Especialistas em doenças que ocorrem sobretudo na terceira idade são poucos, pouquíssimos, no Brasil. Existe, para os idosos daqui, essa espécie de desamparo. Embora nem sempre se justifique comparações com estatísticas de países desenvolvidos - velha mania brasileira utilizada a torto e a direita e sem crítica-, a situação do país relativamente à densidade populacional assistida por geriatras é deficientíssima. Aqui, para efeito metodológico, "idoso" é o indivíduo com 65 anos ou mais de idade.
Como quer que seja, nos Estados Unidos, país cuja riqueza é imcomparavelmente mais alta que a do Brasil, - existe um geriatra para cada grupo de 4.715 idosos. Para a assistência médica aos idosos brasileiros, que somariam, hoje, 16,3 milhões de indivíduos, dispomos de apenas 600 geriatras reconhecidos pela Comissão Nacional de Residência Médica e Sociedade Brasileira de Geriatria. Teoricamente, caberia a cada profissional da área cuidar do impossível, ou seja, cuidar de cerca de 27 mil velhinhos. Eis o absurdo da escassez.
Enquanto são pouquíssimos os profissionais médicos especializados nas enfermidades próprias da terceira idade, numa palavra, das doenças peculiares da velhice, as mulheres do país dispõem de mais de 10 mil obstetras e ginecologistas e as crianças, de coisa em torno de 7 mil pediatras. Não são números satisfatórios, mas significam dizer que as faculdades de medicina têm no país um menso vazio a preencher, a formar especializar. E, para os jovens que se inclinam ao exercício da carreira médica, ocorre agora e persistirá por anos a fio um mercado potencial significativo a ser atendido.
No meio de nossas deficiências, tudo indica, pois, que o caminho da velhice saudável está traçado. É claro que da multidão dos velhinhos brasileiros carentes de assistência - e são quase todos -, inúmeros não tem condições de obtê-la, alguns poderão ser objeto da assistência do Estado (como ocorre nos ricos países europeus, a começar pela França) e poucos, mesmo irão ter condições de fazer os desembolsos geralmente elevados da geriatria particular. São aí caros os remédios conhecidos e cara a mão de obra especializada para o cuidado dos casos.
É interessante que as autoridades não deixem a situação dos idosos ficar ainda mais dramática do que em razão da pequena população médica dedicada com exclusividade às doenças da velhice, exemplo das clássicas imobilidade, insuficiência de órgãos, incontinência funcional e da iatrogenia, isto é, as complicações que decorrem do tratamento de outras enfermidades. Os centros de saúde necessitam, urgentemente de que neles se instalem equipamentos para, ao menos, a fonoaudiologia e a fisioterapia. A assistência social, que hoje recruta bom número de profissionais, precisa ser reforçada, estimulada, não apenas o curso de matérias próprias das disciplina geriátrica.
Outro aspecto lamentável é que dos pouquíssimos especialistas formados em geriatria - coisa de 600 no país -, a metade deles se concentra no Estado de S. Paulo. Por onde se observa que ainda S. Paulo, a província mais ricada federação, acha-se a léguas de distância das áreas desenvolvidas do planeta. A carência é, pois, geral, e o pouco da mão de obra especializada de que dispomos acha-se pessimamente distribuida. Mas, alerta geral, enquanto nos últimos 25 anos a população cresceu 55%, os idosos deram o enorme salto de 126%.
Mas, alerta geral, enquanto nos últimos 25 anos a população cresceu 55%, os idosos deram o enorme salto de 126%.
Frases
"Quando quero falo, não mando recados" Sérgio Guerra, senador e pré-candidato ao governo do estado pelo PSB, garantindo que não recuará da corrida ao Palácio do Campo das Princesas.
"A Rais veio confirmar os números e mostrar que a geração de emprego foi ainda maior". Luiz Marinho, ministro do Trabalho, sobre a geração de empregos.
"O povo americano e o mundo estão salvos, porque Saddam Hussein não está mais no poder". George Bush, presidente dos Estados Unidos.
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