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Cadernos trocados pelo Word
Por Thatiana Pimentel
thatianapimentel.pe@diariosassociados.com.br
Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR


A internet a serviço da educação. A ideia é bonita, causa aprovação, mas ainda não é uma realidade em Pernambuco. Foi isso que verificou Diana Pessoa em sua tese de mestrado que analisou os blogs no contexto educacional. Para chegar a esse ponto, a professora pesquisou a utilização das páginas virtuais por educadores, escolas, universidades e estudantes e concluiu que o uso da ferramenta é mínimo. “A apropriação da internet não é apenas feita através de aulas de informática ou dos emails. A rede está aberta para oferecer conhecimento e possibilitar uma ligação extra entre alunos e professores. Estamos atravessando um momento em que a escola pode estar na casa das crianças através do computador e muita gente ainda não entendeu isso”, explicou Diana.


Cadernos trocados pelo Word. A internet a serviço da educação
Imagens: Thatiana Pimentel/DP/D.A Press


O primeiro passo da pesquisa consistiu em dar uma classificação geral aos tipos de blogs existentes em quatro grandes grupos que são os blogs informativos, que tratam de assuntos gerais; interativos/educativos - provocam alguma reação nos usuários; escolares/educacionais, de formato fechado e menos interativos que o anterior e os diversos, que podem ser diários, portais, fotoblogs, etc. A partir daí, a professora focou sua pesquisa em blogs voltados para educação analisando apenas páginas que entravam nessa caracterização. De acordo com ela, mesmo com essas restrições, as possibilidades educacionais encontradas nessas páginas foram infinitas.

“Os blogs educacionais permitem uma solidificação, um aprofundamento das relações entre professores e alunos, escolas e estudantes. Essa ferramenta pode ser usada como intercâmbio cultural, portfólio, acervo e até para o oferecimento de cursos on-line”, afirmou Diana. Ao todo, a professora encontrou 11 fatores que tendem a trazer melhorias positivas para o ensino e aprendizagem. Segundo Diana, o professor pode, também, estabelecer elos mais fortes com seus alunos através dos blogs vinculando-os ao Messenger ou ao Orkut, por exemplo. A maior aproximação pode fazer com que o professor conheça quais assuntos mais interessam seus alunos.

Outro ponto importante destacado no trabalho é a ponte que pode se estabelecer entre os próprios professores na troca de experiências de práticas pedagógicas. “Professores de culturas totalmente diferentes podem interagir e selecionar o que podem trazer de bom para suas próprias práticas pedagógicas. E mais: a publicação dos chamados web fólios que são a divulgação dos trabalhos e pesquisas dos professores e dos próprios alunos nos blogs geram discussões em torno do tema”, ressaltou a pesquisadora.


Foto: Thatiana Pimentel/DP/D.A Press

Diana analisou também as inúmeras aplicações pedagógicas dos blogs que servem desde ambiente virtual para a publicação de tarefas digitalizadas até como link de atividades que levem os estudantes a participar propriamente do conhecimento, seja escrevendo texto ou produzindo vídeos. “Isso de mostrar a tarefa numa rede, de postar numa página da internet provoca uma melhora no desempenho. Ao saber que seus coleguinhas vão ter acesso ao seu dever de casa, a criança se sente impelida a prestar mais atenção e acertar. É um incentivo a mais”, completou.

Segundo a professora, a ferramenta ajuda ainda na aproximação dos estudantes com seus educadores. “O blog pode quebrar a coisa da hierarquia que existe na sala de aula. A pessoa pode se dirigir ao professor sem muito protocolo e vice-versa”. Diana acredita, contudo, que é necessário atualizar constantemente os conteúdos da página, caso contrário os alunos perdem o interesse. E os professores também têm suas dificuldades. “Quando se fala em blog nas salas dos professores, muitos torcem a rosto e dizem que blog é diário de adolescente na internet ou blog é um site de algum jornalista. Não se vê o blog como uma possibilidade de ampliação, como quebra das barreiras em sala de aula”. Porém, às vezes essa repulsa por blogs é na verdade conseqüência da falta de intimidade dos professores com o computador. “Existe ainda hoje professor sem email”, relatou a autora da pesquisa.

A professora aconselha aos professores que querem entrar nesse mundo dos blogs procurarem outros professores que utilizam blogs em suas práticas pedagógicas. Porem, isso teria que partir do interesse do próprio professor. Outra dica é que o professor deve se desfazer do academicismo e tentar estabelecer uma linguagem que o aluno fale. Isso vai fazer com que o aluno visite aquele blog. Se o professor estabelecer uma linguagem acadêmica ele vai estabelecer contato com outros professores que estão no mesmo patamar. Porém, o principal problema encontrado na utilização dos blogs é a falta de tempo disponível dos professores para atualizar. O blog pede a dinamicidade. Por isso é importante organizar-se em metas de atualização para manter o blog dinâmico.

“O governo poderia tentar alguma iniciativa de obrigar a cada escola ter um blog, seu web folio, os seus projetos e atividades publicados on-line. Isto incentivaria de uma forma imensa o uso dessa ferramenta. Os professores receberam notebook, receberam incentivos pra comprar computadores, receberam incentivos pra uma série de coisas, mas e o incentivo para o uso em si das ferramentas e das potencialidades que a web 2.0 pode trazer?”, finalizou a professora.

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