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mundo
Arte: Jarbas/DP

O mundo que podemos ter

Quarenta e dois anos separam a humanidade de seu futuro. A vida como conhecemos hoje está em risco e dois mundos serão possíveis. Em um, o planeta terá sua capacidade de oferta de água, alimentos e energia esgotada. No outro, os homens terão mudado de hábitos e se adequado ao ritmo da natureza para garantir uma vida sem privações. Quem vai decidir os próximos dias ainda é criança hoje. Leva nas mãos a oportunidade de impor um estilo de vida mais suave aos recursos naturais e, por que não, às sociedades. Os meninos e meninas de agora deverão buscar novos valores no passado. Construir uma geração mais econômica em todos os sentidos. Redescobrir a felicidade no simples.

Eles têm - literalmente - as suas vidas para garantir o futuro de seus filhos. Vão crescer numa época em que as mudanças de atitude serão essenciais. Em 42 anos (como indica a previsão da ONG GFN, com detalhes na matéria da página 2), as crianças de hoje deverão ser adultos mais conscientes se quiserem garantir uma vida mais saudável para seus filhos. Mas calma, há saída! Esses heróis carregam a esperança característica da idade. Eles crescem à medida que um futuro catastrófico é anunciado. Diferente dos adultos, os pequenos não demonstram resignação diante dos problemas. Sabem o que fazer, têm fôlego, dão exemplo. Cabe aos adultos manter esse espírito vivo.



Camille
Foto: Inês Campelo/DP/D.A. Press
A janela e o rio
Da janela de casa, Camille Arcanjo observa o mundo que não deseja para o futuro. Visto todos os dias, o rio tomado por lixo faz crescer uma pergunta dentro dela: por que as pessoas continuam comprando se não querem os objetos e jogam tudo fora? O triste cenário reforçou o aprendizado da menina que garante não deixar nada no chão, no rio ou no mangue. A resposta, dita de forma tão natural pela menina de 5 anos, não faz parte da rotina da maior parte dos brasileiros. “O lugar do lixo é na lixeira. No rio, ele mata os peixes e todo mundo vai chorar quando não sobrar nenhum”. Ela quer viver em um mundo mais colorido e promete manter os bons hábitos ao crescer.

Luiz
Foto: Jaqueline Maia/DP/DA Press
O menino e as árvores
Sombra, ar puro, clima agradável, brincadeiras. As árvores têm vários significados para Luiz Flavis, 6 anos. Todos são positivos. Por isso, o pequeno assumiu o papel de guerreiro e já lutou pelos galhos de uma dessas amigas. “Não deixei cortarem o galho da árvore. Ela só faz bem pra gente, limpa o ar e dá sombra”. A iniciativa tem o respaldo da mãe e o garoto vira o porta-voz da família. Com um pedido desses, é mesmo difícil negar. Economizar papel é com ele mesmo. Os desenhos - por mais coloridos que sejam - só saem na frente e no verso dos papéis. Luiz já sabe que os pequenos atos têm resultado. “Consegui cuidar de uma árvore, outra pessoa pode fazer também”.

Flávia
Foto: Inês Campelo/DP/D.A. Press
A água e os bichos
Junto de Toby e Branquinha, Flávia Silva não precisa de mais nada para ser feliz. Ou quase. Ela sabe que o cão e a gata de estimação precisam de água e comida para ficarem bem. Por isso, economiza água quando toma banho e escova os dentes. O mundo dela é pequeno. Está restrito à escola, ao parque, ao quintal de casa. O impacto de suas ações, por outro lado, pode ter efeito no global se copiado por aqueles que estão mais próximos e mais longe. Em casa, a garota divide a água de uma caixa de mil litros com outras seis pessoas e os dois animais. Com apenas 6 anos, ela já sabe explicar o tão falado conceito de sustentabilidade: “Todo mundo precisa de água por isso a gente usa sem estragar”.

Felipe
Foto: Inês Campelo/DP/D.A. Press
A luz e o futuro
“Oh menino, apaga essa luz!”. Felipe Silva tem 4 anos e lhe falta altura para alcançar o interruptor. Mas, de tanto ouvir as recomendações da avó, aprendeu: saiu da sala, ele pega a vassoura e usa o cabo para apagar a luz. A aparente rigidez ensinou ao garoto o valor da preservação. “Vovó briga. A gente não pode gastar nada porque tem muita gente precisando”. Ele não sabe que a energia vem das hidrelétricas ou dos combustíveis fósseis, causando desmatamento e poluição, mas já entende que é preciso ter equilíbrio no uso que fazemos dos nossos bens mais preciosos. E ensina que é melhor iluminar o futuro do que deixar a luz de um ambiente vazio acesa.

vITÓRIA
Foto: Jaqueline Maia/DP/DA Press
A filha e a mãe
Não tem paisagem ou passeio que distraia a pequena Vitória Leal, 6 anos. Com uma eloqüência que chega a assustar, ela conta que é só a mãe abaixar o vidro da janela do carro para o discurso - que já está na ponta da língua - sair. “Mamãe, não joga o lixo na rua. Guarda no carro até a gente chegar em casa”, explica, com o mesmo entusiasmo. A sabedoria, conta, veio da escola, da televisão e dos livros. A coragem para defender suas opiniões está na disposição e otimismo da idade. Não perde uma chance de convencer sobre a importância de separar o lixo, economizar a água e energia. Bom para todos se a garota levar no resultado de suas ações seu nome: Vitória.

Carlos
Foto: Jaqueline Maia/DP/DA Press
A natureza e o homem
Carlão. A energia pode ser sentida pelo apelido no superlativo. Como um furacão, Carlos Leal Neto se mistura aos brinquedos e gramados do parque. Ele sente em sua rotina como participa de tudo isso, como o homem faz parte do meio ambiente. Não seria ousado afirmar que compreende o impacto das ações humanas na natureza. Claro, na medida adequada a sua pouca idade. São apenas 4 anos. Ele sabe que não pode alimentar os peixes de uma lagoa ou rio. E justifica: “Eles ficam doentes porque tem a comida deles”. No futuro, o pequeno não vê caos. Só vida. Irmão de Vitória, que também teve sua história contada nesta página, ele forma o exército da esperança.



Descubra que tipo de consumidor você é

  1. Na sua casa, você desliga a luz de ambientes vazios?

    A - Nunca lembra

    B - Só quando o pai ou a mãe reclama

    C - Sim, nunca deixa uma luz acesa quando a sala ou o quarto estão vazios

  2. No banheiro, você:

    A - Fecha a torneira enquanto se ensaboa e escova os dentes

    B - Só fecha a torneira quando lembra que é importante economizar água

    C - Sempre deixa a torneira fechada enquanto se ensaboa e escova os dentes

  3. Na cozinha da sua casa:

    A - Muita comida é jogada fora porque estraga. Restos de fruta e verdura vão para o lixo

    B - Sua mãe se preocupa e consegue reduzir a quantidade de comida que vai para o lixo. Mas ainda joga coisa fora pois compra sem pensar no que precisa com cuidado

    C - Comida não vai para o lixo. Sua mãe compra frutas, verduras e legumes na quantidade certa e faz receitas que aproveitam restos (como empadões e risotos)

  4. Na sua casa:

    A - O lixo vai todo misturado para uma única lixeira

    B - Os restos de comida vão para um lixo. Os restos sujos de plástico, papel, vidro e metal vão para outro lixo que é levado para reciclagem

    C - O lixo de plástico, papel, vidro e metal é lavado e encaminhado para a coleta seletiva

  5. Você e seus pais:

    A - Usam o carro para ir a qualquer lugar, mesmo para pequenas distâncias, como a padaria do bairro

    B - Até tentam, mas na maioria dos casos não conseguem mudar o hábito e acabam indo de carro até na locadora ou na farmácia do bairro

    C - Sempre que possível pegam ou oferecem carona, andam a pé ou utilizam ônibus




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