Bata palmas e diga yeah! O ano está chegando ao final e é hora de começarmos a fazer as apostas para 2006: quais serão as bandas que vão sair dos subterrâneos rumo às vendas milionárias e aos shows em grandes festivais - inclusive aqui no Brasil? Uma rápida pesquisa na internet e entre os amigos chegados e logo dois nomes despontam entre os favoritos: de Nova Iorque, vem o Clap your hands say yeah. E Sheffield, na velha Inglaterra, nos envia insistentes chamados à respeito do Arctic Monkeys.
 O novaiorquino Clap your hands vendeu mais de 20 mil cópias do primeiro disco sem sair de sua cidade natal; | Os dois grupos têm em comum o uso criativo da internet para driblar a ausência de um contrato com as grandes corporações do disco. Numa prova de que a rede explodiu de vez os antigos padrões, ianques e britânicos conseguiram despertar as atenções do público e da crítica usando estratégias inpensáveis em outros tempos. O Clap your hands quase não atravessou as fronteiras de sua cidade natal e, mesmo assim, vendeu mais de 20 mil cópias do seu CD de estréia, distribuindo o disco a partir doapartamento que dividem. Só recentemente eles assinaram um acordo com a distribuidora de selos independentes ADA, ligada à Warner.
O caso do Arctic Monkeys ainda é mais sintomático: eles alcançaram o status de cult band a partir do uso intensivo do MySpace, espécie de "orkut dos artistas" por sua junção de brodagem, bandas e MP3s. Sem grana, gravaram umas faixas num estúdio caseiro e postaram nesse site. O boca-a-boca crescente criou uma onda tal que, quando soltaram em outubro o primeiro single, I bet that you look good on the dancefloor, foram direto para o primeiro lugar das paradas britânicas.
 Arctic Monkeys, da Inglaterra, alcançou status de cult band usando o MySpace, espécie de "orkut dos artistas", por sua junção de brodagem, bandas e MP3s. | Mas se a internet aproxima Sheffield da "big apple", as fontes que alimentam os dois grupos respondem por suas diferenças. O Clap Your Hands vai beber no Talking Heads de David Byrne, influência de nove entre cada 10 grupos "modernos" dessa primeira metade dos 2000. Basta dar uma sacada na interpretação do vocalista Alec Ounsworth para tirar qualquer dúvida a respeito dessa filiação new wave. Para os curiosos, não custa lembrar que o nome do grupo foi tirado de um grafite estampado nos muros do Brooklyn, bairro que hospeda hoje uma efervescente cena artística.
Já o Arctic Monkey parece misturar uma pitada de cada banda indie que despontou nos últimos dez anos. As comparações mais comuns os remetem ao Franz Ferdinand - mais por causa do contrato assinado com a Domino, mesmo selo daquela banda - e com Mike Skinner, do The Streets, devido ao vocalista e guitarrista Alex Turner também ser considerado um poeta do dia-a-dia da garotada inglesa atual.
Agora, com as cartas colocadas na mesa, você decide: ainda mantém as apostas? Ou vai colocar as fichas em algum cavalo azarão que a mídia desconhece? Daqui há um ano, a gente voltar a conversar para descobrir quem ganhou esse jogo...
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