Um olhar mais atento às letras miúdas dos editais de concurso podem ser a chance a mais para quem busca uma classificação para o almejado cargo de funcionário público. Algumas contradições encontradas no documento acabam deixando "brechas" para os candidatos questionarem sua desclassificação. Há casos de concorrentes que, por meio de liminar, já conseguiram assumir o cargo e estão trabalhando nas polícias Federal, Civil e Militar, por exemplo.
Somente no concurso da PM, em 2003, cem pessoas obtiveram o recurso na Justiça. Na Polícia Civil, 102 dos 326 delegados aprovados no último concurso, há sete anos, foram empossados e permanecem no quadro da instituição sob efeito de liminar. Entre os 1,2 mil agentes, 341 trabalham da mesma forma.
Um dos erros mais comuns são as informações sobre a classificação. Há dois anos, quando a PM realizou um concurso para preenchimento de duas mil vagas, mais de 20 mil candidatos se classificaram. "Entretanto, uma portaria informava, no mesmo edital, que seriam convocados,no máximo, o dobro de duas mil vagas. O requisito acabou contradizendo o próprio documento, já que garantia aos 20 mil candidatos classificados, com 50% de acertos na prova objetiva, a realização das outras avaliações", explicou o advogado Paulo Amazonas.
Outra falha encontrada está na aplicação dos testes físicos. No ano passado, Luís (nome fictício) fez concurso para papiloscopista da Polícia Federal. Aprovado no teste intelectual, ele acabou vendo, literalmente, ir por água abaixo, os planos de ingressar na instituição. Submetido ao teste físico na piscina do Colégio Santos Dummont, em Boa Viagem, ele foi eliminado pelo limite de tempo. Após a reprovação, Luís descobriu que, ao invés de nadar 25 metros, como previa o edital, tinha nadado 26 metros. Por isso, demorou dois segundos a mais que o permitido para chegar à raia.
O caso foi parar na Justiça Federal. O advogado Paulo Marcelo Serpa, que defende Luís, informou que o candidato já ganhou a ação em primeira instância. "A União recorreu ao Tribunal Regional Federal da 5ªRegião, através de um agravo de instrumento, mas o Tribunal indeferiu o pedido", informou.
Além do exame físico, outro vilão dos concursos é o teste psicotécnico. A avaliação é responsável por cerca de 80% das reprovações dos candidatos. Classificada como inapta, a perita criminal Mércia (nome fictício) conseguiu ingressar na Polícia Civil com um mandado de segurança. Há três anos, ela trabalha realizando perícias e se diz capacitada para a função. "Sou uma pessoa normal", afirmou. Mércia fez questão de informar que foi aprovada nos concursos da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Secretaria de Educação, da Compesa e da Prefeitura do Recife. "Não entendo porque tive reprovação nesse psicotécnico", lamentou. A perita entrou com uma ação e o recurso ainda será julgado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco.
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