um tratamento revolucionário, criado a partir dos preceitos da física quântica, está prestes a ser desenvolvido em Pernambuco. A novidade consiste em um marcapasso que utiliza campos magnéticos para regular os ritmos cardíacos. O novo dispositivo – que pode ser usado próximo ao coração por implantação subcutânea, ou mesmo na gola da camisa ou dentro de um bolso - dispensa cirurgias e os riscos inerentes, bem como internações e os medicamentos pós-operatórios, diminuindo assim o sofrimento daqueles que precisam se submeter à intervenção. Além disso, o custo de implantação é muitas vezes menor que um marcapasso tradicional, o que gera uma economia para aqueles que optam por uma intervenção privada e a diminuição dos gastos gerados na rede pública de saúde.
Existe um porém: o marcapasso quântico nunca foi utilizado, só testado nos Estados Unidos. A cientista que desenvolveu a tecnologia, Elisabeth Rauscher é pesquisadora da Nasa e da Marinha Americana e doou a patente do marcapasso para o físico pernambucano Wallace Carvalho, que pretende encontrar parceiros que possam fabricar o dispositivo no estado. “Estou buscando uma empresa que possa desenvolver a tecnologia. O Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (César) e o Porto Digital demonstraram interesse e estão avaliando se podem produzir o marcapasso. Estou também agendando reuniões com políticos locais com o intuito de sensibilizá-los para a importância dessa patente para Pernambuco”, afirmou Wallace.
O dispositivo quântico - assim como o marcapasso tradicional - servirá para todos aqueles que tenham bloqueios efetivos no coração, como problemas de angina, bem como aqueles que possuem bloqueios parciais e que sofrem com dores em função desses problemas. Além disso, o novo produto também pode ser usado apenas para ajustar o ritmo cardíaco nos casos menos graves. “Tanto a saúde privada quanto a pública terão uma redução drástica nas suas despesas. Qualquer problema no aparelho pode ser facilmente solucionado, dispensando as intervenções cirúrgicas tão comuns nos marcapassos convencionais”, reforçou o físico.
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MARCAPASSO COMUM
Composição - É um aparelho eletrônico composto de duas partes: uma caixa do gerador que produz estímulos elétricos e um fio de comunicação (cabo-eletrodo), que leva os estímulos ao coração para garantir os batimentos cardíacos.
Localização - O gerador fica localizado embaixo da pele, geralmente no peito, próximo ao ombro. Menos freqüentemente, ele pode estar localizado em outras regiões do corpo (barriga ou abaixo da mama). O cabo-eletrodo que sai do gerador pode chegar ao coração por uma grande veia e ser fixado na sua parede interna (endocárdico). Também pode ser levado por debaixo da pele e ser fixado no lado externo do coração (epicárdico).
Implantação - A operação de colocação do marcapasso dura em média 90 minutos. A internação dura de um a três dias. Após a operação, é necessário o cuidado de permanecer deitado, sem levantar da cama por 24 horas.
MARCAPASSO QUÂNTICO
Composição – Uma cápsula que utiliza campos magnéticos para regular os ritmos cardíacos. As ondas eletromagnéticas são moduladas em pulso dentro da cápsula sendo assim capazes de provocar o estímulo necessário ao bom funcionamento do coração. Não existe fio condutor.
Localização – Ele deve ser usado próximo ao coração, na gola da camisa ou até mesmo dentro do bolso.Pode ser usado apenas para ajustar o ritmo cardíaco nos casos menos graves. Pela fácil localização, qualquer problema no aparelho pode ser facilmente solucionado dispensando as intervenções cirúrgicas tão comuns nos marcapassos convencionais.
Implantação - Ele dispensa cirurgias e os riscos inerentes, bem como internações e os medicamentos pós-operatórios, diminuindo assim o sofrimento daqueles que precisam se submeter a essa intervenção. Além disso, o custo é muitas vezes menor que um marcapasso tradicional, o que gera uma economia para aqueles que optam por uma intervenção privada e uma grande economia para os cofres públicos.
A viabilidade de construção do produto já está sendo avaliada pelo
Cesar, que estuda o projeto e a possibilidade de desenvolver um protótipo a partir da descrição do marcapasso presente na patente cedida. “O conceito do marcapasso quântico é bem interessante. O que estamos avaliando é se temos a tecnologia necessária para construir um protótipo que realmente funcione de acordo com o que está descrito na patente. Já se o produto vai ou não funcionar diz respeito à eficácia da medicina quântica”, ressaltou o gestor de incubação do centro, Guilherme Cavalcanti.
Segundo ele, para o desenvolvimento dessa tecnologia o investimento financeiro giraria em torno de R$ 1 milhão, dinheiro que será todo captado com investidores privados. Após a fabricação do protótipo, a licença de reprodução será vendida para uma empresa e os lucros pelo uso do produto ficarão sob responsabilidade de Wallace Carvalho. “Nosso objetivo é atuar academicamente, estudando e construindo produtos novos. Não temos interesse de mercado”, completou Cavalcanti.
Para o cardiologista Alberto Nicodemus, especialista em eletrofisiologia clínica invasiva, o marcapasso quântico - se funcionar – tem limitações. “Um marcapasso tradicional geralmente é ligado a dois pontos do coração, um ventríloquo e um átrio. Não consigo imaginar como um aparelho sem fio possa trabalhar dois lugares diferentes. Creio que - se for realmente produzido - esse dispositivo deverá se encaixar melhor em casos menos graves”, explicou. Outro problema encontrado pelo médico diz respeito à localização do marcapasso. “Essa história de colocar dentro da camisa ou na lapela de um terno é complicada. E quando a pessoa for tomar banho?”, questionou.
Desconfianças e dúvidas de lado, o cardiologista acredita que o desenvolvimento do produto representará um grande avanço. “Há décadas trabalhamos com o marcapasso que precisa de um fio condutor e intervenção cirúrgica. Minha demanda é enorme, chego a fazer 30 implantações por mês na rede pública, o que representa um gasto de R$ 300 mil aos cofres do estado, pois cada operação dessas custa cerca de R$ 10 mil. Com essa novidade, estaremos economizando muito”, comentou. A facilidade de manuseio e manutenção também foram consideradas pontos positivos pelo médico. “Se o tratamento é menos doloroso e demorado para nossos pacientes não tem como a classe ser contra, contudo, só iremos comprovar a eficácia desse marcapasso quando ele chegar ao mercado”.
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