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Edição de Segunda-Feira, 19 de Dezembro de 2005 
Guia de Profissões | Colhendo o que plantou
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GUIA DE PROFISSÕES
Colhendo o que plantou
O agrônomo Geraldo Eugênio trabalhou como office-boy e hoje é diretor-executivo da Embrapa
Cristina Sobreira
Especial para o DIARIO
Determinação e força de vontade são palavras bastante conhecidas do engenheiro agrônomo José Geraldo Eugênio de França, 48 anos. Nascido em Alagoas, no município de Limoeiro de Anadia, o filho do tabelião Darci Eugênio da Silva e da professora Marili Almeida de França começou a trabalhar desde os 14 anos como office-boy no Banco do Brasil. Não imaginava, na época, que chegaria tão longe: secretário de estado, superintendente do Incra e atualmente diretor-executivo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).


geraldo eugênio tem como objetivo melhorar a vida dos pequenos produtores. Foto: Divulgação.
  "Na minha adolescência, trabalhava durante o dia e estudava à noite na escola estadual de Arapiraca, em Alagoas. Acordava às quatro horas da manhã e dormia depois da meia noite. Isso foi fundamental na formação do meu perfil profissional", conta.

  A recompensa viria com a conquista do primeiro lugar no curso de agronomia e terceiro colocado geral do vestibular de 1975 da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). O jovem que, por gostar de biologia, havia sonhado em ser médico, desistiu do curso por achar que seria difícil se manter como estudante de medicina no Recife. " Então, pensei num curso que não demandasse tantos recursos financeiros. E agronomia iria me permitir estudar biologia", afirma.

  Por não conhecer o campo, nem vir de uma família agrícola, Geraldo Eugênio optou por estagiar logo no primeiro semestre da faculdade. Daí até concluir a graduação, em 78, não deixou de trabalhar um só período, nem mesmo nas férias. Todo esse esforço o levaria a galgar ainda mais alto: ele foi o aluno laureado da turma.

  De primeiro da sala à atual diretor-executivo da Embrapa, Geraldo Eugênio percorreu seu caminho com êxito. Formado e já trabalhando há dois anos no empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA), em Vitória de Santo Antão, veio a oportunidade de fazer o mestrado em Hyderbad, na Índia. "Fiz o mestrado em genética vegetal. Fiquei lá dois anos trabalhando com a genética de melhoramento do sorgo - cultura próxima do milho, adaptada às regiões semi-áridas".

  Mas a vontade de fazer uma revolução na capacidade produtiva do semi-árido brasileiro o fez ir mais longe. Em 87, viajou para os Estados Unidos e fez o doutorado também em genética de melhoramento de plantas na universidade Texas A&M. Nesse mesmo período, foi colaborador dos cursos de pós-graduação da UFRPE. Tudo isso era apenas o começo. De volta ao Recife, foi convidado a liderar o programa de hortaliças do IPA.

  Seu conhecimento e experiência logo o levaram à presidência do IPA e à Secretaria de Agricultura do estado. "Fui convidado pelo governador Miguel Arraes para assumir a Secretaria de Agricultura. Em menos de um ano, desenvolvemos o programa de produção com os trabalhadores da Zona da Mata, a mecanização no campo e a valorização do profissional".

Sonho - Ao retornar ao IPA, em 97, as pesquisas continuaram. Geraldo Eugênio foi responsável pela conclusão de uma biofábrica que estava em construção na estação experimental de Itapirema no município de Goiâna. Para ratificar o sonho de melhorar a vida do pequeno produtor, o agrônomo de Limoeiro de Anadia aceitou outro desafio. Fez o concurso para a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

  "Como superintendente do Incra implantamos, em pouco mais de dois anos, 100 novos assentamentos no estado. Desapropriamos 11 mil hectares da usina Central de Barreiros, onde trabalhei quando estudante. Construímos mais de 4,5 mil habitações nos assentamentos. Foi no Incra que conheci de perto o que é vida do pequeno produtor, o que é a vida do pobre no meio rural brasileiro", diz.

  Hoje, na Embrapa, é responsável por supervisionar 13 dos 37 centros de pesquisa de uma das instituições de pesquisa agropecuária mais respeitadas do mundo e que tem 40 unidades, dois laboratórios no exterior e cerca de 2.250 pesquisadores. Toda essa grandiosidade não o fez esquecer aquelas comunidades carentes. Sua maior preocupação? "Levar as tecnologias mais refinadas possíveis como é o caso da biotecnologia para ser utilizada pelos agricultores. Sei que falta muito a aprender, mas essas missões já me dão a possibilidade de retribuir àqueles que se interessam e vivem da produção agrícola no país".

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