Da confirmação da minha viagem ao Japão até o dia em que embarquei do aeroporto Internacional dos Guararapes, passaram-se quase 30 dias. Tempo suficiente para organizar as minhas pautas, fazer contato e pesquisar um pouco mais sobre o país que teria oportunidade de conhecer. Com um e com outro amigo, falava entusiasmada desta minha aventura e o engraçado era a reação praticamente igual de todos eles: "Como é, você vai para o Japãããoo?". Sim, os "ãs" e os "os" eram tão mais prolongados quanto fosse o espanto da pessoa com quem eu conversava.
Não era para menos! É comum que se pense logo nas longas horas de vôo (São cerca de 26h ao todo, sem falar o tempo de espera entre uma conexão e outra), na dificuldade do idioma (eu falava apenas duas palavras em japonês: arigatô e sayonara) e na alimentação bastante diferente da nossa (sim, eu também não tinha grandes afinidades com a culinária oriental). Mas depois do espanto, todos concordavam comigo que teria uma experiência inusitada. É sempre bom saber que "existe vida fora do Brasil" e com peculiaridades tão distintas da nossa. Eu viajei no dia 13 de abril a convite do Foreign Press Center (Centro de Imprensa Estrangeira do Japão), junto com outros três jornalistas brasileiros: Rogério Galindo, de Curitiba; Dimmy Praia, Manaus e Luís Costa, de Belém.
O primeiro encontro
Há quem diga que em frente de todo monumento histórico há sempre um japonês tirando foto. Quando eu coloquei os pés em Tóquio era a minha vez de querer registrar tudo o que via pela frente. As ruas, assim como eu via nos filmes, eram super movimentadas. Gente correndo de um lado e de outro. A grande maioria vestida de paletó e gravata, já que estava no bairro de Hibiya, um dos centros de negócios da capital japonesa. Mesmo com a elegância das vestimentas, as pessoas andavam a pé em direção aos metrôs, ou de bicicleta. Este meio de transporte é bem comum entre homens, mulheres e até os idosos.
Também achei curioso o fato de muitas pessoas usarem máscara cirúrgica no rosto. Algumas parecidas com as que a gente vê pelo Brasil, outras mais estilizadas. Ouvi várias versões para justificar o costume e as duas mais convincentes foram que no período da primavera, muitos têm alergia aos poléns das flores e precisam se proteger para evitar alergia. A outra versão dizia que era para não transmitir gripe às pessoas da rua. Muito altruísmo para a nossa concepção brasileira.
Mais distante do centro de Tóquio, especificamente nos bairros
de Harajuku e Akihabara, por onde passei, o visual já muda um pouco.
A moda é ser autêntico e vestir como se sente bem, por mais
estranheza que possa causar para os demais. Cabelos rosas, roxos, azuis,
camisas que não combinam com a saia e tampouco com os acessórios.
Nada demais! Se é assim que se sentem bem, assim vão às
ruas.
Aos domingos, em Harajuko, é onde as tribos se encontram. Nesse dia, eles podem exagerar no visual. Além das roupas excêntricas, também é comum você encontrar pelas ruas alguns personagens dos desenhos de mangá, de onde a maioria dos jovens tira a inspiração para as suas vestimentas. Os japoneses tradicionais já nem se espantam mais com esses tipos de roupa. Ninguém pára e fica olhando, somente os turistas. Estes, por sinal, podem se sentir bem à vontade para tirar fotos. Os jovens sabem que são curiosos e, por isso mesmo, são solícitos para os flashes de quem quer que seja.
Comportamento
Brasileiro adora fazer barulho, conversar e falar alto. Já os japoneses são bem mais comedidos do que nós. Entrei em vários locais de trabalho no Japão e mal ouvia qualquer sinal de barulho. Quando precisavam falar, era praticamente aos sussurros. As vozes que eu e os outros três jornalistas que estavam comigo escutávamos eram as nossas próprias. E só depois que ríamos e falávamos nas alturas, como é comum aqui no Brasil, dávamo-nos conta de que só nós agíamos daquela maneira. Nos primeiros dias, percebemos este detalhe e fomos ao poucos nos adaptando.
Pelas ruas, também não é diferente!! Quando estão à espera do metrô ou dentro dele, estão quase sempre em silêncio. Muitos com fone de ouvidos dos seus iPod´s, MP3 players e congêneres ou simplesmente no celular. O apego a este aparelho tem uma razão de ser. Os telefones contam com conexão direta à Internet e com acesso a informações como horário do trem, do tempo, bate-papo, enfim, de tudo um pouco. Por isso, passou a ser um útil passatempo.
Nas lanchonetes, é o mesmo. Na Mc Donald´s, vi várias pessoas sentadas em mesas sozinhas. Algumas liam livros, mexiam no laptop, no celular ou até tiravam um cochilo. Presenciei várias vezes essa cena. Ao invés de barulho, como aqui no Brasil, o silêncio. Uma amiga japonesa, Yuko Akimoto, contou-me que a lanchonete, por conhecer este perfil da população, faz propagandas estimulando as pessoas a irem à Mc Donald´s para passar uma tarde, lanchar, sentar, parar e relaxar.
O último trem
Como todos os países de primeiro mundo, o sistema público de transportes funciona a contento. No Japão não é diferente. O horário de cada metrô ou trem, inclusive, pode ser conferido através da internet do celular. Quem mora lá faz questão de utilizá-los, já que os táxis cobram caro pela corrida. E por saber disso, a gente começa a entender o porquê do desespero para entrar no último trem, o que passa a meia-noite. As pessoas que não têm carro, inclusive, já se acostumaram a organizar as suas "baladas" até esse horário.
Quem já teve curiosidade de pesquisar sobre o Japão, deve ter visto os funcionários que trabalham na estação só para ajudar a empurrar as pessoas a entrar nos famigerados "últimos trens". Eu não cheguei a vê-los, mas também entrei em um desses veículos superlotados.
Era minha última noite na cidade de Tóquio. Estava aproveitando os minutos restantes no país e acabei perdendo a hora. A minha sorte é que estava acompanhada do jornalista Dimmy Praia de Belém (PA), que viajou comigo, e das minhas amigas Yuko Akimoto e Bruna Siqueira. Esta última é pernambucana e mora no Japão há mais de um ano. Ou seja, já conheciam bem mais do que eu como as coisas funcionavam. Até que elas me preveniram que assim que o trem chegasse viria lotado e eu não poderia perder muito tempo. Enfim, precisaria dar um jeitinho para entrar, por mais lotado que ele tivesse.
Eu juro que achei que o lotado fosse só uma força de expressão. Mas enquanto o nosso trem não chegava, fui observando os outros passando. Um deles me impressionou bastante! Nas portas de vidro dos trens, eu via milhares de rostos espremidos. E o espremido aqui também não era força de expressão! As bochechinhas dos japoneses chegavam a ficar desfiguradas de tão encostadas que estavam nas portas. Confesso que fiquei com frio na barriga, pois sou claustrofóbica desde pequenininha. Meu desespero foi tanto que não sabia se ria ou se chorava. Na dúvida, passei a rir descontroladamente, pensando que em poucos minutos também viraria sardinha. Mas, com licença, sardinha no melhor estilo japonês.
Poucos minutos depois, chegou meu trem. Assim que as portas se abriram, eu não consegui enxergar um espacinho nem para colocar os pés. Yuko e Bruna - apressadas como tinha que ser - orientaram-me a entrar de costas e empurrar o corpo até as portas se fecharem. E lá fui eu. Mergulhei naquele mar de gente, no meu jeito atrapalhado de ser. Mas acho que me saí bem. Não sei como consegui um espacinho, mesmo colada na porta do trem.
O meu trajeto dentro da lata de sardinha era de cinco minutos, no máximo. Mas me pareceu uma eternidade! Comecei a sentir um peso nos meus ombros e vi uma japonesa, em torno dos 18 anos, arriada sobre mim. Achei que tivesse desmaida, mas tinha sido excesso de saquê (sim, isso também é bem comum nos últimos trens quando os japoneses estão voltando das farras noturnas). Agüentei o peso até descer na estação, quando centenas de pessoas desceram também e eu pude respirar novamente! Se eu pudesse, pagaria para ver a cara que fiz! Mas valeu a pena. Só lamento não ter conseguido me mexer para tirar a máquina fotográfica da bolsa e ter registrado aquele momento.
Templo de Asakusa
A religiosidade é uma outra marca do Japão. Não à toa, a grandiosidade dos seus templos se transformou também nos principais cartões postais do país. O Senso-ji, no tradicional bairro de Asakusa, é um deles e um dos pontos turísticos da capital Tóquio. Por isso mesmo já dá para imaginar que ele está quase sempre repleto de gente, tanto quem vem de fora, quanto às próprias pessoas da região.
A entrada do templo é feita através do Kaminarimon (Portão Trovão), o primeiro que merece os flashs dos turistas. Mas logo em seguida, ao invés do sacro, o profano. Dezenas de comerciantes disputam a atenção dos visitantes na rua Nakamise-Dori. Lá, é possível encontrar uma ampla variedade de produtos, que vão dos souvenirs, roupas, perucas de gueixas e comidas.
No finalzinho da rua, avista-se o templo, o mais antigo de Tóquio. Os seguidores da religião têm todo um ritual para entrar. O primeiro deles é passar por um balcão de incenso. Nesse local, várias pessoas se amontoam para conseguir um pouquinho de fumaça, que segundo as crenças da região, pode trazer a cura de algumas doenças e até dar mais inteligência. Em seguida, recomenda-se lavar as mãos e a boca em um outro balcão, antes da entrada do templo, como forma de se purificar e fazer orações.
Independentemente de crença, o Senso-ji vale a pena uma visita prolongada para olhar e acompanhar cada detalhe pela força mística que o local representa aos seus adeptos. Um pouco de história, cultura, tradição e muito de Japão.
Curiosidades sobre o Japão
- As férias dos japoneses são apenas de 10 dias. No entanto, eles têm feriados como o Bon-odori, que dura cinco dias e é em homenagem aos mortos. Nesse período, são realizadas danças em praças e locais públicos em memória das pessoas queridas. É prolongado para quem têm parentes enterrados em outras cidades puderem viajar para visitar os túmulos. Há, ainda a Golden Week, a junção de quatro feriados nacionais, como o Midori no Hi (Dia Verde), em 29 de abril; Kinen de Kenpo, o Dia da Constituição (3 de maio), o Kokumin no Kyujitsu (4 de maio), na verdade este foi criado para tornar a semana de feriados contínuos. Por fim, o Kodomo no Hi (5 de maio), o dia das crianças.
A Quebra do barril de saquê, costume nos grandes eventos do Japão.
Imagens: Tatiana Sotero/DP/D.A Press
- Nas residências japonesas, existe um genkan logo após a porta de entrada. Os donos da casa e os visitantes têm que tirar os sapatos e deixar nesse local para evitar trazer a sujeira da rua para dentro de casa.
- Muitas casas têm quartos de tatame sem as camas que estamos acostumados no Ocidente. Dormem em cima de um alcochoado chamado Futon.
- É comum entre os japoneses tomar banho em uma espécie de ofurô chamada de onsen. A proposta é parecida com uma piscina, onde várias pessoas podem tomar banho juntas. O detalhe é que eles não usam sungas ou maiôs. Ficam do jeitinho que vieram ao mundo. Os onsens ficam em locais públicos e são divididos para homens e mulheres.
- Quando iniciam as refeições, a maioria dos japoneses abaixa a cabeça e com as mãos juntas agradecem o alimento dizendo itadakimasu. É uma forma de homenagear os animais que morreram para servir de refeição para os humanos. Ao final, fazem o mesmo ritual com a frase: gochisou sama deshita. Algo como: foi delicioso! Estou satisfeito!
- A idade média dos japoneses está aumentando. Hoje, existem 20,42 milhões de crianças com menos de 15 anos. Já os idosos, com mais de 64, são 17,59 milhões de pessoas. Por isso, o governo estimula que as mulheres tenham filhos. Pagam o equivalente a U$ 3 mil ao nascerem e garantem a escola até os 15 anos de idade.
- Hoje, 99% das crianças da escola primária estudam em instituições públicas e mesmo no segundo grau, apenas 30% freqüentam unidades particulares.
Cumprimentos e palavras em japonês
- Ohayo = bom dia
- Konnichiwa = olá ou boa tarde!
- Oyasuminasai = boa noite
- Onegaishimasu = por favor
- Sumimassen = desculpe
Culinária
Eu imaginei que encontraria uma casa de sushi em cada esquina. Mas no Japão, a gastronomia é super diversificada. Há vários bistrôs de culinária internacional, como a italiana e a árabe. Os brasileiros são mais difíceis de encontrar, mas os que existem fazem o maior sucesso entre os orientais e os nossos conterrâneos que vivem por lá, com ofertas de churrasco, feijão e outros alimentos comuns à nossa mesa.
Pensei também que teria uma dificuldade enorme de escolher um prato nos cardápios em Hiragana e Katagana, os mais convencionais ideogramas japoneses. Mas essa foi, na verdade, a parte mais fácil. A maioria dos restaurantes tem fotos nos cardápios ou, então, coloca na sua vitrine miniaturas de borracha de cada prato. Facilita a escolha para quem estranha os nomes em japonês.
Alguns estabelecimentos fast food, inclusive, têm uma máquina na entrada com as mesmas opções em miniaturas, onde você pode escolher, pagar, receber o troco e depois entrar na loja apenas para pegar o prato. Simples assim!
Quanto aos sushis, que são os mais conhecidos no Brasil, são parecidos com o nosso, a exceção dos tamanhos, bem mais generosos do que os que vendem por aqui. Um prato convencional e bem pedido entre os japoneses é o soba, um prato de macarrão. Este sim tem particularidades bem diferentes do nosso. Pode ser servido com molho ou sem. Se escolher a última opção, é servido bem geladinho. Então, quem não gosta de comida fria, é melhor não arriscar. Os que têm molho, na verdade, são servidos com água quente e vários legumes. Foi o prato que mais pedi no Japão.
Em todos os restaurantes e lanchonetes, água é cortesia da casa, já que é tirada da torneira. Um detalhe é que muitos estabelecimentos não vendem refrigerantes. A japonesa que nos acompanhou durante a viagem, Chika Yoshida, sempre se impressionava porque costumávamos pedir este tipo de bebida durante as refeições. Dizia ela que esse costume não era comum no Japão.
Comida oriental com toque brasileiro
Uma das heranças deixadas pelos imigrantes para os brasilieiros foi a culinária japonesa. No Recife, por exemplo, é possível encontrar uma enorme variedade de restaurantes dedicados a esse tipo de comida. Mas, afinal, o que se come aqui é o mesmo do Japão? "Existem vários pratos iguais aos orientais, já outros passam por algumas adaptações para agradar o paladar de cada lugar. Até dentro do próprio Brasil percebe-se a diferença. A comida japonesa do Recife não é a mesma de Belém, São Paulo e Fortaleza", explica o chef do Quina do Futuro e Sumô Sushi Bar, André Saburó.
O segredo, diz ele, é aliar a culinária oriental à matéria-prima de cada cidade. Por exemplo, em Florianópolis, o tipo de peixe mais utilizado é a truta, mais encontrado naquela região. Já no Recife, é comum a produção do agulhão de vela, comum no Nordeste. Aqui, são utilizados, ainda, dois tipos de peixe também consumidos no Japão, como a sioba e o camurim, chamados de suzuki e tai, respectivamente.
Um outro detalhe que surgiu para agradar o paladar dos ocidentais foi o cream cheese (queijo cremoso), que, na verdade, é uma invenção norte-americana. "Os japoneses passaram a consumir o queijo há pouco tempo, junto com o vinho. Nas comidas, optam por manteiga", explica Saburó. Segundo ele, os molhos também ganharam um toque especial. "A culinária japonesa tem sabor muito suave e o brasileiro está acostumado com comidas condimentadas. Por esta razão, nos molhos agridoces, acrescentamos mais açúcar", diz.
E, é claro, o carioquinha não podia ficar de fora. Como o próprio nome não nega, ele é uma invenção brasileira. Mais precisamente do próprio André Saburó quando há cerca de 10 anos quis desenvolver um meio-termo entre o peixe cru japonês e as comidas que os pernambucanos estavam acostumados a consumir. "Conheci uma carioca que me contou que era casada com um sushiman, mas não gostava do sushi. Então, ela disse que o marido sempre fritava o takamaki (rolinho de alga com atum no meio)", recorda.
Foi daí que Saburó teve a idéia de criar uma comida frita. Testou com vários tipos de peixe e uma das receitas deu certo: cream cheese, salmão e a massa de tempura empanada. A pedida deu certo e nada mais justo do que batizá-la em homenagem a quem inspirou o chef, a tal carioca. Para não causar discórdia entre os pernambucanos, ele também criou um sushi especial com salmão, queijo, kani e cebolinha. E adivinhem o nome? Isso mesmo: sushi pernambucano.
Faça em casa o seu sunomono de pepino com kanikama:
Ingredientes:
- 160g de Kanikama
- 1 kg de pepino comum
- 1 colher de sopa de sal
- 3 colheres de sopa de açúcar
- 400 ml de vinagre comum de álcool
- 100 ml de água
- 1 colher de sopa de gergelim
Passo a passo:
1º Corta o pepino ao meio e retira as sementes;
2º Lamine o pepino
3º Coloque sal em cima do pepino laminado e aguarde uma hora em um recipiente para desidratar
4º Passado este tempo, esprema o pepino com as mãos para tirar o excesso da água
5º Misture vinagre, água e açúcar e leve ao fogo médio por cerca de 20 minutos. Não deixe ferver
6º Deixe esfriar o molho depois leve à geladeira. Quando estiver frio, coloque o pepino dentro do molho
7º Antes de colocar o sunomono no prato, esprema novamente o pepino para tirar o excesso do molho agridoce
8º Chegou a hora de arrumar o sunomono. Junto dos pepinos, coloque os kanikamas fatiados e espalhe gergelim.
Bom apetite!
Receita: André Saburó, dos restaurantes Quina do Futuro e Sumô
Assista ao vídeo do preparo do sunomono feito pelo próprio André.
Imagens: Tatiana Sotero/DP/D.A Press
Os imigrantes no Norte-Nordeste
• 1918 – Família Gemba chega ao Recife. É um dos primeiros registros de imigrantes na capital;
• 1929 - Japoneses vêm do Japão até o Amazonas e Pará.Posteriormente, dedicam-se a produção da pimenta-do-reino (PA) e látex (AM);
• 1958 – Imigrantes chegam a Bonito;
Japoneses e descendentes no Nordeste
Bahia – 3,5 mil
Pernambuco – 1,3 mil
Ceará – 600
Rio Grande do Norte – 400
Paraíba – 300
Sergipe – 220
Alagoas – 180
Fonte: Museu da Imigração do Japão e Consulado Geral do Japão no Recife