Produtos eletrônicos na berlinda
Aparelhos geram no mundo entre
20 e 50 milhões de toneladas de lixo
Foto: Inês Campelo / DP / D.A. Press

Foto: Inês Campelo / DP / D.A. Press

Edmar Gomes, da
Upgrade, e Domingos Sávio, da Eletro Shopping, acreditam que o
consumidor começa a mudar seus hábitos |
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Você se preocupa com o meio ambiente na hora de comprar produtos eletrônicos? Pare para pensar e calcule nos próximos minutos quantos equipamentos tecnológicos (como rádio, televisores, aparelhos de DVD, telefones celular, videocassete, tocadores de MP3, computadores, liquidificador, torradeira, geladeira, entre outros) você tem em sua casa. Depois responda: o que você irá fazer com isso tudo quando eles quebrarem ou simplesmente não servirem mais para sua família?
A vida contemporânea está cada vez mais atrelada à necessidade e ao suporte dos equipamentos eletrônicos. Contudo, enquanto o consumo dessas máquinas e chips cresce, aumenta também a quantidade de lixo que é produzido por nós e coloca a própria sociedade em perigo. São toneladas de mouses, teclados, monitores, iPods, aparelhos celular e pilhas jogados fora diariamente e que, muitas vezes, não são ou não podem ser reutilizados ou reciclados.
O Greenpeace, organização não-governamental voltada para a preservação ambiental, calcula que 20 a 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico são geradas anualmente no planeta. Apenas para você ter uma idéia, se colocássemos todo esse material em containeres enfileirados seria possível dar a volta na Terra.
Preservar o meio ambiente, no entanto, não significa deixar de consumir esses ou outros produtos, mas despertar para a gravidade do assunto e, principalmente, passar a comprar de maneira consciente. “As pessoas não chegam aqui procurando um fogão ou ar-condicionado que consuma menos gás ou energia. Elas estão mais preocupadas com o design e o preço”, revela Domingos Sávio, gerente da loja Eletro Shopping na Rua da Palma, no centro do Recife.
A empresária Francisca Abreu já começa a pensar diferente. Mesmo não entendendo muito sobre tecnologia, ela tomou certos cuidados na hora de comprar um novo televisor. “Perguntei a um amigo qual era a melhor marca e modelo e procurei aquela que economizava mais energia”, conta ela.
A preocupação de pessoas como ela, porém, está ajudando a estimular a venda de produtos ecologicamente responsáveis. “Já vemos muitas pessoas procurarem computadores que consomem menos energia. A tendência é essa. A própria TI parece caminhar nesse sentido. Os clientes preferem pagar um pouco mais caro, por exemplo, e comprar produtos com baterias ao invés de pilhas”, explica o gerente de produtos da loja recifense UpGrade Informática, Edmar Gomes.
Segundo o gerente para o Brasil de assuntos coorporativos da Dell, uma das maiores fabricantes de computadores do mundo, o executivo Gleverton de Munno, a procura por produtos ecologicamente corretos já começa a crescer, mas ainda é tímida no país e na América Latina como um todo. “As pessoas na Europa e nos Estados Unidos já são mais exigentes. Mas sabemos que esse é um problema de todos nós e, por isso, oferecemos soluções a nível mundial”, diz ele, explicando que a Dell recolhe os computadores inutilizados por seus clientes, repassa as peças que podem ser aproveitadas para projetos sociais e ainda recicla todo o resto do material obsoleto – evitando desperdícios e poluição.

Apple mudou para material reciclável.
Foto: Krause Johansen / Divulgação |
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Mudança de atitude
Se por um lado muitos dos consumidores não despertaram para o perigo do lixo eletrônico, por outro as indústrias de TI estão cada vez mais conscientes do impacto dos seus resíduos sobre o meio ambiente. Interessadas, assim, em assumir atitudes ecologicamente corretas e garantir suas vendas por mais tempo. De fato, enquanto o preço e o desempenho eram os principais atrativos no passado, fatores como baixo consumo de energia e emissão de CO2, além de desuso de resíduos tóxicos despontam como prioridades para o futuro.
Pensando nisso, o Greenpeace publica desde 2006 um guia de consumo eletrônico com o objetivo de conferir e identificar as atitudes verdes das principais empresas do setor, além de montar um ranking de responsabilidade ambiental (disponível no site www.greenpeace.com, em inglês). Entretanto, apesar dos resultados serem cada vez mais animadores ainda estão distantes do ideal. “Passo a passo, a indústria de TI vem melhorando não apenas suas políticas e práticas, como também tem iniciado a produção de produtos mais verdes. Ainda estamos muito longe de um equipamento ambientalmente perfeito, mas já podemos ver sinais de esperança para o futuro”, diz trecho do relatório da entidade.
A mudança de atitude de alguns consumidores ao redor do planeta e a pressão sobre as indústrias, contudo, já rendeu vitórias importantes para o meio ambiente. Depois do Greenpeace constatar, em meados de 2003, que os produtos da Apple traziam materiais tóxicos e não recicláveis, a entidade lançou um desafio para que a empresa “pensasse verde”. Cerca de dois anos depois, o presidente da companhia, o norte-americano Steve Jobs, publicou um artigo intitulado Think Green (pense verde, em português) e iniciou uma série de mudanças de responsabilidade ambiental. A nova linha de produtos da empresa, lançada no ano passado, traz modelos feitos de vidro e alumínio (totalmente recicláveis).
A Lenovo, quarta maior fabricante mundial de PC’s, anunciou uma nova linha de produtos com um aproveitamento de 80% no uso da energia no início deste mês (feitos com mais de 50% de conteúdo plástico reciclado). Enquanto isso, Panasonic, Samsung, LG, Nokia, entre outras, eliminaram o uso de materiais pesados (chumbo, cádmio, mercúrio e amianto). Fica a lição: quanto mais conscientes e interessados os consumidores estiverem, mais as industriais também estarão e menos poluentes serão colocados irresponsavelmente no lixo.