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Atualizado em 15|12|2005 
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O que esperar de 2006
Fernando Calmon
e-mail:
fernandocalmon@usa.net
Finalmente, o humor dos principais executivos da indústria automobilística mudou depois dos bons resultados do mês de novembro. O ano de 2005 vai fechar com novos recordes de produção - 2,44 milhões de unidades - e de exportações - US$ 11,2 bilhões. O mercado interno, apesar de crescer quase 8% como a coluna previu, alcançará 1,7 milhão de unidades, ainda um pouco distante da referência de 2 milhões em 1997.

Todos esses bons indicadores levaram a Anfavea, associação dos fabricantes, a projetar um bom 2006. As vendas internas chegariam a 1,82 milhões de veículos (mais 7%) e a produção, 2,55 milhões (mais 4,5%). Apesar de previsões catastróficas

sobre a queda das exportações, a previsão é de que cresçam um pouco (3%). Explicação oficial: exportações de caminhões e máquinas agrícolas compensariam a queda de automóveis.

Os números não batem porque o volume de veículos pesados teria de subir no mínimo 35% para compensar a queda anunciada de 20% em veículos leves. Exportação de serviços de engenharia, no entanto,podem ajudar.

O próximo ano será marcado por vários lançamentos. A maioria no primeiro semestre. Começa com o Renault Mégane II sedã e o Fox station; o Peugeot 307 hatch reestilizado e, em seguida o sedã; além do novo Civic. O Celta também receberá linhas revitalizadas e a versão sedã (com outro nome) estréia antes do meio do ano, embora a GM afirme que só chegará em 2007. Do México, outras novidades como o sedã grande Fusion e a novo Explorer, da Ford; os Nissan Tiida, hatch e sedã, que usam a mesma arquitetura do Mégane; pickup pesado Chevrolet Avalanche e as versões sedã e station (esse para 2007) do VW Jetta. Quem sabe se o novo presidente da Toyota brasileira, que se apresentará em 9 de janeiro, anunciará o projeto do carro compacto.

Uma notícia ruim é o aumento em 43%, para R$ 76 do chamado seguro obrigatório. A indenização, que havia subido 55% no começo deste ano, terá mais 30% em 2006, atingindo R$ 13,5 mil em caso de morte ou invalidez. Pelo menos em 2005/2006, o preço deste seguro social cresceu menos que o valor da indenização.

Quanto à legislação, a Câmara Federal acaba de aprovar a criação de um fundo de combate ao furto e roubo de veículos e de cargas, mas ainda depende de aprovação no Senado e regulamentação pelo Contran. Caminho inverso - do Senado para a Câmara - seguirá o importante projeto de provas alternativas para os motoristas bêbados que forem flagrados e se recusem a fazer testes de alcoolemia (bafômetro e exame de sangue). Alfredo Peres da Silva, o novo diretor do Denatran, terá muito trabalho para resolver várias questões pendentes. E, em ano eleitoral, a implantação da Inspeção Técnica Veicular não tem chance de sair do papel, depois de 10 anos de discussões.

Na área de combustíveis, haverá menos fraudes com a adição de corante laranja ao álcool anidro. Porém, o motorista deve checar o termodensímetro nas bombas dos postos. A excessiva procura pelo álcool pode fazê-lo subir de preço, mas a tendência é o aumento de produção. Já O GNV deverá continuar encarecendo sem alternativa.

Em 2006, a confiança do consumidor deve se manter em alta e os planos de financiamento em 60 meses tendem a ser cada vez mais ofertados com a queda dos juros. Os mais otimistas prevêem planos de 70 prestações ou até mais. É ver para crer.


Roda viva

Assim como 2005 viu o fim da produção da coreana Kia Besta, van muito utilizada em transporte alternativo e executivo, 2006 marcará o fim dos motores de 1.000 cm3 sobrealimentados. A Parati foi a última a usar turbocompressor e, agora, a Ford abandona o compressor mecânico no Fiesta, assim que chegar o motor flex no primeiro trimestre.

Anfavea atribui o atual bom momento de vendas às contínuas promoções, à queda de juros e ao motor flex que ajuda pela novidade e no custo por quilômetro rodado, aliviando o valor das prestações. Deve-se reconhecer ainda que o consumidor não consegue adiar indefinidamente a troca do carro, depois de sete anos de privações.

Porsche Cayman S, versão cupê do Boxster, cumpriu a difícil missão de não parecer uma adaptação de teto rígido em um conversível. Chega agora ao Brasil custando 20% menos que o 911 Carrera, do qual herdou o motor de 3,4 litros e 295 cv da série 996, anterior à atual 997. Em desempenho, fica no meio termo entre o Boxster e o 911 Carrera, um pouco acima do Boxster S.

Volkswagen espera ocupar totalmente a capacidade de produção da Kombi graças ao motor flex de 1.400 cm3, arrefecido a água. Aposentou o admirado motor arrefecido a ar, que não poderia cumprir a legislação de ruído (2006) e emissões (2007). Preço permaneceu. O motor é o mesmo do Fox exportado para a Europa, na versão a gasolina. E está pronto para outros usos...

Rumores dão conta de que o freio ABS (evita bloqueio das rodas) poderá ser oferecido por preço bem mais baixo no próximo ano. As principais fábricas estariam dispostas a fazer grandes encomendas que viabilizariam a nacionalização dos componentes. Na opinião da coluna, este dispositivo de segurança deve ter prioridade, por exemplo, em relação ao airbag.

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