Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não vai usar os R$ 155 milhões de crédito orçamentário liberados pelo governo para o Legislativo completar o pagamento do reajuste de 15% aos seus servidores. "O Senado fez o seu papel, economizou e vamos devolver o dinheiro", comentou o senador ao saber da edição da Medida Provisória que, além de atender ao pedido de suplementação orçamentária para gastos de pessoal do Senado e da Câmara, também fez um mimo para os presidentes das duas Casas.
O agrado a Renan consistiu da liberação de R$ 70 milhões para obras no Rio Pratagi, um de seus redutos políticos em Alagoas. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), também se beneficia indiretamente por ser de Alagoas. A assessoria de Calheiros explicou que o Senado já conseguiu pôr em dia sua folha salarial, inclusive o pagamento retroativo do reajuste de 15%.
O governo estranhou o gesto de Calheiros, já que, no dia 17 de novembro o Senado enviou ofício ao Ministério do Planejamento pedindo R$235 milhões adicionais para pagar seus funcionários. Assessores de Renan disseram que o governo teria demorado demais para atender a demanda e que agora já não precisava mais, pois a Casa conseguira honrar o reajuste cortando e remanejando recursos. Parte dos gastos foram transferidos para janeiro, já usando o orçamento de 2006. O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, disse que o Senado pedira os recursos em novembro mais como precaução, como acontece todos os anos, mas que agora o dinheiro era desnecessário, pois as contas estão em dia.
A mesma MP contemplou a Câmara com crédito extraordinário de R$ 208 milhões, mas o diretor-geral, Sergio Sampaio, informou que do total a Casa ofereceu uma renúncia de gastos no valor de R$ 50 milhões. Ao contrário do Senado, a Câmara não pode abrir mão do valor total pois estava sem dinheiro para pagar os salários dos funcionários que já ameaçavam entrar em greve. Seria um fato inusitado e na gestão do deputado Aldo Rebelo, aliado ao governo. Cerca de R$ 150 milhões destinados à Câmara serão usados nas despesas com os salários dos deputados e funcionários, incluindo o décimo-terceiro. O diretor negou, contudo, que parte desse dinheiro seria destinado ao pagamento da convocação extraordinária.
O aumento de despesas do Congresso com o reajuste de 15% dos funcionários sempre causou divergência entre Renan e Calheiros. O senador ficou irritado quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o aumento. O veto foi derrubado depois pelo Congresso. Para demonstrar seu descontentamento à época, Renan recusou um convite para almoçar com Lula.
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