Pernambuco.com                                     Grupos associados Associados PE Diario de Pernambuco Tv Clube PE Clube FM Rádio Clube AM
Cidadão Repórter | Comunidade | Diversão | Esportes | Guias | Jogos | Pernambuco.cão | Tecnologia | Turismo | Últimas | Vestibular
Home | Diario | Meio ambiente | Comprar, o novo...
  Enviar por e-mail Comentar Imprimir  
ilustração
Arte: Greg/DP

Comprar, o novo mal da humanidade

Oneomania. Esse é o nome da doença que acomete até 8% da população mundial e se caracteriza pela perda total do controle diante de produtos

Obesidade, dividas pessoais, depressão, violência. Antes de taxar essa lista como conseqüências da modernidade, pense nas raízes desses problemas. Por mais inusitado que pareça, busque as origens na crise ambiental. A ONG de pesquisa americana Worldwatch Institute classifica esses sinais, no relatório anual Estado do Mundo, como evidências claras do risco imposto à humanidade pelo consumo exagerado. Uma prática que degrada o meio ambiente, compromete a capacidade de renovação dos recursos naturais do planeta e diminui a qualidade de vida das pessoas. Sofrem os excluídos da festa consumista e os participantes, que perseguem sempre o mais novo e bonito. Busca sem fim.

Os americanos aparecem no topo entre os maiores consumistas
O mal do consumo compulsivo tem nome clínico: oneomania. Uma doença que acomete de 2% a 8% da população mundial com a perda de controle diante das compras, desencadeando problemas financeiros, familiares e profissionais. “Nossa cultura fez das compras um meio de compensar emoções como a tristeza. O problema é que o compulsivo consome sem precisar e, às vezes, sem poder pagar. A satisfação é imediata, mas temporária. Em seguida, ele compra novamente”, esclarece a psicóloga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas de São Paulo, Tatiana Filomensky. Depois de acompanhar o registro da doença no mundo, há três anos, ela estuda o assunto entre os brasileiros.

Diante de uma sociedade que valoriza a posse de bens, angústias, ansiedades e suas conseqüências podem ser uma constante. Especialmente pela desigualdade do modelo, favorecendo o surgimento da violência. A última pesquisa do Orçamento Familiar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2003) revelou que menos de 10% dos brasileiros tem gastos com consumo individual. Os 165 milhões restantes só sentem as conseqüências do desconforto ambiental provocado pelo lixo presente em locais inadequados, insetos e alagamentos. São os mais ricos os principais responsáveis pelo “gasto” do planeta. O caso dos Estados Unidos ilustra o descompasso. Com 5% da população mundial, os americanos usam 30% dos recursos do planeta e produzem 3.200 quilos de lixo para cada quilo de produto manufaturado.

Os números são citados pela coordenadora da Fundação Coletiva para uma Produção e Consumo Sustentáveis (Funders Workgroup for Sustainable Production and Consumption), Annie Leonard. Por mais de 20 anos, ela estudou os processos de produção e distribuição de bens ao redor do mundo. “As pessoas precisam olhar para todo o processo. Os produtos não saíram prontos das lojas, vieram de vários lugares da natureza, poluindo e produzindo lixo”, alerta. Um olhar mais destemido ainda revela que a fronteira entre ricos e pobres decide quem tem acesso a benefícios ambientais, ou seja, qualidade de vida. Mas todos sofrem com a frustração, a raiva e a violência gerada pelo sistema. Problemas que deveriam comover quando a destruição do meio ambiente - por si só - não alerta para a necessidade de mudanças.



O ritmo da produção de lixo

• 55.800 linhas de celulares são ativadas por dia no Brasil, aumentando o total de 127,7 milhões de aparelhos já ativos. Isso sem contar o que já não funciona mais

• Passam de 50 milhões de computadores o número de aparelhos presentes em casas e empresas no Brasil

• Por dia, 3.000 novos equipamentos são adquiridos

• Foi a indústria automobilística que, neste ano, bateu todos os recordes.
Nos primeiros quatro meses, 1,5 milhão de veículos saíram
das lojas. São quase 12,5 mil por dia.

Fontes: Anatel (até abril de 2008), FGV (maio de 2008) e Fenabrave (2008)



O impacto da atuação individual

• Você só precisa de 0,5 litro de água para escovar os dentes, mas gasta uma média de 13,5 litros se deixar a torneira aberta. Se a população do Recife fechar a torneira, economizará o suficiente para abastecer a cidade de Florianópolis durante um dia

• Se você fechar a torneira ao se ensaboar e lavar os cabelos no banho, terá poupado quase 14 mil litros de água em um ano. O mesmo que um caminhão-pipa. Se 5.000 famílias fizerem o mesmo, a economia será equivalente a água que cai das Cataratas de Foz do Iguaçu (PR) durante cinco minutos

• O brasileiro joga fora uma média de 800 sacos plásticos por ano. Se você reduzir o uso pela metade ou aderir às sacolas de pano – as ecobags – fará uma grande diferença

• O Brasil gera cerca de 140.000 toneladas de lixo por dia. Uma redução de apenas 20% no total produzirá 28.000 toneladas a menos de resíduos. Diferença grande no todo, mas pequena individualmente. Avalie seu consumo e corte o desnecessário

Fonte: Instituto Akatu


  Enviar por e-mail Comentar Imprimir  


Cidadão Repórter | Comunidade | Diversão | Especiais | Esportes | Guias | Jogos | Pernambuco.cão | RSS
Tecnologia | Turismo | Últimas | Vestibular | Quem somos | Contato Comercial | Sua opinião sobre o portal
Copyright - Pernambuco.com | todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização | faleconosco@pernambuco.com