Generation, novo trabalho da dupla inglesa Audio Bullys, lançado no Brasil pela EMI, veio ao mundo cercado de expectativas. Afinal, Simon Franks e Tom Dinsdale estrearam anos atrás com uma das melhores misturas de house, garage, rap e o escambau - sem contar as letras rapeadas no sotaque entortado dos subúrbios londrinos, incensadas pela crítica com frases do tipo "retrato da juventude atual" e outros clichês. Ego War foi um grande barato e elevou às alturas a cotação dos rapazes na bolsa de aposta do pop.
 Banda inglesa que era sinônimo de novidade coloca no mercado um CD cheio de fórmulas gastas. Foto: Divulgação. | Mas a ansiedade ficou insuportável no momento em que eles colocaram nas lojas o single Bang Bang, versão houseada (com toques de garage, of course) de um antigo sucesso de Nancy Sinatra, ela mesma, a filha dos olhos azuis mais famosos da música popular. Matadora nas pistas, a releitura do Audio Bullys ficou entre as dez mais vendidas da ilha e deixou todo mundo louco para ouvir o que mais eles estavam maquinando nos seus estúdios caseiros.
Quando Generation chegou nas lojas, veio a decepção: o que antesexalava um frescor juvenil, cru como os três acordes de um punk-rock, perdeu vigor e virou uma fórmula cansada. É verdade que a criatividade não foi riscada inteiramente do mapa e aqui e ali encontramos bons momentos entre as trocentas faixas do disco - essa quantidade excessiva, aliás, acaba prejudicando o resultado final. Mas as letras parecem construídas apenas para facilitar que os fãs berrem juntos os refrões e a cacofonia que marca os subúrbios ingleses surge domada em combinações as mais previsíveis. E, mais uma vez, ficamos impressionados como a house music, gênero que em outros tempos era símbolo de tudo que cheirasse a futuro, tornou-se sinônimo de coisa mofada.
O jeito, então, é descolar na rede as faixas interessantes e rumar para mares mais agitados. Se a idéia é curtir música eletrônica feita pela molecada britânica durona, o grande barato é procurar alguma coletânea de Grime, a subcultura mais instigante saída da pátria do Audio Bullys em anos. Seu nome mais famoso, Dizzee Rascal, teve os dois discos lançados no país e apresentou-se na edição do Tim Festival 2005. Este repórter estava lá e conferiu: é de entortar o juízo a mistura de rapeado frenético, alucinado, com as batidas sintéticas, soturnas, do Grime. Um gênero para se acompanhar com atenção em 2006 - mas, claro, sem jamais cair no puro hype.
Serviço
Generation - Audio Bullys Gravadora - EMI Preço - R$ 39,50
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