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Informação é remédio

A sala-de-aula pode tornar-se uma importante ferramenta no combate ao avanço da hanseníase no país. Mas ainda há muito a se avançar


Ana Paula, refletida no espelho, aprendeu na escola em Trindade (PE)
a identificar a mancha no corpo


Uma sala de aula é um universo que se abre. É fonte poderosa de conhecimento. É espaço até de cura. Foi assim com a estudante da 6ª série de uma escola pública de Trindade (PE), Ana Paula Lima Silva, 13 anos. A exposição de uma professora sobre hanseníase alertou a garota para a existência de uma mancha em sua perna. “Pensei que a mancha podia tomar conta do corpo todo”, lembra.

Cuidadosa, Ana Paula procurou logo ajuda médica e descobriu que estava com a doença. “Não sinto nada, mas acho que é sério. Também sei que o tipo que tenho não é transmissível”, conta. A experiência bem-sucedida de Ana Paula bem poderia servir de exemplo para muitas outras crianças e adolescentes do país. A escola como ferramenta no combate ao avanço da hanseníase.

Trindade

Tx. detecção de Trindade 10,7
Tx. detecção de Pernambuco 3,3
Tx. detecção do Brasil 2,4
Fonte: Sinan - 2006/ Ministério da Saúde
Graças à escola, Ana Paula descobriu cedo sua doença. Não terá seqüelas graves. Só não escapou das falhas no serviço público. Era para estar no terceiro mês de tratamento, mas precisou parar. O motivo é um velho conhecido. Faltou remédio no posto.

Maria Eugênia Gallo, chefe do laboratório de Hanseníase da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, trabalha há trinta anos na área. Para ela, a falta de informação ainda é uma das principais deficiências no combate à doença. “Há muito a se avançar nessa área. E isso pode começar na escola. Poderia também ser um assunto extra-curricular, onde os problemas da região seriam discutidos”, propõe.


Arte:Greg/DP




Tira-dúvidas

O que é hanseníase?
É uma doença infecto-contagiosa. Tem evolução lenta e só ataca seres humanos.

Quais os sintomas da doença?
Os sinais e sintomas aparecem através de lesões na pele e nos nervos periféricos, principalmente olhos, mãos e pés. Mas a doença também pode afetar a mucosa nasal, o fígado e os testículos. Não atinge o cérebro e a medula espinhal (leia mais sintomas ao lado).

O que causa a doença?
É causada por um tipo de micróbio, chamado bacilo Mycobacterium leprae ou bacilo de hansen.

Como se pega hanseníase?
Somente por meio de uma pessoa infectada com a forma contagiante (chamada multibacilar) que não esteja em tratamento. A infecção só acontece com o contato longo e íntimo. O bacilo é transmitido pelas vias respiratórias (fluidos nasais ou da boca). Aparece de dois a sete anos depois do contato com o doente, em média.

Pode se pegar hansen com um aperto de mão?
Não. A doença não se pega com aperto de mão nem com um abraço. Somente pelas vias aéreas, como nariz e boca.

O doente deve ser isolado dos familiares para evitar o contágio?
Não. O doente de hansen deixa de contaminar as pessoas assim que inicia o tratamento.

Os objetos do paciente devem ser separados?
Não. A transmissão acaba com o início do tratamento. Ou seja, pode-se compartilhar com a família o uso de utensílios, como copos, talheres ou pratos.

O paciente deve ser afastado do trabalho?
Não. Independente da forma clínica apresentada, o doente em tratamento deve ser mantido no trabalho. Isso porque, fazendo o tratamento regularmente, ele deixa de ser transmissor do bacilo.

De que forma posso identificar a doença?
Um caso típico de hanseníase apresenta lesões ou áreas da pele com alteração de sensibilidade, lesões nos nervos e baciloscopia positiva para Mycobacterium leprae. Ela pode se apresentar de quatro formas: indeterminada e tuberculóide (paubacilar, até cinco lesões na pele), virchowiana e dimorfa (multibacilar, mais de cinco lesões na pele).

Todo mundo pode pegar hanseníase?
A contaminação vai depender do sistema imunológico da pessoa. Outros fatores a serem levados em conta são as condições sócio-econômicas desfavoráveis (como a má-alimentação), a falta de acompanhamento médico ou a má-condição de moradia, com alto índice de ocupação.

Um bebê pode nascer com hanseníase?
Não. A doença não é hereditária.

Quais os danos físicos que a doença pode causar?
O tratamento tardio pode provocar dormência, pele seca, fraqueza. O nariz entope, surgem formigamentos nas mãos e pés, ou inchaços nas mãos, pés, rosto e orelhas. Sem sensibilidade, a pele pode sofrer ferimentos ou queimaduras. Há casos em que os homens ficam estéreis. Entre as deformidades estão úlceras, mãos em garra, pé e mão caídos e sem força, atrofias musculares, reabsorção óssea e articulações rígidas.


A hanseníase tem cura? Sim. As duas formas da hanseníase - a paubacilar e a multibacilar - têm cura. Em 1982, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou um novo tratamento quimioterápico para a doença: a polioquimioterapia (PQT). A PQT é um tratamento simples, eficaz e barato. É todo custeado pelo governo. Mas se o tratamento acontece tarde, a pessoa pode ter seqüelas, como deformidades, mesmo que a infecção da hansen tenha sido curada.

Quanto tempo demora o tratamento?
As formas paubacilares são cuidadas com o tratamento Poliquimioterápico (PQT) ao longo de seis meses. As formas multibacilares exigem a medicação ao longo de um ano. A PQT é doada para o Brasil pela Organização Mundial de Saúde e deve estar em todos os municípios gratuitamente.

Onde é feito o tratamento?
O tratamento pode ser feito nos postos e centros de saúde e no Programa de Saúde da Família (PSF). O atendimento e o tratamento, incluindo remédios, são gratuitos.

Quem pode tirar dúvidas sobre a doença?
Os agentes de saúde, os enfermeiros e médicos do posto mais próximo. Consulte mais de um profissional, se for preciso. O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas por Hanseníase dispõe de informações no site www.morhan.org.br e pode tirar dúvidas pelo telefone 0800262001.

Fonte: Morhan/Hanseníase: Atividade de Controle e Manual de Procedimentos, do Governo do Estado de Pernambuco/Ministério da Saúde


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