Uma equipe do Diario de Pernambuco - a repórter
Silvia Bessa, a fotógrafa Teresa Maia e o motorista
Chirleno Apolinário - percorreu sete mil quilômetros,
por cinco estados do Nordeste, para mostrar quem são
e como vivem as pessoas que, segundo os cientistas,
serão as mais atingidas pelo aquecimento global.
Intitulado "O Brasil que mais vai sofrer com o
aquecimento", o caderno especial tem 12 páginas,
todas coloridas. O projeto gráfico é do
designer Osmário Marques. A reportagem concilia
a apuração de campo com entrevistas de
autoridades e dos principais especialistas brasileiros
no assunto. O enfoque é uma das novidades do
trabalho: em vez de se limitar à questão
climática em si, trata o problema conjuntamente
com a situação de pobreza das pessoas.
A ênfase é principalmente na história
das pessoas, que já estariam em situação
de risco independente do aquecimento. É o caso,
entre muitos, da menina Carina de Jesus, de 2 anos,
de Monte Santo (BA), que tem como único alimento
uma mistura pastosa formada de café com farinha.
É tudo que ela come, todos os dias, no café
da manhã, no almoço e no jantar. Ou de
Alice dos Santos, em Betânia do Piauí (PI),
que aos 3 anos, desnutrida, ainda não tem forças
para sustentar-se em pé.
"Dramas como o de Carina e o de Alice repetem-se
por toda a região que visitamos. Não são
animais, como o urso polar, que virou uma das imagens
mais reproduzidas do aquecimento. São crianças
brasileiras, que estariam em situação
de risco independente do clima", conta a repórter
Silvia Bessa. "É o drama de uma população
que, secularmente assolada pela escassez de água
e de comida, terá de enfrentar agora problemas
ambientais mais rigorosos do que todos os anteriores".
As crianças têm uma atenção
especial no caderno, tanto no texto quanto na fotografia.
"O olhar das crianças é sempre revelador.
Como se quisessem contar alguma coisa que elas não
sabem exprimir em palavras", afirma a fotógrafa
Teresa Maia. Esta atenção especial levou
à escolha de uma dessas crianças, Maria
dos Humildes, de 11 anos, de Betânia do Piauí,
para ser a foto da capa do caderno. "A matéria
está toda amparada na análise do IDH dos
municípios. O IDH, como se sabe, mede a condição
humana de determinado local, por isto esta classificação
da ONU teve tanta importância para o trabalho",
comenta Silvia.
A reportagem evitou o tom alarmista que tem caracterizado
alguns trabalhos sobre o aquecimento. Discute o impacto
sobre a agricultura, a pecuária e a pesca e trata
ainda da emigração. Com o possível
agravamento da seca, o Nordeste deve exportar ainda
mais seres humanos - que o vocabulário do momento
define como "refugiados ambientais". Mas as
matérias não se limitaram a diagnosticar
problemas; buscou encontrar soluções,
como a que mudou a realidade do povoado de Almécegas,
zona rural de Trairi (CE), onde a instalação
de uma placa de energia solar fez com que a comunidade
saísse da era do candeeiro para a da internet.
A experiência põe em discussão o
potencial do Nordeste como matriz energética
sustentável defendida pelos ambientalistas. A
questão energética é o ponto principal
de todos os estudos mundiais sobre soluções
para a redução do aquecimento global.
Clique nas páginas abaixo para ler o caderno
especial: