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Larissa, do Maranhão, com apenas 4 anos, faz tratamento para combater o bacilo que a fez desenvolver a doença

Larissa, a garota da capa


Maioria dos hansenianos faz parte da rotina das grandes cidades, onde há meios de acesso a informações sobre a prevenção e cura

O desconhecimento sobre a endemia perpetua o falso conceito de que os doentes de hanseníase permanecem reclusos nas colônias-leprosários. A maioria dos hansenianos vive inserido na rotina das cidades metropolitanas, onde há meios de acesso a informações sobre a prevenção. Está nas repartições públicas de Brasília (DF), no centro comercial de São Paulo (SP) e no entorno da famosa praia de Porto de Galinhas, município de Ipojuca (PE). Está entre nós. Os números da hansen nas capitais impressionam. Seis delas se destacam pela quantidade de novos pacientes infectados pelo bacilo Mycobacterium leprae: Recife (PE), São Luís (MA), Teresina (PI), Boa Vista (RR), Palmas (TO) e Cuiabá (MT).

A ordem em rankings específicos varia a depender do objeto de estudo - se a unidade de referência é a taxa ou o número absoluto; se é considerado o universo de pacientes de todas as idades ou apenas o dos cidadãos com menos de 15 anos. A classificação das seis - Recife, São Luís, Teresina, Boa Vista, Palmas e Cuiabá - está dissociada do volume populacional e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).


Editoria de Arte / DP

O Recife merece atenção especial. “Recife não pode ter mais esse tipo de doença. É a capital do Nordeste. Aliás, Pernambuco tem uma endemia antiga. Os médicos do serviço são despreparados para a doença; as ações do governo são tímidas e discretas”, analisa a epidemiologista Vera Andrade, em entrevista ao Diario por telefone, de Brasília.

Recife aparece no topo das capitais brasileiras com maior número de hansenianos por residência, segundo o local de atendimento. Significa que foram atendidas 8.859 pessoas com o mal ou com seqüelas provocadas por ele em 2006, ano da última estatística disponibilizada pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus). O volume é alto porque o município pernambucano fica bem abaixo no ranking populacional do país - na 9º colocação, entre os 27 estados. Em 2007, foram registrados 845 casos novos no Recife, segundo balanço parcial da Prefeitura do Recife. O coeficiente de casos descobertos foi de 5 em grupos da cada 10 mil habitantes, enquanto no Brasil foi 1.6 (2006); e a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê 1 caso por 10 mil.

Outro dado relevante da capital pernambucana: no ano passado, 12,7% do total de casos novos (108) foram em menores de 15 anos. O percentual faz da capital hiperendêmica (no Brasil, a taxa é de 8% e já é considerada “muito alta”). A Prefeitura do Recife informa que vem investindo na ampliação da Rede de Saúde da Família (eram 58 em 2001 e, em 2008, são 114) para identificar e tratar a doença, tem realizado cursos de especialização em saúde da família e fóruns de atualizações em hanseníase, assim como cursos de curativos para pacientes. “Na medida que aumenta a oferta de serviços, vê-se uma melhoria da capacidade das equipes e há uma melhoria na busca ativa do caso”, argumenta a diretora de Saúde da Prefeitura do Recife, Graça Cavalcanti.


Josias Guedes, de Nova Descoberta, no Recife, iniciou o tratamento este ano. Está com manchas pelo corpo e dores nas pernas e braços


Na última estatística de prevalência de hansen em menores de 15 anos por capital do país publicada pelo Datasus (referente a 2005), a cidade de São Luís estava ao lado do Recife, com a taxa de 1.76 a cada grupo de 10 mil pessoas. A taxa de casos novos em São Luís é a segunda maior do país no ranking geral.

A estudante maranhense Larissa Máilen, de 6 anos, e o autônomo recifense Josias Guedes personificam os números de São Luís e do Recife. A mãe de Larissa, Graciane Martins, descobriu por meio de uma cunhada que a mancha no rosto da garota era da hansen. “Chorei muito com medo do que as pessoas iriam falar. Mas depois entendi e estamos começando o tratamento. Ainda bem que Larissa não entende”, diz Graciane, após consulta no Hospital de Referência Genésio Rêgo.

Quando Josias Guedes se deu conta de que as manchas do corpo eram hansen, já sentia dores nas pernas e baços. Ambulante, chegou a deixar de trabalhar alguns dias. “Foi difícil saber que estou com esta doença, mas ela tem tratamento”, diz, confortado.



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