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Ceasa ganha central de embalagens
Por Thatiana Pimentel
thatianapimentel.pe@diariosassociados.com.br
Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR


Central de embalagens que será implantada da Ceasa pretende aumentar a qualidade dos produtos e a segurança dos consumidores


Quem costuma fazer compras na Central de Abastecimento Alimentar de Pernambuco (Ceasa-PE) terá algumas surpresas. No próximo dia 16, a Ceasa abrigará a maior central de embalagens do Brasil. As obras para a implantação do empreendimento - que se chamará Central Miguel Arraes de Alencar e fornecerá caixas plásticas retornáveis e higienizadas – já estão quase concluídas. O projeto, desenvolvido por professores e alunos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) busca adaptar o quarto maior centro atacadista do Brasil às normas exigidas pelos órgãos de fiscalização do Ministério da Agricultura Produção e Abastecimento (Mapa), do Ministério da Saúde e do Inmetro.


Central de Embalagens da Ceasa. Projeto do Professor Luiz Andrea Favero. Imagens: Thatiana Pimentel/DP/D.A Press
“Uma das principais metas do projeto é garantir maior qualidade nos alimentos comercializados na Ceasa, para que o consumidor leve para casa um produto saudável e dentro do padrão de higiene necessário ao consumo”, explicou o professor Luiz Andrea Fávero, responsável pelos estudos que deram origem ao centro. Quando estiver funcionando, a Central de Embalagens irá implantar um mecanismo de utilização de três tipos de caixas plásticas padronizadas na comercialização de hortifrutícolas que circulam pela Ceasa, buscando a eficiência no abastecimento dos produtos e a higienização das embalagens. A consequência direta disso é o aumento na qualidade e a segurança dos produtos para o consumo humano e maior eficiência no controle fitossanitário.

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Como funciona o sistema de abastecimento:

1. Os permissionários ou produtores chegam ao Ceasa carregados de mercadorias embaladas em caixas plásticas padronizadas ou descartáveis.

2. Eles só terão acesso se obedecerem aos padrões exigidos. Não poderão mais entrar na Ceasa produtos a granel ou embaladas em caixas fora do padrão determinado.

3. O permissionário ou produtor entrega as mercadorias nas caixas ao comprador e recebe os vales-caixas.

4. Com os vales-caixas ele se dirige à Central de Embalagens para retirar as caixas e fazer o pagamento pela higienização das mesmas.

5. O caminhão sai da central com as caixas higienizadas e certificadas para carregar produtos e iniciar o fluxo novamente.

Como funciona o sistema para o comprador:

1. O comprador chega ao Ceasa com as caixas vazias (não será permitida, na Ceasa, a entrada de embalagens vazias ou fora do padrão).

2. Ele vai à Central de Embalagens e deposita suas caixas sujas.

3. O comprador recebe os vales-caixas correspondentes à quantidade de caixas.

4. Ele entra na Ceasa para comprar frutas e verduras e leva tudo em caixas limpas e higienizadas.

5. Um maquinário de última geração, de baixo custo para os usuários e ambientalmente correto, promoverá a higienização das caixas plásticas sempre que estas retornarem a central.

Fonte: Central de Embalagens Miguel Arraes de Alencar
A adequação das embalagens e a qualidade das mercadorias comercializadas no Centro de Abastecimento de Pernambuco devem atender às normas previstas na legislação em vigor, que torna obrigatórios os itens: classificação de produtos agrícolas destinados ao consumo humano, embalagem dos produtos em caixas higienizadas, rótulo de identificação da origem do produto e o peso, embalagens que permitam o empilhamento e caixas retornáveis ou descartáveis, contanto que as retornáveis sejam higienizadas e esterilizadas e que as descartáveis sejam novas e usadas apenas uma vez.

Para viabilizar a ideia, Marcelo Loyo Filho, diretor da Vale Suprimentos, aceitou operar a central. Já no início desde ano a empresa obteve a concessão do projeto mediante pagamento do espaço físico utilizado no complexo Ceasa, com investimento em instalações, maquinário e custos operacionais em pessoal e insumos e a obrigação contratual de prestar um serviço conforme as exigências técnicas e de qualidade determinadas em contrato. “Esse é um projeto do futuro. Nós entramos com a higienização, mas estamos dentro de um conceito maior que é a segurança alimentar e a diminuição do desperdício”, reforçou Loyo.

O professor Luiz Fávero concorda. “Produtores e atacadistas vêm perdendo cerca de 20% da sua mercadoria devido à forma incorreta de manuseio dos produtos, aos fungos que aparecem nas caixas e às pragas que, muitas vezes, já vêm nas caixas e que contaminam as lavouras. Nossa meta é fazer com que esse número de perdas caia, pelo menos, para 5% e que aumente o controle de patógenos, que atingem as lavouras e a saúde humana”, ressalta.

Na prática, com o novo sistema, os caminhões que transportam as mercadorias só poderão entrar no Ceasa se estiverem carregados com produtos dentro das novas caixas higienizadas e padronizadas, conforme determina a legislação. O primeiro produto que seguirá as novas normas será o tomate. Caso o caminhão esteja só carregado com caixas, o motorista primeiro terá de deixá-las na Central de Embalagens, a fim de que sejam higienizadas e esterilizadas.

Nesse processo, os transportadores pagarão um valor fixo ainda não determinado pela limpeza de cada uma delas, e receberão um “vale-caixa”, limitando a quantidade de embalagens que foram deixadas para a limpeza e higienização. Na hora de retirar as caixas da Central de Embalagens, os comerciantes “pagam” com o vale-caixa que receberam, retiram suas caixas e recebem um certificado de higienização comprovando que aqueles recipientes estão dentro do padrão higiênico-sanitário exigido pela lei.


Foto: Thatiana Pimentel/DP/D.A Press
O projeto tem o incentivo financeiro do Governo do Estado e do Ministério de Desenvolvimento Agrário para o Centro de Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar que opera dentro da Ceasa. Os estudos para a normatização das caixas foram realizados por equipes do Departamento de Letras e Ciências Humanas e o Programa de Pós-Graduação em Administração e desenvolvimento da UFRPE.  Romero Pontual, presidente da Ceasa, está empolgado com a novidade. “É um empreendimento grande, mas que trará muitos benefícios. Conversamos com os sindicatos e os produtores e todos estão animados com a perspectiva da padronização e do fim do desperdício. Claro que existe resistência, mas com o tempo iremos mostrar que a ideia é boa para todos”, completou.
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